quarta-feira, 27 de julho de 2011

HENRY T. GAGE E A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA EM PORTUGAL


No âmbito das nossas deambulações e pesquisas acerca da implantação da República e do período da República em Portugal deparamo-nos com a importância que tiveram os ecos da revolução republicana em vários países, especialmente os europeus França, Inglaterra, Alemanha, Bélgica, Itália, mas também os americanos acompanharam com detalhe o evoluir da situação.

O Ministro dos Estados Unidos em Portugal na época da implantação da República era Henry Tift Gage, que permaneceu somente cerca de cinco meses no nosso País, mas acompanhou, com informações regulares, sobre a evolução política.

Encontramos, entre vários telegramas e cartas da correspondência diplomática americana, este texto que nos parece um relato esclarecedor sobre a situação que se viveu em Portugal.

Um interessante conjunto de documentos que permitem acompanhar a percepção que os americanos tinham da realidade política portuguesa até à década de 50 do século XX.

A.A.B.M.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

JOÃO NINGUÉM, SOLDADO DA GRANDE GUERRA: IMPRESSÕES HUMORÍSTICAS DO C.E.P. [1921]


João Ninguém: soldado da Grande Guerra: impressões humorísticas do C.E.P.

"Em 22 de Julho de 1916 concretizou-se o milagre de Tancos. Em tempo record, o ministro da Guerra, Norton de Matos, reúne, organiza e prepara um contingente de 30 000 homens para a participação de Portugal na Primeira Grande Guerra. Em Janeiro do ano seguinte dá-se início ao embarque das tropas. Após a derrota na batalha de La Lys, em 9 de Abril de 1918, esta foi para muitos uma viagem sem regresso.

'Que nome poderei eu dar aos simpáticos soldadinhos, àqueles trigueiraços que das oito províncias de Portugal acorreram de mochila às costas, sem faltar ao embarque para honra dos seus batalhões? Nem «serrano», nem «lanzudo», nem «gambúzio», nem «folgadinho». Baptizá-lo hei, muito simplesmente, com o nome de «João Ninguem», incarnando assim, nesta modesta alcunha, aquele português que nas horas difíceis tudo faz para maior glória da Pátria e a quem muitos esqueceram, chegada a hora dos benefícios e compensações'

É desta forma que o capitão Menezes Ferreira (1889-1936), autor dos textos e desenhos que disponibilizamos aqui, com data provável de edição em 1921, nos introduz o protagonista desta história. Mais do que a coragem e a bravura, este autêntico diário da presença portuguesa na Guerra retrata, de uma forma bem humorada, a ingenuidade e a impreparação destes conterrâneos arrancados bruscamente à pacatez da vida civil, a falta de recursos, a fome, o frio, o cansaço, mas também o confronto com outras culturas europeias presentes na Flandres.

O exemplar pertence à colecção de Emílio Ricon Peres, a quem agradecemos a possibilidade de realização desta cópia digital"

via Hemeroteca Municipal de Lisboa

J.M.M.

FUNERAL DE GUERRA JUNQUEIRO

O Luto da Humanidade - Funeraes do Grande Poeta Guerra Junqueiro from Cinemateca Portuguesa on Vimeo.



J.M.M.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A REUNIÃO REVOLUCIONÁRIA DA RUA DA ESPERANÇA Nº106, LISBOA



3 de Outubro de 1910 - Residência da mãe do membro do Directório Inocêncio Camacho [Rua da Esperança, 106 (actual nº16), 3.º andar, Santos-o-Velho, Lisboa] onde se reuniram para a última reunião os revolucionários militares e civis do movimento de 5 de Outubro de 1910.

