segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

JACINTO SIMÕES (FILHO) 1925-2010 – PARTE II


No início de 1946, Jacinto Simões participa na fundação da Juventude Socialista Portuguesa [JSP], fazendo parte do seu directório inicial [com Manuel Sertório, João Prestes Salgueiro Filho, João Cardoso Ferreira, Alfredo de Sousa Pimentel, Mário Trigueiros, José Domingos de Abreu e Fernando Maia Lopes Correia – ver Susana Martins, Socialistas na Oposição ao Estado Novo, Casa das Letras, 2005, p. 59]. A JSP com outros agrupamentos socialistas vão dar origem à Aliança Socialista [AS] em Julho de 1949, visando a constituição de um Partido Socialista Unificado [ibidem, p. 63]. Tal, porém, não acontecerá.

Na eleição presidencial de 1949, Jacinto Simões apoia a candidatura oposicionista de Norton de Matos. No dia 8 de Janeiro desse ano integra a delegação juvenil que vai apresentar cumprimentos ao general e dar a sua adesão á candidatura [ver Diário de Lisboa, 9 de Janeiro de 1949].

Em 1952, pela mão de Vasconcelos Frazão, assistente do médico Luís Hernâni Dias Amado [Dias Amado, figura de relevo da oposição, foi um dos fundadores da União Socialista, do MUNAF e do MUD, enquanto na maçonaria, depois da sua iniciação em 1928, na Loja Madrugada nº 339 de Lisboa, atingiu altos cargos, tendo sido membro do Conselho da Ordem durante a clandestinidade e seu presidente de 1957 a 1974 – cf. A. H. Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. I], Jacinto Simões entrou para a Maçonaria, tendo adoptado o n.s. de Voltaire [cf. Casa 4, ibidem, p. 133]. A sua iniciação processa-se num "quarto andar da Av. Duque de Loulé" [ibidem], dado a ocupação do Grémio Lusitano, como resultado do decreto que extinguia a maçonaria. Jacinto Simões atingiu o grau 33 do REAA, pertenceu à Loja Simpatia e União, nº4 do REAA, da qual foi Venerável [Loja fundada em Lisboa em 1899 - resultante da fusão das lojas Simpatia e União Independente -, Capitular, Areopagita e Consistorial, uma das lojas que não abateu colunas durante a clandestinidade] e no GOL exerceu o cargo de Grão-Mestre Adjunto.

Jacinto Simões dedicou-se, com paixão, à sua profissão de médico nefrologista e "era um médico-sábio" [ler a homenagem que José Manuel dos Santos lhe fez nas páginas da revista Actual, Expresso de 13 Novembro de 2010]. Figura marcante e um dos iniciadores da hemodiálise em Portugal, foi "pioneiro no tratamento da insuficiência renal, por hemodiálise e transplante", exerceu medicina nos Hospitais Civis, foi professor universitário, tendo sido director clínico do Serviço de Nefrologia do Hospital de Santa Cruz, em Lisboa.

Era um homem de cultura, de tertúlias, "generoso e autoritário, pródigo e curioso, mordaz e caprichoso, sagaz e impulsivo" [José Manuel dos Santos, ibidem]. Curiosamente, acolheu em sua casa – ele, republicano e maçon – João Camossa, um seu amigo de escola e seu compadre, um rebelde "monárquico-anarquista-advogado-erudito-vagabundo", uma figura pública de grande encantamento, que pedindo-lhe para dormir lá em casa uma noite, por lá ficou trinta anos, até morrer.

Publicou os livros de poesia: "Latitudes" (1999), "Recaídas" (2001) e "Poemas Imprevistos" (2003).

Morreu no passado dia 7 de Novembro de 2010, em Lisboa.

J.M.M.

3 comentários:

Anónimo disse...

Quando os verdadeiros Republicanos vão passando ao Oriente Eterno, com quem ficamos nós? Estes,enviam-nos para a sombra, para bem longe da luz.

Vicente Berbosa e Mello
vicentebarbosaemello@gmail.com

Margarida simões disse...

Um orgulho. peço atenção à data da iniciação na maçonaria


Almanaque Republicano disse...

MCara Amiga:
Graças pela missiva. E, permita-me ... qual a questão sobre a data da "iniciação na maçonaria"? Agradeço aditamento. Ctos JMM