segunda-feira, 28 de outubro de 2019

LEITÃO DE BARROS REVISITADO



Leitão de Barros revisitado” – por António Valdemar, in Revista do Expresso
É um outro Leitão de Barros que nos confronta e nos surpreende na multiplicidade dos sete ofícios evidenciados no cinema, no teatro, nas artes plásticas, no jornalismo, na criação da Feira Popular, na organização de espetáculos que concebeu e realizou, nas festas da cidade que enchiam as ruas de Lisboa. Joana Leitão de Barros e Ana Mantero, duas netas que se recordam ainda do avô, acabam de publicar “Leitão de Barros — A Biografia Roubada”. É um livro repleto de factos e documentos, até agora desconhecidos e inesperados para os que não tiveram o privilégio de uma relação pessoal próxima. Apesar de teses universitárias, com a linguagem pesada e retorcida e os inevitáveis e preopinantes rodapés, este é, ainda, o livro que faltava e se encontra ao alcance do grande público.

Estamos perante um Leitão de Barros revisitado, que permanecia oculto num espólio — felizmente recuperado —, em mais de vinte caixotes, ao abandono, numa arrecadação, sem qualquer referência e, muito menos, sem a mínima ordenação. Assim surgiu, a pouco e pouco, muita correspondência recebida; muita cópia da correspondência enviada; muitas fotografias e muitos recortes de jornais e revistas.
Ao cabo de uma investigação exaustiva, que demorou sete anos, a decifrar, a sistematizar e a contextualizar milhares e milhares de documentos, já existia, pelo menos, um livro a propósito do homem, da sua obra e de tantas outras circunstâncias que representam a presença viva da primeira metade do século XX e dos seus grandes protagonistas.
Leitão de Barros ficou na história do cinema português e recebeu alguns importantes prémios internacionais. Marcou uma época. Desde “Malmequer” (1918), até “Vendaval Maravilhoso” (1949), passando pela “Severa”, extraída da peça e da narrativa romanceada de Júlio Dantas e que foi, em 1931, o primeiro filme sonoro português. Fixou o cenário marítimo e piscatório da Nazaré e da Póvoa de Varzim; o universo rural das “Pupilas do Senhor Reitor”, o pitoresco dos bairros humildes de Lisboa e a realidade telúrica e humana das populações dos arredores.
Ficou na história do jornalismo da primeira metade do século XX. Fundou e dirigiu o “Domingo Ilustrado” (1925-1927) e o “Notícias Ilustrado” (1928-1935). Estes dois semanários impuseram-se pela renovação gráfica, pela abundância de temas relatados e comentados. Teve a colaboração dos nomes famosos da época: Afonso Lopes Vieira e António Correia de Oliveira, entre os poetas; Carlos Malheiro Dias e Antero de Figueiredo, entre os escritores; e Carlos Reis e Roque Gameiro entre os artistas plásticos. Nos momentos solenes, Júlio Dantas era infalível.
Mas não hesitou publicar, e com todo o relevo, n’O Domingo Ilustrado o último manifesto de Almada NegreirosPa-Ta-Pom”, uma catilinária fulminante contra Martinho Nobre de Melo, catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa. Jovem ministro da Justiça de Sidónio e, na altura, um dos ministros da ditadura militar que, pela primeira vez, incluiu no Governo, o ainda desconhecido Oliveira Salazar. Leitão de Barros antecedeu António Ferro no lançamento de Salazar e do Estado Novo. Encontra-se provado neste livro.
 
Também n’O Domingo Ilustrado e no “Notícias Ilustrado” contribuiu para o conhecimento e valorização não só de Almada Negreiros, mas, também, de outros intervenientes do modernismo. Tais como os poetas e escritores: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro (a título póstumo), Alfredo Guisado, Luís de Montalvor; os pintores Eduardo Viana, Jorge Barradas e Sarah Affonso; os escultores Francisco Franco, Canto da Maya, Rui Gameiro e Barata Feyo; e os cartunistas e desenhadores Stuart Carvalhais, Carlos Botelho, José Tagarro e Bernardo Marques. Com Leitão de Barros começou — descoberto por Rodrigues AlvesEduardo Teixeira Coelho (o famoso ETC), o criador do “Mosquito”, para crianças e jovens, precursor do “Cavaleiro Andante” e da primeira adaptação de Eça de Queiroz para banda desenhada. O centenário do nascimento de Eduardo Teixeira Coelho — que este ano se completa — não teve o devido relevo e julgo que, nos Açores de onde era natural, também não lhe prestaram a devida homenagem
O escultor Leopoldo de Almeida que, a partir de indicações de Cottinelli Telmo e de Leitão de Barros, executou a figuração histórica do Padrão dos Descobrimentos para a Exposição do Mundo Português de 1940 (págs. 101 a 103) e que foi ampliado e inaugurado em 1960, durante as comemorações do centenário do Infante D. Henrique. Desde então passou a ser uma das imagens emblemáticas de Belém.
Ficou, também, Leitão de Barros na história do jornal “O Século”, no fim dos anos 30, até ao começo dos anos 50. Entre numerosas iniciativas criou o “Século Ilustrado” e a Feira Popular de Lisboa; voltou a entrevistar Salazar e entrevistou, no Castelo de Belleuve, nos arredores de Paris, a rainha D. Amélia, que enalteceu as obras do Estado Novo e a ação de Salazar.
É nesse período, de extraordinária dispersão e criatividade que Leitão de Barros concebeu e procurou viabilizar — e durante 17 anos atribulados — a nau “São Vicente”, réplica de um galeão do século XVII que se destinava a divulgar, através do Atlântico, das Américas, da África e do Oriente o que existia de mais significativo não só na história e nas diversas expressões da cultura portuguesa mas, também, o melhor que tínhamos nos vários sectores da produção comercial e industrial. Salazar inviabilizou o projeto depois de se terem gasto, na época, milhares e milhares de contos. Hoje correspondiam a cerca de €9 milhões.
 
