domingo, 23 de outubro de 2016

JOSÉ LIBÂNIO GOMES


Numa semana em que se falou bastante de Manuel Teixeira Gomes e se apresentou a sua mais recente biografia, elaborada por José Alberto Quaresma, vimos lembrar alguns aspectos da vida do seu pai: José Libânio Gomes. São breves apontamentos biográficos:

José Libânio Gomes
 
Era natural de Portimão, porém há algumas dúvidas quanto à naturalidade[1] e filho de Manuel Gomes e de Maria Gomes. Nasceu em 6 de Setembro de 1824. Descende de homens do Norte (Mortágua, Viseu) e de mulheres de Portimão e de Alvor. Ao contrário, sua esposa, D. Maria da Glória Teixeira, descendia de famílias de Vila Nova de Portimão e dos concelhos vizinhos (Silves, Lagoa e Monchique). Manuel Gomes Xavier de Ataíde, avô paterno de Manuel Teixeira Gomes, foi alferes da Legião Lusitana ainda antes da ordem de marcha do general Junot para combater na Europa. Decerto que a sua experiência militar nas campanhas napoleónicas lhe possibilitaram a abertura ideológica necessária à futura adesão aos ideais liberais vintistas. Com várias condecorações, era tenente de Infantaria em 1823, e comandante do destacamento de Portimão em 28 de Maio de 1828 quando foi preso por ordem de D. Miguel e encarcerado no Limoeiro onde veio a morrer.

José Libânio Gomes tinha apenas nove anos de idade quando seu pai faleceu. Como ele, também rumaria a França, em 1845, não para a guerra, mas para aprender com um negociante de frutos secos, em Rouen, as artes do comércio. Em 1849 já iniciava em Portimão as bases do negócio que levaria seu filho Manuel a percorrer os mercados da Europa. A qualidade dos seus frutos secos valeu-lhe uma medalha na Exposição Internacional de Londres de 1851. Quatro anos depois é de novo premiado na Exposição Internacional de Paris, vindo a integrar a Comissão da secção Portuguesa à Exposição Universal de Anvers em 1894. Entretanto, já criara uma Parceria para a Exportação de Figos do Algarve com outros comerciantes locais. A sua dinâmica comercial facilitou as suas relações pessoais e políticas. A sua nomeação como cônsul da Bélgica em Portimão, em 1861, é o prelúdio de uma longa era de actividade diplomática que confere a esta família de comerciantes um carisma social que se prolongou durante bastante tempo.

Negociante importante em Vila Nova de Portimão, dedicando-se especialmente ao comércio dos frutos secos, tão típicos da região. Casou com Maria da Glória Teixeira Gomes em 21 de Fevereiro de 1854. Terá sido educado em França, onde assistiu à Revolução de 1848, já que o seu pai tinha estado envolvido nas campanhas napoleónicas tendo mesmo participado na Batalha de Waterloo. Tendo aí contactado com as ideias republicanas, que procurou preservar e ajudar já em Portugal. 

Em 1878, participou activamente na escolha dos elementos que deveriam compor a lista de vereadores da Câmara Municipal de Portimão, fazendo acordo com o outro influente político local, o senhor Visconde de Bivar. Em 1884, era considerado por Magalhães Lima como “o mais velho republicano do Algarve”. Fez parte do Conselho Provincial do partido que então se organizou na região, desempenhando as funções de vogal. Em 1889, era apontado como um dos mais antigos e sinceros democratas de Portimão, quando procurou dinamizar a criação de um centro republicano naquela vila. 

Em 1891, fundou o Sindicato dos Exportadores de Figo do Algarve, juntamente com Salvador Vilarinho, José Duarte de Almeida, A. J. Júdice & Irmãos e José Joaquim Serpa que visava colocar mais facilmente no exterior a produção excedentária do Algarve. Durante três anos o representante desta sociedade na Europa foi Manuel Teixeira Gomes, filho de Libânio Gomes, que percorreu nessa altura vários países europeus em busca de mercados para os figos algarvios. A partir do momento em que a sociedade se desfez, Libânio Gomes continuou as suas actividades exportadoras, mantendo o seu filho como representante da empresa no estrangeiro. Na fase final da vida exerceu também as funções de cônsul da Grécia em Portimão. Padecendo de doença grave foram frequentes as notícias sobre o agravamento do seu estado de saúde. Faleceu a 16/03/1905, com 80 anos[2].

A.A.B.M.



[1] Nuno Campos Inácio, “Apontamento Genealógico de Manuel Teixeira Gomes”, Cadernos Barão de Arêde. Revista do Centro de Genealogia e Heráldica Barão de Arêde, nº1, Julho-Setembro de 2014, p. 125 e ss. [Disponível online aqui: http://arede.eu/img/CADERNOS_BARAO_DE_AREDE_1.pdf]
Faleceu a 16/03/1905, com 81 anos[1].



[2] “José Libânio Gomes”, Diário Ilustrado, Lisboa, 20-03-1905, Ano 34, nº 11510, p. 1, col. 3.

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