quinta-feira, 21 de novembro de 2013

JOSÉ BOAVIDA- PORTUGAL (1889-1931)

Foi funcionário do Ministério dos Abastecimentos e do Trabalho, mais tarde integrou também o quadro de funcionários do Instituto de Seguros Sociais Obrigatórios.

Em 1912, Boavida-Portugal iniciou no jornal República um conjunto de artigos sobre o Inquérito Literário que depois viria a ser publicado em 1915.

Ainda nesse ano faz parte da Associação de Classe dos Trabalhadores do Teatro, que chegou a ter projectado um semanário desta associação intitulado O Trabalhador do Teatro, tendo uma redacção constituída por João Coimbra, João Ferreira, Victoriano Braga, Guedes Vaz, Araújo Pereira e Jorge Roldão.

Em 1913 esteve ligado à fundação da revista Teatro, uma efémera revista de critica onde colabora de forma quase anónima um jovem escritor de nome Fernando Pessoa publicou três artigos bastante agressivos que conseguem obter alguma visibilidade. Da revista Teatro, de que saem quatro números e onde Pessoa publica três artigos, nº1, de 01-03-1913, onde faz uma critica demolidora ao livro de Afonso Lopes Vieira,  Bartolomeu Marinheiro; nº2, 08-03-1913, onde se dedica ao livro de Manuel de Sousa Pinto; nº3, de 25-03-1913, "Novas Publicações Literárias", onde apreciava em tom satírico a Teatrália, Gente Moça e Talassa. [Manuela Parreira da Silva, “Boavida Portugal”, Dicionário de Fernando Pessoa, Dir. Fernando Cabral Martins, Editorial Caminho, Lisboa, 2008, p. 672].

Esteve ainda ligado à direcção do jornal O Jornal, que se publicou em 1915 e durante 47 números, entre 4 de Abril e 19 de Maio, curiosamente, este um jornal monárquico. Nesse jornal colaboravam ainda Alfredo Pimenta, Almada Negreiros, Bulhão Pato, Cândido Guerreiro, António Correia de Oliveira e Fernando Pessoa. Segundo o Prof. Oliveira Marques, este jornal funcionou como órgão oficioso do Governo do General Pimenta de Castro. Em 1915, quando dirige O Jornal, Fernando Pessoa também mantém uma coluna intitulada "Crónica da Vida que passa", onde saíram seis artigos todos no mês de Abril de 1915 (5, 8, 11, 15, 18 e 21). Este último artigo obrigou Boavida Portugal a intervir, já que houve reacção por parte dos leitores e, em particular, da classe dos chauffeurs que enviaram um abaixo assinado ao jornal e o director teve que escrever um artigo intitulado "Explicação Necessária", publicado a 23 de Abril, onde informava que o autor da coluna tinha deixado de colaborar com o jornal. Mas o poeta e o jornalista já se conheciam desde 1912 e mantiveram relações de amizade mesmo após estes incidentes.

Participou entre Outubro de 1920 e Julho de 1921 no grupo político denominado Federação Nacional Republicana, liderado por Machado Santos e integrando personalidades como João Viegas Paula Nogueira, Joaquim Meira e Sousa, Manuel Gomes da Costa, Alexandre Barbosa e José Boavida-Portugal, juntamente com José de Freitas Ribeiro, João Manuel de Carvalho, Aniceto Xavier Horta entram nesta organização política em Junho de 1921, porém este agrupamento político dissolve-se em 13 de Julho de 1921. Fez ainda parte do Directório do Partido Reformista, liderado por Machado Santos, onde pontuavam ainda Dr. Abranches de Figueiredo (advogado); Dr. Mário Ramos (deputado); Lameira Bueri (engenheiro); Melo Simas (tenente coronel); Dr. Alberto Osório de Castro (Juiz da Relação); José de Freitas Ribeiro (capitão de fragata); Dr. Paula Nogueira (Lente Instituto de Medicina Veterinária); Mendes do Passo (tenente coronel); Aniceto Horta (capitão de fragata) ; Dr. Lopes Vieira (Juiz do Tribunal do C.E.P.); Osório de Castro (tenente coronel); e Dr. Albuquerque Stockler (major médico).

Fez parte da comissão que organizou a homenagem a Gomes Leal, realizada por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, em 1925, onde participaram também Sebastião de Magalhães Lima, Alfredo Guisado, Humberto Pelágio, Gomes Monteiro, Avelino de Almeida, João de Barros, Amadeu de Freitas, Ladislau Batalha, Alves Martins e Ferreira de Castro, entre outros. [António Ventura, O Imaginário Seareiro. Ilustradores e Ilustrações da Revista «Seara Nova» (1921-1927), Lisboa, Instituto Nacional de Investigação Científica, 1989, p. 102].

Colaborou em publicações como: Serões (1909), República, Diário da Tarde (1913), A Lanterna Ilustrada (1913), O Teatro (1913), Orfeu (1915), O Jornal (1915), pertenceu ainda às redacções de jornais diários, tendo maior permanência no Século e no Portugal (dirigido pelo coronel Pestana de Vasconcelos).

Publicou os seguintes títulos:

Inquérito literário, Lisboa, Clássica, 1915.

Depois da guerra... : o que deverá ser a educação em Portugal : as Câmaras e o ensino e os problemas nacionais, Lisboa : [s.n.], 1918.

O que deverá ser a educação em Portugal depois da guerra... , [S.l. : s.n.]. 1918.´

Portugal, Terra de Heróis, 1918.

Cartilha nova : doutrina moral, [S.l. : s.n.], 1900.

Da liberdade à democracia, Lisboa : Livr. Central, 1923.

A mulher de luto : processo ruidoso e singular Polyanthéa / Gomes Leal ; prefácios de Boavida Portugal, Fernando Reis e Luis Cebola. 2a ed ilustrada. Lisboa : Livraria Central, 1924.

Duas teses queimadas : notas e comentários a um caso escandaloso / Boavida Portugal e Calado Rodrigues. Lisboa : [s.n., 1924].

Eça de Queirós, bolchevista : ensaio crítico, Lisboa : Livr. Central, 1930.

Paraiso perdido, Lisboa : Livr. Central, 192?

Organização nacional,  [S.l. : s.n., 19??].

A.A.B.M.


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