Ficou, ainda, Leitão de Barros na história do “Diário de Notícias”. Fez crónicas e reportagens na Inglaterra, na Espanha e no Brasil, mas, durante os 15 anos, assinalou-se, em ‘Os Corvos’ (1953-1967). Era uma crónica semanal, que saía aos domingos, sempre na mesma página. Tinha repercussão nos mais diferentes extratos sociais: desde Salazar ao merceeiro da esquina. Não trazia assinatura e vinha paginada num espaço próprio e com carateres tipográficos próprios. Todos sabiam quem era o autor. Ocupava-se do que lhe apetecia e se passava em qualquer parte do país e do estrangeiro. (Entre muitos serviços de reportagem, também estive com Leitão de Barros e o José Rui a fazer a cobertura de uma Semana Santa, em Braga, onde, a certa altura, para surpresa minha e do José Rui introduziu no texto o elogio da Opus Dei). Mas, fundamentalmente, escrevia sobre Lisboa. ‘Os Corvos’ — de que há, apenas, a seleção, feita pelo próprio Leitão de Barros, uma até 1959, outra até 1961, em dois volumes ilustrados por João Abel Manta — mobilizaram milhares de leitores. Tinha propostas concretas para Lisboa: para valorizar a Avenida, para recuperar Alfama, para destacar a beleza das ruínas do Carmo, do Castelo e da orla ribeirinha do Tejo; para cuidar dos jardins e dos miradouros; para incentivar o turismo e a hotelaria, para ajudar as crianças e os velhos.
Outra singularidade deste livro de Joana Leitão de Barros e Ana Mantero mostra-nos e em toda a sua autenticidade, as implacáveis reações de Leitão de Barros em face da mediocridade, do mau gosto, do vazio de ideias e da pompa académica. Protestou junto de Salazar e com assiduidade e veemência — ao contrário do que muitos julgavam, pois consideravam-no um incondicional do regime, do Chefe e dos ministros — contra as picardias da censura (pág. 90). Numa das muitas cartas agora divulgadas afirmava a Cunha Leal, um dos temíveis líderes da oposição democrática: “Gostaria bem que me deixassem escrever — a mim que não sou escritor — que me deixassem ter opinião, que me não cortassem as unhas todos os sábados, depois do duche do capilé em que o ‘Diário de Noticias’ me encharca (…). Assim, tudo quanto escrevo é pífio, como pífio é o ar que respiramos…” (págs. 350, 351).
Numa outra carta a António Ferro, no auge das comemorações do Mundo Português, presididas por Júlio Dantas declarou (e Leitão de Barros investido em funções oficiais) que o Governo tinha “um par de botas para descalçar” e com urgência inadiável. Exigia perentoriamente, de António Ferro e, por extensão do ministro Duarte Pacheco, o afastamento imediato de Júlio Dantas. Sem quaisquer rodeios insistia: “Você não calcula o que esse homem tem feito de complicações, de gaffe, de possidonismo, de ‘ceroulas de malha’. É um sarilho a cada hora” (pág. 99). Trata António Ferro em diversas cartas com espantosa ferocidade. Denuncia a opinião inacreditável de Augusto de Castro acerca do cinema (pág. 98). Insurge-se oficialmente devido às desastrosas e infelizes decorações do “alegre arquiteto” Luís Benavente (pág. 108) E descreve, ainda, uma das suas atrevidas conversas com Salazar (págs. 108 a 112).
O livro expressivamente documentado revela os méritos tão diversificados de Leitão de Barros e, nas circunstâncias mais diferentes, o Leitão de Barros sem papas na língua. Também Joana Leitão de Barros e Ana Mantero tiveram a coragem de transcrever outros documentos polémicos do espólio, sem receio de enfrentar melindres familiares.
 