"Às 8 horas da noite de 3 de Outubro, José Relvas dirigiu-se, com cerca de meia centena de revolucionários militares e civis, para a casa da mãe de Inocêncio Camacho, situada na Rua da Esperança, 106, 3.º andar. Nessa reunião determinante, foi tomada a decisão de dar início à Revolução à 1 hora da madrugada de 4 de Outubro. Cândido dos Reis terá afirmado: A Revolução ou se faz esta noite ou não se faz" [testemunho de José Relvas]

"Às 8,30 horas estavam no segundo andar da casa da Rua da Esperança, reunidos numa pequena sala, os chefes civis e militares. Só Afonso Costa se sentara numa poltrona, ao canto da casa, na sombra. Todos estavam de pé, projectando-se os primeiros círculos de luz mais intensa do candeeiro de suspensão em Cândido dos Reis e nos oficiais (…). O Directório, que estava representado por mim e Inocêncio Camacho, José Barbosa, Cupertino Ribeiro e Eusébio Leão, aguardava silencioso as palavras decisivas dos oficiais revolucionários..." [Fonte: Machado Santos, A Revolução Portuguesa 1907-1910]

ALGUNS revolucionários presentes:

Afonso Costa, almirante Cândido dos Reis, João Chagas, José Relvas, 1º tenente Ladislau Parreira, 2º tenente Carlos da Maia, 2º tenente Sousa Dias, 2º tenente Tito de Morais; os revolucionários civis, Joaquim Pessoa (dono da casa de Banhos de S. Paulo – Travessa do Carvalho, 21 -, local escolhido como quartel general e onde hoje está instalada a Ordem dos Arquitectos), Manuel Duarte (lavrador de Alpiarça; industrial de panificação?), dr. Ricardo Durão (republicano de Alpiarça), António José de Almeida, Brito Camacho; os membros do Directório, Inocêncio Camacho, José Barbosa, Eusébio Leão; os militares, José Afonso Pala (capitão de Artilharia 1), Sá Cardoso (capitão de artilharia), general Encarnação Ribeiro, capitão Tomás Sousa Rosa (Cavalaria 2); os tenentes de Caçadores 5, Hélder Ribeiro, Álvaro Poppe, Américo Olavo, Carvalhal Correia Henriques; alferes Gomes da Silva (Caçadores 5); Ascenção Valdez (Infantaria 5) e Pinto Garcia; Nunes de Carvalho (Cavalaria 4); os oficiais da Armada, Silva Araújo, Assis Ferreira, Monteiro Guimarães e Carvalho Araújo; o médico naval [Alexandre José Botelho de] Vasconcelos e Sá; os revolucionários civis, o professor Simões Raposo (da Comissão de Resistência da Maçonaria), António Ferrão, Soares Guedes (comerciante).

Fontes: "Relatórios sobre a Revolução de 5 de Outubro", pref. e notas de Carlos Ferrão, C.M.L., 1978, pp-20-21; ou História da República, por Raul Rego, vol II, p.129.

FOTOS via Lisboa S.O.S.

J.M.M.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

JORNAL REPÚBLICA - CARTA DE CARVALHÃO DUARTE


CARTA DACTILOGRAFADA assinada pelo antigo Director do jornal REPÚBLICA, Carvalhão Duarte

[Jaime Carvalhão Duarte (1897-1972) nasceu em Castelo Branco, onde fez os seus estudos, seguindo a carreira docente no ensino primário até à sua aposentação (14 de Maio de 1935) compulsiva pela Ditadura, via o conhecido Decreto-Lei nº25 317 de 13 de Janeiro de 1935 em que se demitiam todos os funcionários que revelassem "espírito de oposição aos princípios fundamentais da Constituição Política" (na altura Carvalhão Duarte é preso); foi um pedagogo (dirigiu as revistas O Professor Primário e a Escola Nova) e um associativista convicto, participando na organização sindical do professorado (como a União do Professorado Primário ou a Associação dos Professores de Portugalcf. Dicionário de Educadores Portugueses, dir. António Nóvoa, p.508) até á sua demissão; foi jornalista do jornal República, onde entra como colaborador em 1930, tendo assumido funções de Director do jornal em 1941 (sucedendo a Ribeiro de Carvalho), até á sua morte a 21 de Agosto de 1972; republicano e declarado opositor da Ditadura, foi iniciado na maçonaria (A.H.O.M., in Dicionário de Maçonaria Portuguesa) em 1931 na loja Acácia (nº105, do RF, criada em Lisboa em 1908 e que só abateu colunas depois de 1952), com o n.s. de Rabi]

e datada de Lisboa, 1 de Agosto de 1957:

"... No dia 5 do próximo mês de Outubro passa mais um aniversário da Gloriosa revolução republicana de 1910... Numa época em que os monárquicos tão intensamente se movimentam, redobrado motivo temos para festejar a data da implantação da República em Portugal ..."

