sexta-feira, 2 de maio de 2014

AFONSO RIBEIRO (1911-1993)



"Falar do homem do campo, do trabalhador da terra e esquecer as suas angústias inconfessadas, seus músculos doridos, seu olhar triste - da tristeza horrível que nada aguarda, nada! - parece-me feio embuste"
 
Afonso Ribeiro nasceu a 7 de Janeiro de 1911, em Vila da Rua (Moimenta da Beira). Um dos precursores do denominado Neo-realismo, entendendo a literatura como “instrumento de actuação social” e denunciando sempre a miséria dos trabalhadores e do povo, Afonso Ribeiro teve obra vigorosa, colaborando, também, em várias publicações de matriz neo-realista, como Altitude”, “Sol Nascente”, “O Diabo” ou a revista “Vértice”.
 
O seu livro de novelas Ilusão na Morte, de 1938, é considerado precursor na área. João Pedro de Andrade, no Sol Nascente, considera-a uma “obra de arte”. Professor primário em zonas rurais, o contacto com as desigualdades sociais e com as carências das classes desfavorecidas inspira uma prosa atenta à verosimilhança da fala das personagens, aos seus problemas e escravidões [AQUI]. As suas obras denunciam a miséria moral de proprietários e trabalhadores, proclamando a necessidade de olhar para o mundo rural com diferentes olhos [ibidem].
 
Emigrou, nos anos 50, para Moçambique, mantendo todas as ligações com os escritores neo-realistas, cujos trabalhos divulgou em publicações locais, como Itinerário (1955).
 
Morre em 1993.
 
OBRAS PUBLICADAS: Ilusão da Morte (1938), Aldeia (1943), Trampolim (1944), Escada de Serviço (1946), Povo (1947), O Pão da Vida (1956), Três Setas Apontadas ao Futuro (Moçambique, 1959 - Teatro), O Caminho da Agonia (1959), Da Vida dos Homens (1963), África Colonial (1975), Os Comedores de Fome (1983), A Árvore e os Frutos (1986)
 
FOTOS - AFONSO RIBEIRO | capa do livro “POVO”, Editorial Ibérica, Porto, 1947
 
J.M.M.
 

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