Numa das muitas cartas sepultadas, até agora, no espolio, o pintor Eduardo Malta, em delação premiada — se assim podemos classificar — descreveu, com enorme minúcia e citando nomes e factos, a deplorável sabotagem que se gerou para inviabilizar a votação favorável para ser Leitão de Barros sócio da Academia de Belas Artes. Não era uma questão de currículo, mas de aversão pessoal. Mais: de inveja e de medo da sua irreverência visceral e irreprimível e onde quer que fosse. Na Academia, fizeram os possíveis e impossíveis para que não houvesse quórum. Alinhou nessa cabala o próprio cunhado, o pintor e professor liceal Jaime Martins Barata, colaborador direto de anos seguidos de projetos profissionais comuns, o “taciturno” Martins Barata, protegido e defendido por Leitão de Barros ao ser marginalizado e excluído numa exposição a efetuar no Rio de Janeiro (pág. 74). Leitão de Barros não pode contar com a solidariedade de Martins Barata para ir para a Academia. Era um “desconfiado que tudo acautela” (pág. 74). Tão desconfiado que — relata o próprio Martins Barata, não esconde a sua conduta. Quando estava em Roma a pintar o altar de Nossa Senhora de Fátima, na basílica de Santo Eugénio — pormenorizou em carta a Leitão de Barros de 7 de julho de 1950 como tinha de proceder e para se defender: “Estas hordas seminuas não são de confiança, roubam tudo uns aos outros e a mim, se puderem, claro. Eu defendo-me com cadeados (7!) em vários sítios, mas estou sujeito como qualquer” (pág. 74).
Em nova votação, Leitão de Barros acabou, afinal, por entrar. Raul Lino, desta vez na presidência, quis resolver a questão. Era tarde. Leitão de Barros não chegou a tomar posse. Estava moribundo. Mas ainda deixou uma carta que arrasa a Academia e os que a constituíam (págs. 345 a 349). Carta tão virulenta como os textos mais sarcásticos de Camilo ou como os manifestos mais provocatórios e agressivos de Almada Negreiros e Fernando Pessoa. Um documento que saltou do espólio a fim de constituir mais um dos grandes panfletos contra todas as Academias nacionais e internacionais.
Tudo isto se destaca neste livro polémico, com verdades como punhos, de Joana Leitão de Barros e Ana Mantero, e que terá, pelo menos, mais uma outra edição.

LEITÃO DE BARROS — A BIOGRAFIA ROUBADA
Joana Leitão de Barros e Ana Mantero
Bizâncio, 2019, 367 págs., €18
Biografia

 

 
 
 
 
Leitão de Barros revisitado – por António Valdemar [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], E revista do Expresso - 26 de Outubro de 2019, pp.68-69 – com sublinhados nossos.
 
J.M.M.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

[SANTA COMBA DÃO] COLÓQUIO JOSE DA SILVA CARVALHO E O BICENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820 - PARTE II




DIA: 26 de Outubro de 2019;
LOCAL: Casa da Cultura de Santa Comba Dão (S. Comba Dão);

INTERVENÇÕES/ORADORES:

- Nuno Camarinhas [José da Silva Carvalho na Magistratura Territorial, entre a sua Formatura e a Revolução de 1820];

- Samuel de Paiva Pires [José da Silva Carvalho e o pensamento económico-filosófico britânico];

- António Ventura [José da Silva Carvalho e a Maçonaria];

… e ainda

- Apresentação do livro de BD sobre a Vida e a Obra de José da Silva Carvalho, de Santos Costa e António Neves

A não perder esta excelente iniciativa da Câmara Municipal de Santa Comba Dão a um dois seus mais ilustres filhos e dedicado obreiro da revolução liberal de 1820.
 
J.M.M.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

EXPOSIÇÃO – BEJA REPUBLICANA



EXPOSIÇÃO: Beja Republicana;
DIAS: 18 de Outubro a 12 de Novembro de 2019;
LOCAL: Centro Unesco para a Salvaguarda do Património Cultural e Imaterial de Beja [Rua do Sembrano, 78], Beja;
ORGANIZAÇÃO: Câmara Municipal de Beja - coord. de Constantino Piçarra (IHC-U.N.L).

Decorre a mostra de Beja Republicana (1910-1926), Exposição que “mostra a formação e afirmação do Partido Republicano Português no distrito de Beja”, descrevendo “a evolução política ao nível do poder local, evidencia aspectos marcantes da vida quotidiana da cidade, sublinha as principais realizações do poder republicano municipal e apresenta o panorama da imprensa local  e “o quadro do movimento operário de Beja durante a I República, com referência às suas organizações e principais lutas desenvolvidas” [AQUI].