FOTO (clicar para aumentar): via Livraria d'Outro Tempo

J.M.M.

terça-feira, 19 de julho de 2011

O ALGARVE: SEMANARIO INDEPENDENTE NA HEMEROTECA DIGITAL


Continuando no excelente serviço de disponibilização de colecções de jornais que fazem parte do seu acervo, a Hemeroteca Digital colocou acessível online a colecção de O Algarve, jornal independente que se começou a publicar em Faro, há mais de um século e que ainda hoje continua em publicação.

Pode ler-se na síntese sobre o jornal agora disponibilizado:

No mês em que muitos portugueses rumam a Sul, prestamos homenagem a O Algarve, um caso notável de longevidade na imprensa regionalista nacional, ainda hoje em publicação.

Começou a publicar-se em 29 de Março de 1908. Foi dirigido por Artur Águedo, até Abril de 1917, data em que foi substituído por Luís Mascarenhas, com o estatuto de director-editor. Após a morte deste, em Fevereiro de 1920, o lugar foi ocupado por Ferreira da Silva, administrador gerente do jornal desde a sua fundação. Tinha a sua sede em Faro e era distribuído aos Domingos.

Semanário independente, como se auto-intitulava, apresentava-se no editorial do primeiro número como "mais um humilde combatente n'este pelejar do interesse público, em que se debatem tantos campeões", e tinha nos algarvios o seu público alvo. Aliás, era prioritariamente em torno do Algarve que pretendia fazer incidir os seus conteúdos, de carácter eminentemente regionalista, sem no entanto perder de vista assuntos de âmbito mais alargado: "Pelo Algarve e seus interesses principaes é a nossa divisa!"

Assume a promessa de "desenraizamento partidário", fruto do desalento face a um sistema político cujas "bandeiras já não se desfraldam sobre o sopro quente e fervoroso do sentimento patriótico, e antes para ahi se enrodilham empanadas de egoísmos, peçonhentas de rancores".

Ficam por agora disponíveis, aqui, os anos de 1908 a 1932, sendo que os anos seguintes podem ser consultados, em suporte papel, na Hemeroteca Municipal de Lisboa.


A colecção digitalizada pode ser consultada AQUI. Um magnifico serviço prestado à comunidade pela Hemeroteca de Lisboa, colocando em livre acesso uma colecção que permite acompanhar a discussão sobre o desenvolvimento do Turismo na região, as actividades da época estival, os divertimentos como os casinos, os jogos, o teatro amador, os primeiros cinemas, entre muitos temas agora possíveis de investigar. Uma iniciativa a todos os títulos louvável, pois é uma colecção ainda longa, permte também acompanhar o final da Monarquia, toda a República e a Ditadura Militar com todas as transformações que foram acontecendo ao longo do tempo.

Os jornal que se publica actualmente pode ser consultado AQUI.
A.A.B.M.

ANÁLISE SOCIAL Nº198



Foi recentemente apresentada a revista Análise Social, nº198, respeitante ao primeiro trimestre de 2011, vol. XLVI, publicada pelo Instituto de Ciências Sociais e dirigida por João de Pina Cabral e que conta com o seguinte sumário, que de seguida apresentamos:

- Ana Novais, Profit, rent, patrimony, and risk on the large landed estates in Southern Portugal toward the end of the nineteenth century
- Susana Chalante, O discurso do Estado salazarista perante o “indesejável” (1933-1939)
- João Fábio Bertonha, Plínio Salgado, o integralismo brasileiro e as suas relações com Portugal (1932-1975)
- Júlia Carolino e Teresa Pinto-Correia, Paisagem material, paisagem simbólica e identidade no concelho de Castelo de Vide
- Gonçalo Pereira Rosa, O “arrastão” de Carcavelos como onda noticiosa

Estudos e Notas
- Paulo Cunha, A emissão de cinema português na televisão pública (1957-1974)
- Celso Vitelli, Representações das masculinidades hegemónicas e subalternas no cinema

