sexta-feira, 13 de maio de 2016

UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA (1925-1933): CONFERÊNCIA

O Ateneu de Coimbra e a Pró-Associação 8 de Maio promovem amanhã, 14 de Maio de 2016, duas conferências que têm por objecto de estudo a Universidade Livre de Coimbra, que funcionou entre 1925 e 1933.


 Universidades Livres e da Universidade Livre de Coimbra
[...] É neste movimento, em prol da instrução popular [...] que se inscreve a criação da Universidade Livre de Coimbra. São instituições hostis a quaisquer privilégios culturais, que defendem um ensino autónomo, independente de poderes religiosos e políticos e despojado de qualquer sectarismo, submetido apenas (submissão crítica e metódica) aos preceitos das ciências (monopólio dos ricos), apoiado numa aprendizagem de saberes aplicados e práticos, tendo como finalidade máxima a emancipação intelectual (iniciativa e autonomia), profissional (aprendizagem ou aperfeiçoamento de um ofício), política (democratização), cívica (cidadania) e moral; acreditam os seus artífices que essa emancipação e o progresso do homem estão, essencialmente, dependentes da expansão da educação e da socialização das ciências aplicadas, que devem privilegiar, como seus destinatários, os que dela são, normalmente, excluídos: os trabalhadores; por isso, a latitude deste ensino deve ser móvel e regionalizada (para que todos a ele tenham acesso), incluir os estudos pós-primários na actividade profissional dos seus destinatários, dar-lhes um carácter vincadamente prático e, se possível, o ensino ser barato, senão mesmo gratuito. De qualquer modo, todos estavam de acordo que não se podia limitar à instrução primária (gratuita): as Universidades Livres deviam ter um carácter profissional e educativo e até profissionalizante e ser uma extensão universitária [...].
Quanto à metodologia, a Universidade Livre (como a de Lisboa, por exemplo) devia procurar o “ensino integral”, ministrá-lo de forma prática, atraente e experimental, recorrendo a conferências, palestras, lições e cursos.

A Universidade Livre de Coimbra não foi, pois, um mero projecto politicamente inocente e inovador de um grupo de intelectuais. [...] Aliás, as universidades livres e populares – ainda que sem esta denominação – já tinham tradição em Portugal, remontando aos fins do século XIX e princípios do século XX, de que são exemplo, entre outros, a Academia de Estudos Livres (fundada em 1889), o Instituto de Coimbra [...]. É neste movimento, em prol da instrução popular [...] que se inscreve a criação da Universidade Livre de Coimbra [...]

Sobre a Universidade Popular, cf. A. H. de Oliveira Marques, «Universidade Popular», in Dicionário de Maçonaria Portuguesa, II, 1458-1461.


Da lição inaugural...

Aurélio Quintanilha fez a “lição inaugural” da nova instituição, no salão nobre da Câmara Municipal, tendo a presidir à sessão, Bernardino Machado que proferiu um discurso sobre a socialização do ensino, que assentava na valorização do trabalho como factor fundamental da formação moral. Aurélio Quintanilha não circunscreveu a sua lição ao estrito âmbito da instrução popular; conectou-a, outrossim, com a política e com a emancipação democrática dos trabalhadores. [...] Na cerimónia de lançamento, disse então: “um ofício é tão imprescindível à moral como a experiência à física”. Partindo deste pressuposto, defendia que todos deviam aprender um ofício, independentemente da sua riqueza e que até no acesso ao ensino superior se devia exigir do candidato prova de que o sabia (e, reciprocamente, exigir-se instrução ao operário).

Era necessário que as Universidades e os seus intelectuais [...] viessem, em primeiro lugar, até à Universidade Livre conviver com os seus camaradas das fábricas, das oficinas e dos campos e, em segundo lugar, que os instruíssem e educassem, especialmente através da socialização das ciências – sobretudo das aplicadas –, para os tornar conscientes dos seus direitos e deveres, intelectualizando, deste modo, as pugnas sociais, retirando-as da violência da rua, das trincheiras, das barricadas e deslocando-as para as batalhas do pensamento. Esta era, segundo disse Quintanilha, a finalidade da Universidade Livre: erradicar o sectarismo, a ignorância e o fanatismo, dando lugar, gradualmente, à tolerância, ao diálogo e ao respeito mútuo, servindo-se, para o efeito, de uma educação matricialmente cientifica, positiva e útil” [...]
Norberto Cunha, Aurélio Quintanilha

São conferencistas amanhã, sábado, 14 de Maio, na Casa da Escrita, pelas 18 horas com a presença dos Professores:
- Norberto Cunha
- Paulo Archer de Carvalho

Sobre a questão das Universidades Livres encontram-se já alguns trabalhos disponíveis que recomendamos a consulta:

Uma sessão muito interessante e que recomendamos a todos os nossos seguidores.

A.A.B.M.

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