Estará patente ao público até ao dia 12 de Novembro.

A não perder!

J.M.M.

domingo, 20 de outubro de 2019

CATALUNHA – POR FERNANDO PESSOA


CATALUNHA – Por Fernando Pessoa

"Dos problemas que hoje agitam e perturbam a indisciplinada vida da Europa, o problema do separatismo catalão é talvez o que mais flagrantemente foca o conflito fundamental que se trava hoje no mundo, e, portanto, aquele que mais curiosos ensinamentos contém.

No pleito, que o Destino faz que se digladie entre a Espanha e a Catalunha, há o facto essencial de todos os dramas. Como em todos os dramas, um momento criado pelo Destino, mas segundo inevitáveis resultados de um passado surdamente se acumulou, faz entrar em conflito forças e ideias que é absurdo que entrem em conflito, que é doloroso que se encontrem em guerra Como em todos os dramas, não há solução satisfatória para problema, porque a única arbitragem certa, e por isso injusta, é a do Destino. E como em todos os dramas, ambas as partes têm igual razão.
 
O conflito entre a Catalunha e a Espanha é o conflito entre o conceito nacional de país, e o conceito civilizacional de país. Um conceito é geográfico, supõe-se ser étnico, e afirma-se como linguístico. O outro conceito é histórico, supõe-se ser imperialista e afirma-se como cultural.

Do ponto de vista nacional, e exclusivamente nacional, a Catalunha é uma nação, um país, com índole própria, tendências especiais, com um idioma à parte, que as define, e uma aspiração, que as deseja.

Não é uma pseudo-nação como, por exemplo, a Bélgica ou a Suíça, a que falta, logo de princípio, a base linguística para mostrar ao mundo que tem personalidade. Não é uma nação artificial, como os Estados Unidos da América, onde a unidade linguística não exprime mais que uma tradição de colonização, sem bases em uma cultura própria, nem psique nacional a que corresponda. Não é uma nação morta, como a Irlanda, em que a [...]

Não é uma região espiritualmente conquistada, como as províncias da Alsácia e Lorena, originalmente germânicas, e que Luís XIV roubou à Alemanha, que Bismarck depois (de modo territorialmente legítimo) reaveu para a Pátria, e que hoje [1918] passam outra vez para as mãos do usurpador que as conquistara espiritualmente […]

A Catalunha está para a Espanha exactamente como a Provença para a França. Em ambos os casos a nação cultural se sobrepôs às nações naturais.

Quem da posteridade saberá, salvo só por sabê-lo, que houve catalão, que houve provençal, ou, mesmo, que houve holandês ou qualquer das línguas escandinavas? Ninguém. Só as línguas imperiais sobrevivem. Só as línguas dos povos que criam império têm direito ao futuro, e, portanto, ao presente nacional. Nós portugueses, somos um povo pequeno, mas somos um povo imperial, cuja língua alastrou por sobre o mundo, que criámos civilização, e não simplesmente a vivemos.

Por que razão deve Catalunha viver subordinada a Castela? Pela razão de que [...]

Ingleses, franceses, italianos, alemães, espanhóis, portugueses — todos criámos civilização, os outros viveram a civilização que qualquer de nós criou. A maior conquista que os impérios fazem é a conquista da posteridade. A conquista da posteridade, a língua imperial a grava nos muros da eternidade, a latteras [sic] de fogo. A Holanda quase que criou civilização mas a sua obra histórica, de relevo comercial e não cultural, não teve força para subsistir culturalmente. É como se não houvesse existido. Só os Boers, na extrema África, a registam. São óptimos lavradores e lêm a Bíblia todos os domingos. Vivi e sei, infelizmente […]

A Catalunha, porém, só tem que escolher entre as desvantagens menores da sua integração, como até aqui em Espanha, embora, porventura, com outras regalias, e as desvantagens maiores da sua independência absoluta. Ninguém na Ibéria lhe dá licença que escolha a terceira, a ignóbil hipótese, que seria a união com a França, a que parece secretamente visar parte da tendência catalanista"

[Fernando Pessoa, in Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, Lisboa, Ática, pp. 183-187 - sublinhados nossos]
 
J.M.M.

sábado, 12 de outubro de 2019

TRÊS VEZES ROGÉRIO RODRIGUES


Três vezes Rogério Rodrigues” – por Henrique Monteiro, in Expresso online, 12 de Outubro de 2019

O jornalista Rogério Rodrigues, que faleceu esta semana e é cremado este sábado, depois de uma cerimónia simples, como foi sempre toda a sua vida, tem sido alvo de várias homenagens. Aqui fica a despedida do seu amigo de sempre, cronista e ex-diretor do Expresso Henrique Monteiro.
Penso nele, neste momento, a discutir com São Pedro os méritos da entrada no céu. Mas, de acordo com a ética do Rogério, é ele que defende que lhe faltam qualidades e São Pedro que insiste em lhas lembrar.