Livros
- Leonor Sampaio da Silva, Maria Filomena Mónica, Os Cantos. A Tragédia de Uma Família Açoriana
- Luís Salgado de Matos, Jacqueline Lalouette, Jours de fête. Jour fériés et fêtes légales dans la France contemporaine
- José Mapril, Ruth Mandel, Cosmopolitan Anxieties: Turkish Challenges to Citizenship and Belonging in Germany
- Leonardo Dutra, Paul Collier, Os Milhões da Pobreza: Por Que Motivo os Países mais Carenciados do Mundo Estão a Ficar cada vez mais Pobres?
- Ricardo Campos, Vítor Sérgio Ferreira, Marcas Que Demarcam. Tatuagens, Body Piercing e Culturas Juvenis
- Maria Eliza de Campos Souza, José Subtil, Dicionário dos Desembargadores: 1640-1834

Sugere-se também uma visita à página online da revista, onde se podem consultar números anteriores da mesma, os artigos e os autores que nela colaboraram ao longo de várias décadas. É actualmente umas revistas de referência no âmbito das Ciências Sociais em Portugal e pode ser consultada AQUI.

Um espaço a visitar regularmente.
A.A.B.M.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

REVISTA PRAÇA VELHA


Foi apresentada há alguns dias na cidade da Guarda, o nº 29, da Praça Velha. Revista Cultural da Guarda, respeitante a Junho de 2011.

A revista conta com o seguinte sumário que de seguida apresentamos:
- Adriano Vasco Rodrigues, O Liceu Afonso de Albuquerque, p. 11-30;
- Aires Antunes Rodrigues, Escola Técnica, Comercial e Industrial da Guarda, p. 33-60;
- Alexandre Costa Luís/Carla Sofia Luís, Escola e Portugalidade, p. 63-69;
- Amílcar Martins Escudeiro, Natureza e Tradições da Academia da Guarda, p. 73-108;
- Cameira Serra/Henrique Martins, A Praxe Académica, na Guarda, no final dos anos 60, p. 111-124;
- Hermínio Ramos Ferraz, Episódios das Tradições Académicas, p. 127-140;
- Jesué Pinharanda Gomes, O Primeiro Colégio de Nossa Senhora de Lourdes (1904-1910), p. 143- 187;
- Maria Antonieta Garcia, Factos, Figuras e Figurinhas, p. 191-212;
- Balada do Neves e Balada dos chumbos, p. 215-218;

Na secção Património e História, podem encontrar-se os seguintes artigos:
- Alcina Cameijo/Vitor Pereira, A Necrópole do Largo das Freiras (Sé, Guarda). Notícia Preliminar, p. 223-232;
- Carlos d'Abreu/Emílio Rivas Calvo, Secuestro del Transatlântico Santa Maria, p. 235-258;
- Célio Rolinho Pires, As Pedras de Escorregar, p. 261-276;
- José d' Encarnação, As Placas Epigrafadas da Igreja da Misericórdia, na Guarda, p. 279-292;
- Prémio Literário Manuel António Pina: João Rasteiro, Intervenção, p. 297-300;
- Portfólio, p. 303-307;

Secção Grande Entrevista:
- António José Teixeira entrevista Fernando Pires Monteiro, p. 311-328;

Secção Contos:
- João Esteves Pinto, Antes da Noite, p. 333-339;
- José Ferraz Alçada, Quarenta e quatro mais um/A pequena povoação do Lioma/ O Homem que comia pássaros vivos, p. 343-345;

