sábado, 10 de novembro de 2007

13º CONGRESSO DO ALGARVE


A partir do próximo dia 15 e até dia 17 de Novembro vai realizar-se no Centro Cultural de Lagos o XIII Congresso do Algarve. Neste ano dedicando particular atenção aos seguintes assuntos: O Algarve e o Mar; Portugal e o Algarve; Quem decide (n)a Região?.

Neste evento serão apresentadas 115 comunicações que se repartirão por diversos painéis onde se destacam: Temas Culturais e Sociais, Ciência e Tecnologia e Economia e Políticas Regionais.

No painel dos temas Culturais e Sociais a História está em destaque. Apresentam-se trabalhos interessantes sobre personalidades, acontecimentos e ideias que marcaram a região algarvia.

Esta organização do Racal-Clube de Silves, com o apoio de todas as Câmaras Muncicipais do Algarve, o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República e o apoio de diversas entidades públicas e privadas, vai certamente permitir a discussão dos problemas, das iniciativas a desenvolver e as concretizações dignas de realce que têm vino a ser alcançadas.

Nos três dias em que decorre o Congresso vão participar como convidados especiais para realizar intervenções: os Drs. Rui Rio, José Apolinário e Vitor Cabrita Neto - Contributos para a Governabilidade a nível nacional, regional e local (dia 15 de Novembro); os Drs. Adriano Moreira, João Guerreiro e Rui Loureiro - Portugal, o Algarve e o Mar (dia 16 de Novembro); os Drs. Vasco Graça Moura, Júlio Barroso e João Faria - Lagos dos Descobrimentos (dia 17 de Novembro).

Com os votos do maior sucesso para mais esta iniciativa a todos os títulos louvável.

A.A.B.M.

1 comentário:

Carlos Gomes disse...

A organização de congressos regionais ou regionalistas foi uma iniciativa muito recorrente durante a I República, projectando-se então a criação de entidades político-administrativas a nível provincial em substituição das administrações distritais ou seja, aquilo a que actualmente se designa por "regionalização". Então como agora já se colocava entre outros aspectos, a problemática de saber quais os limites de uma determinada região ou província. A título de exemplo, num dos congressos transmontanos então realizados, já Lamego se reclamava da sua identidade sul-duriense, pretendo associar-se a Trás-Os-Montes e Alto Douro em vez de integrar a Beira Alta, apesar de fazer parte do Distrito de Viseu, reclamação essa que veio recentemente a ser retomada.
Pelo que conhecemos, poucos ou nenhuns foram os frutos então produzidos por tais congressos.
Quanto à substituição da organização distrital da administração do Estado por uma divisão provincial, vulgo regional, creio que houve nova tentativa durante o Estado Novo, acabando por ser definitivamente abandonada, não sem alguns desajustes no mapa administrativo, como aqueles que levaram povoações minhotas que outrora pertenceram a Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto a virarem transmontanas com a sua transferência para o concelho de Montalegre. De resto, a "província" ficou como uma mancha colorida no mapa de Portugal a assinalar sobretudo diferenças folclóricas.
Nos tempos que correm, o Congresso do Algarve - juntamente com o do Alentejo - tem sido praticamente o único a procurar construir um projecto comum para a região, assente no pressuposto de uma identidade regional própria que a leva a reclamar o direito de se constituir como "região político-administrativa" independentemente de tal reforma vir ou não a ser aplicada no resto do território. Mas o Algarve continua a ser uma região desfavorecida em virtude da sua reduzida densidade populacional, pese embora os elevados fluxos de turismo sazonais e o crescimento económico e urbanístico em certas zonas do litoral. A título de exemplo, o Algarve deve ser a região do país pior servida em termos de linha férrea, apresentando situações de grave insegurança que sereceriam a actuação da ASAE. E, contudo, quais são os resultados práticos destes congressos em prol do progresso social e humano do Algarve e das suas gentes? Outras regiões do país têm conseguido muito melhores resultados sem a realização de qualquer congresso regional...
Não quero com isto dizer que a organização de uma iniciativa como esta não possua as suas virtualidade e interesse. Mas, já vai sendo tempo de questionar o que tem o Algarve ganho com a sua realização. E já lá vão 13!