O Rogério era assim. Já muitos o escreveram, mas poucos, talvez, o tenham conhecido tão bem quanto eu nas várias dimensões que teve. Foi um tremendo jornalista (torpedo, chamava-lhe a Fernanda Mestrinho); foi um poeta e escritor, que apenas a humildade natural e a vontade de se apagar e de ser crítico de si próprio não levou mais longe; foi um maçon exemplar, incorruptível e fraterno que adotou como nome simbólico Antero de Quental, com quem se há-de encontrar na mão direita de Deus (o de quem o substitua).

Conheci-o há mais anos do que é justo dizer aos jornalistas novos. Nos tempos em que as redações tinham dinheiro, vagar e alegria. Sabíamos notícias à segunda e podíamos guardá-las três, seis, 10 dias. E se o Rogério tinha notícias. De todos os lados, de toda a gente. As suas fontes eram diversificadas e a sua escrita rigorosa. Um dia fomos ambos em reportagem ao Alentejo profundo, lá onde ainda não chegara o alcatrão, nem a luz, nem a água canalizada. Difícil, sabem, é o começo do texto que assinaríamos ambos. O Rogério virou-se para mim e disse-me: "escreve aí (eu escrevia à máquina mais depressa do que ele) ": “Naquelas terras cujo pó nem as sandálias do diabo conheceram…” - e eu, que era já aquiliano, virei-me para ele e disse: “De onde te vem isso?”. E ele respondeu: “Da cultura."
Ah, sim! Porque o Rogério era poeta. Em 1972 publicara ‘Livro de Visitas’, um livro de poesia com uma dedicatória arrepiante ao seu irmão morto na guerra colonial, em Angola: “Ao Anísio Manuel Rodrigues - vivo; pelo Anísio Manuel Rodrigues – morto”.

A morte não lhe era mais estranha do que a vida. O seu outro irmão, que ficara cego, morreria atropelado, em Lisboa. E ele, que estudara no seminário, em Macau, por mor de contos que não vêm ao caso, e que mais tarde se fizera à Filologia Românica, deu o salto para Paris, a fugir à tropa. Voltou quando um decreto permitiu que não fosse para a guerra quem fosse amparo de mãe, ou seja, tivesse já um irmão morto nas Forças Armadas.
Andou com Afonso Praça, da mesma terra do que ele – Torre de Moncorvo (o concelho, porque ele era de Peredo de Castelhanos) e com o Assis Pacheco. E com o Cardoso Pires e com tanta gente da cultura – da Graça Morais ao Herberto Hélder. Sempre sem fanfarra nem gabarolices. Caramba! Conheço-os todos graças ao Rogério e talvez por isso a Ana Sá Lopes lembrasse as palavras que eu, mais velho, lhe dissera quando, como estagiária, entrou em ‘O Jornal’: “Aqui somos todos rogeriodependentes!

Escreveu outros livros, o último dos quais de poemas, que assinou com o nome de Pedro Castelhano, em homenagem à sua terra, e me entregou para que eu o apresentasse. Fi-lo com gosto e recomendo-o: "(Re) Cantos d’Amar Morto".
Não! A morte não lhe era estranha. Ele aprendeu a morrer e, como Sócrates disse, quando tomou a cicuta, agora que chegou a hora de nos separarmos – ele para a morte e nós para continuar a vida – qual tem o melhor caminho? “Eis algo que só Deus sabe”.

Na mão de Deus / Na sua mão direita / Descansou afinal meu coração, escreveu o Antero, que era também o Rogério. “Os meus dias tiveram o pão duvidoso e a fome avara dos humildes”, escreveu o Rogério, que era também Antero.

Penso que nunca fez mal a ninguém, salvo a ele próprio. A mulher, a Arlete, médica de quase todos nós na Casa da Imprensa, os filhos Tiago e Diogo, eram a sua luz. Mas entre mim e ti, Rogério, havia sombras. O que nós dizíamos mal e gozávamos com tantos (e tantas) que andam por aí. Dizíamos mal até nos fartarmos e passarmos a dizer mal um do outro e depois mal cada um de si próprio. Qual psiquiatria, como tu dizias alto e bom som, com a tua voz inesquecível: “Eu não tenho problemas pessoais!”.

Um dia, no Grémio Lusitano, sede da Maçonaria, encontrámo-nos. Nem ele foi pela minha mão nem eu pela dele. Pura e simplesmente encontrámo-nos onde se podem encontrar homens bons. Crentes na humanidade (apesar de haver por lá muito quem não mereça); crentes na vida que supera a morte, porque como a semente morre para que nasça a árvore e o fruto, assim nos encontraremos no que chamamos Eterno Oriente. A última publicação em que estivemos juntos foi a da Maçonaria, a pedido do saudoso António Arnaut, que nos desafiou, com aquele ar dele sempre ingénuo: vocês é que podiam… e tal. E nós pudemos. E fizémos. Algumas vezes os dois sozinhos, porque outros tinham sempre muito que fazer e, por muito que nós tivéssemos também, sempre guardámos um espaço para o mistério do espírito, da vida e da morte.

Conheci-te, Rogério, nas tuas várias dimensões. Como diz o nosso ritual funerário, partiste um pouco antes de nós. Lá nos encontraremos, com aqueles que estivemos: o Nunes de Almeida, o Gabriel Viegas, o Luís Conceição, o Óscar Gois.

E com todos os camaradas de profissão – da nossa profissão a sério – que fomos perdendo e aqueles que hão de chegar, como eu, o Castanheira, o Garcia, o Adelino, a Fernanda, o Grego Esteves e todo o pessoal da ‘cozinha’ de ‘O Jornal’. E com o mundo todo, porque como dizia o Assis, a puta da vida é pior do que a puta da morte, mas não temos mais nada a que nos encostar. Talvez aí o Praça, que representou tão bem o papel de padre num filme, nos abençoe a todos e nos conduza ao pé do Antero e de ti; à mão direita de Deus.

Até já!”

 Três vezes Rogério Rodrigues” – por Henrique Monteiro, in Expresso online, 12 de Outubro de 2019 – com sublinhados nossos

 
J.M.M.

120 ANOS DE MAÇONARIA NO ALGARVE (1816-1936)


LIVRO: 120 Anos de Maçonaria no Algarve (1816-1936);
AUTOR: António Ventura;
EDIÇÃO: Sul, Sol e Sal, Setembro de 2019, 520 p.

Este último trabalho do professor António Ventura compreende e descreve - desde a instalação da 1ª Loja de pedreiros-livres no Algarve (Loja Filantropia, 1816) até um ano depois da promulgação da célebre Lei nº 1901 de 21 de Maio de 1935 (Lei José Cabral), que ilegalizou e dissolveu as “sociedades secretas” - a fundação, expansão e consolidação da Ordem Maçónica na região algarvia. Obra copiosa, publicação virtuosa e recenseadora das oficinas neste período, está ornamentada com breves biografias dos seus obreiros, acompanhada de competentes fotografias. Pena é que o livro não apresente um imprescindível Índice Analítico, para uma necessária e rápida consulta.

Neste trabalho (considerado pelo autor “em aberto”) é possível observar que estamos presentes um conjunto de simples e desconhecidos cidadãos que viveram, amaram e souberam engrandecer os locais que habitaram. E por isso, alguns encontram-se evocados na “toponímia ou equipamentos públicos locais” e deste modo “reconhecidas na sua terra”. Outros, como o curioso caso do advogado republicano Basílio Lopes Pereira (o Irmão Fernão Vasques), natural de Mortágua e combatente contra a Ditadura e o Estado Novo, abundantemente referenciado como instalador do triângulo nº 333 de Castro Marim (pp. 84-92), estiveram na região para instalar oficinas da Obediência ou em trabalhos profissionais esporádicos. Por fim, a obra dá-nos conta de um vasto e importante grupo de maçons que pertenceram a oficinas fora da região algarvia, de proveitosa consulta. 

   


“Este livro começou a ser esboçado há anos atrás, numa conversa com o Engenheiro Luís Guerreiro, que entusiasticamente acarinhou o projecto. Infelizmente as Parcas não o deixaram ver a sua concretização.

Creio que é desnecessário salientar a importância dos estudos regionais e locais no contexto dos estudos históricos. Tendo um objecto mais limitado, em termos geográficos e eventualmente cronológicos, possibilitam um aprofundamento que pode e deve contribuir para o melhor conhecimento da História em geral. No que concerne à História da Maçonaria, fazer incidir o seu estudo sobre uma localidade ou uma região permitirá reconstituir as estruturas, as biografias e a acção dos maçons nas comunidades onde estavam inseridos e, a partir daí, traçar uma perspectiva mais ampla e precisa da Maçonaria a nível nacional. Essa dimensão local, já a encontrámos nos estudos pioneiros de Cabral do Nascimento [“Os Pedreiros-Livres na Inquisição e Corografia Insulana”, Lisboa, Arquivo Histórico da madeira, 1959], Aníbal de Passos e Sousa [“Subsídios para o estudo do movimento maçónico em Elvas”, Arquivo Transtagano, 2º ano, nº16, 30 de Agosto de 1934; “Devassas em Elvas no ano de 1823. A Devassa à conspiração de Agosto”, idem, nº 19, 30 de Outubro de 1934] e António Loja [A Luta do poder contra a Maçonaria. Quatro perseguições no Século XVIII, INCM, 1986] para citarmos apenas os mais antigos.

Para essa reconstituição, é fundamental a investigação e o cruzamento da documentação existente nos arquivos distritais e noutros arquivos locais, públicos e privados, familiares, de instituições como câmaras municipais, misericórdias, associações sindicais, religiosas, políticas, desportivas, mutualistas, de bombeiros, de beneficência, recreativas e culturais. Partindo do levantamento das estruturas maçónicas locais, com elementos normalmente sintéticos, imprecisos e até equívocos, o grande desafio é completar o mais possível as informações biográficas com recurso não só às fontes documentais mas também à bibliografia local, com destaque para as numerosas monografias publicadas nos finais do século XIX e primeiras décadas do seguinte, e a imprensa periódica. Com uma dificuldade acrescida: na sua maior parte, os maçons eram pessoas comuns que não ficaram na História, estando por isso mesmo ausentes das enciclopédias e dos dicionários biográficos. Muitas vezes, as únicas informações que encontramos são pequenas notas necrológicas publicadas num obscuro semanário regional […]

[…] Este é um livro em aberto, aguardando o contributo dos leitores para que, no futuro, se possam completar os percursos de vida aqui plasmados. Muitas das figuras consideradas neste trabalho notabilizaram-se nos mais diversos campos da vida nacional e local, ou simplesmente porque foram consagradas na toponímia local; no entanto, tratam-se na sua grande maioria, de pessoas desconhecidas. É totalmente errada a ideia de que a Maçonaria era formada por pessoas muito importantes política, social e economicamente. Na sua maior parte, eram comerciantes, caixeiros, empregados, funcionários públicos, ferroviários, tipógrafos, militares, professores do ensino primário, industriais, assalariados de todo o tipo que tinham de ter, entre outras, uma condição indispensável para a admissão: saber ler e escrever. Note-se gue o analfabetismo em Portugal era de 73% em 1900 e de 69% em 1911... […]

[…] Uma justificação para o título deste livro e para as suas balizas cronológicas: 1816 é o ano de levantamento de colunas da primeira Loja maçónica no Algarve; 1936, um ano após a proibição da Maçonaria em Portugal, porque comprovámos a existência de actividade maçónica documentada da Loja Estrela do Sul, de Olhão e dos Triângulos de Tavira, Castro Marim, Portimão e Loulé.



A primeira Loja algarvia surgiu em Lagos, em 1816, seguindo-se outra em Faro em 1822. Porquê naquelas duas localidades? Porque Lagos era uma importante praça militar e Faro a sede do bispado. Ambas desaparecem em 1823. Só a partir de 1841 voltamos a encontrar actividade maçónica na região, muito esporadicamente e com escassas informações. De facto, se temos elementos sobre as duas primeiras Lojas, o mesmo não acontece as 11 seguintes, identificadas entre 1841 e 1860, em Faro, Tavira, Lagos e Vila Real de Santo António. Sobre elas pouco mais sabemos além do nome e da data provável de fundação. É uma época volátil, com a proliferação de Obediências, algumas de curta duração, cisões e fusões, e, acima de tudo, uma falta tremenda de documentos que nos permitam reconstituir quadros de membros e acção. Por isso, as informações sobre essas Lojas são limitadas e muito incompletas, ficando a aguardar que, no futuro, aparecimento de novos documentos permita preencher vazios que não dizem em respeito apenas às Lojas do Algarve ...

A situação altera-se a partir de 1869, com a fundação do Grande Oriente Lusitano Unido Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa (GOLU). Se bem que não sejam abundantes os documentos dos seus primeiros anos, existe um Boletim, publicado com regularidade a partir daquele ano, e alguns textos impressos e manuscritos, nomeadamente mapas com as Lojas, estatísticas sobre entradas e saídas. Tudo o que sabemos da Loja Democracia, de Faro, fundada em 1872 e que laborou até 1877,encontramo-lo no Boletim. Infelizmente, não se conhecem registos de admissões, para essa época; o assento sistemático e centralizado dessas informações só começou a ser feito a partir de 1892, embora alguns retroactivamente. Por outro lado, os arquivos das Lojas perderam-se na sua quase totalidade, foram destruídos deliberadamente por razões de segurança, por incúria, ou então jazem olvidados em algum sótão, à espera de serem descobertos e salvos, como sucedeu em Olhão...

Entre 1892 e 1914,os registos são relativamente completos e fiáveis. Com a cisão de 1914,que provocou a saída de diversas Lojas do Rito Escocês do GOLU, perde-se a informação sobre essas Lojas dissidentes. Alguns elementos foram recuperados em 1926, data do regresso da grande parte dessas estruturas ao Grande Oriente Lusitano Unido em vésperas do 28 de Maio. Depois desta data, mais precisamente após 1928, com o endurecimento da Ditadura Militar, as revoltas contra ela e a repressão que se abateu sobre os que a contestaram de armas na mão e não só, perturbaram a vida da Maçonaria, o que provocou novas falhas nos registos até 1935, data da sua proibição em Portugal.

No que respeita às Oficinas do Algarve - Lojas e Triângulos - os elementos informativos são fiáveis a partir de 1899, com a tentativa falhada de criação de um Triângulo em Portimão. Depois, a partir do grande surto de 1904-1905, segue-se um novo momento de crescimento com a proclamação da República. Existiram estruturas maçónicas nos concelhos de Albufeira. Castro Marim, Faro, Lagos, Lagoa, Olhão, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António. Foram instaladas Lojas em Faro, Lagos, Loulé, Olhão, Silves, Tavira, e Vila Real de Santo António bem como Triângulos em Albufeira, Paderne, Castro Marim, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Olhão, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Algoz, Pera, S. Bartolomeu de Messines, Tavira e Vila Real de Santo António. Todas estiveram ligadas ao Grande Oriente Lusitano Unido Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa, com uma deriva: os Triângulos de Silves, Pera, Portimão e Tavira aderiram à cisão de 1914. Abordamos cada uma dessa; estruturas por ordem alfabética e cronológica, com as informações que foi possível reunir, quanto a fundação e extinção, actividade e membros. Neste último caso, as dificuldades em recolher dados biográficos é manifesta por se tratarem, como já referi, na maior parte dos casos, de pessoas que não ficaram na História. O mesmo sucedeu com as fotografias, mais fáceis de encontrar quando se trata de militares do Exército e da Marinha, mas mesmo assim com algumas falhas.

Finalmente, incluímos uma relação de algarvios que pertenceram a Lojas ou Triângulos fora do Algarve, apresentados por ordem alfabética do concelho de naturalidade. Haveria ainda a considerar outras situações muito mais difíceis de detectar: maçons naturais de outras regiões do país que se fixaram no Algarve, onde viveram e trabalharam. Um caso exemplar é o do Dr. Arnaldo Cardoso Vilhena (1907-1968), médico em Faro, onde deixou marca profunda como clínico e homem de cultura, consagrado na toponímia local. Pertenceu à Loja A Revolta, de Coimbra, onde ingressou em 15 de Janeiro de 1928, enquanto estudante de Medicina, com o nome simbólico de «Cristo».

Esperemos que este livro possa contribuir para o melhor conhecimento do Algarve e da sua História na época contemporânea"

[António Ventura, in Introdução ao livro, pp. 11-15]


J.M.M.
 
 

 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

[EXPOSIÇÃO] CENTENÁRIO DO JORNAL “A BATALHA”



Centenário do jornal “A Batalha”

DIA: 9 de Outubro de 2019 (17,00 horas) a 27 de Dezembro de 2019;

LOCAL: Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal (Campo Grande, 83, Lisboa);

ORGANIZAÇÃO: Jornal A Batalha.

PROGRAMA do dia 9 de Outubro

17,00 horas – Inauguração da Exposição;

18,00 horas – Lançamento da obra  [reedição] de Jacinto Baptista, “Surgindo vem ao longe a nova Aurora... Para a história do diário sindicalista A Batalha / 1919-1927" (1ª ed., Lisboa, Livraria Bertrand, 1977, 214 p.)

Apresentação do Prof. António Ventura

► “No âmbito das comemorações do centenário do jornal A Batalha, inaugura no próximo dia 9 de Outubro uma exposição na Biblioteca Nacional, com curadoria de António Baião (CEPS), António Cândido Franco (UÉvora) e João Freire (ISCTE-IUL), patente até ao dia 27 de Dezembro.

Através de material em boa medida inédito ou inacessível, esta exposição dará conta de uma história rica em acontecimentos e transformações, desde o período em que o jornal foi órgão da Confederação Geral do Trabalho e principal voz do anarco-sindicalismo em Portugal (1919-1927) até ao ressurgimento no pós-25 de Abril e ao momento presente, em que, renovado, se assume como «jornal de expressão anarquista».

Ocorre também este ano a efeméride dos 45 anos de criação da revista A Ideia, recordando-se aqui igualmente a sua trajetória, desde Paris, em abril de 1974, até ao atual n.º 84/85/86 como «revista de cultura libertária».

A inauguração terá lugar a partir das 17h00 no Auditório da Biblioteca Nacional, com entrada livre, seguindo-se, às 18h00, a apresentação da reedição de "Surgindo vem ao longe a nova Aurora...", uma história dos primeiros anos deste jornal da autoria de Jacinto Baptista, uma edição conjunta entre a Letra Livre e A Batalha.

Esperamos por ti! Saudações libertárias”

VER O PROGRAMA AQUI

J.M.M.