Recensões Críticas:
- Agostinho Silva, CEI,Conhecimento, Cultura, Cooperação - Dez Anos Depois, p. 365-366;
- Alípio de Melo, A Aventura Maçónica, p. 367-368;
- António Cunha, República - Luz e Sombra, p. 369-371;
- Carla Sofia Luís/Alexandre Costa Luís, José Inês Louro: a Vida, a Obra e a memória do Médico Filólogo, p. 373-377;
- Cristóvão de Aguiar, Anamnese, p. 379-384;
- João Bigotte Chorão, O Cisne submerso, p. 385-386;
- Joaquim Brigas, Iberografias 16, p. 387-393;
- Joaquim Brigas, Dizeres e Saberes, p. 395-397;
- José Carlos Alexandre, Altitude, p. 399-401;
- José Grilo dos Santos, Carolina Beatriz Angelo, p. 403-406;
- José Luís Lima Garcia, De Cabinda ao Namibe: Memórias de Angola, p. 407-421;
- José Manuel Monteiro, Espuma dos Dias Úteis, p. 423-425;
- Manuel Sabino Perestrelo, Iberografias 6, p. 427-432;
- Maria Antonieta Garcia, As Judiarias de Portugal, p. 433-435;
- Norberto Gonçalves, Fio da Memória 90 a 94, p. 437-441;
- Súmula de Actividades, p. 445-450.

Uma revista da Câmara Municipal da Guarda, dirigida por Virgílio Bento e Coordenada por Alexandra Isidro que mantém a sua periodicidade semestral e uma linha editorial dedicada aos temas locais, da História, Arqueologia, Património, Cultura e Bibliografia, que merece a melhor atenção de todos os naturais da região e interessados pela sua terra.

A.A.B.M.

AS INCURSÕES DE PAIVA COUCEIRO EM 1911

Incursões Monárquicas from Cinemateca Portuguesa on Vimeo.


Há cem anos atrás, Portugal vivia já um clima de instabilidade.
Henrique Mitchell de Paiva Couceiro, heroi das campanhas de África e um dos mais resistentes combatentes monárquicos aquando da implantação da República refugiou-se na Galiza e com os seus seguidores invadiu o Norte de Portugal, sobre tudo a região de Chaves, Vinhais e arredores, onde se registaram alguns combates.

As tropas fiéis ao regime republicano, em especial a Marinha, bem como os Batalhões de Voluntários da República, muitos deles constituídos por carbonários, deslocaram-se para o Norte do país para impedir o avanço de Paiva Couceiro.

O filme dos acontecimentos foi agora disponibilizada, depois do apoio prestado pela Comissão para as Comemorações do Centenário da República para restaurar a película que pode ser consultada AQUI.

A.A.B.M.

domingo, 17 de julho de 2011

A OBRA SOCIAL DA REPÚBLICA - POR ALFREDO PIMENTA



Conferência [extracto]: "A Obra Social da República":
Orador: Alfredo Pimenta;
Data: 23 de Novembro de 1910

FOTO: Semanário "Alvorada", de 27 de Novembro de 1910 - via Memórias de Araduca [clicar para ler]

Conferência republicana proferida por Alfredo Pimenta na Associação dos Empregados do Comércio de Guimarães e publicada no nº1 do semanario republicano Alvorada

[o periódico "Alvorada" nasce a 1 de Junho de 1907 e acabará (ao que se julga) no seu nº4, de Junho do mesmo ano; segue-se o (ainda) semanário com o mesmo título e o mesmo director (e proprietário), António Lopes de Carvalho; Editor: dr. Alberto Rodrigues; impresso na Tipografia Minerva Vimaranense e redacção na rua da República, 154; com duas séries, este semanário de esquerda republicana, publica-se de 27 de Novembro de 1910 a 9 de Setembro de 1921 (cf. A.H.O.M.); teve como redactores e colaboradores: capitão Luís Augusto de Pina Guimarâes, A. L. de Carvalho, dr. Francisco Moreira Sampaio, dr. Florêncio Lobo, Carlos Torres, ... - ver Revista de Guimarães, 1940]

J.M.M.

sábado, 16 de julho de 2011

ALGUMAS HORAS NA MINHA LIVRARIA



LIVRO: Algumas Horas na Minha Livraria. Artigos, Notas e Apontamentos coligidos por...
AUTOR: Francisco Augusto Martins de Carvalho;
EDITORA: Imprensa Academica (Coimbra), 1910, 277 p.

"Reunião de textos vários colhidos por Francisco Martins de Carvalho [dedicado à Memória do seu saudoso pai Joaquim Martins de Carvalho fundador e redactor do "Conimbricense"], ora do jornal Conimbricense, de que [seu pai] Joaquim Martins de Carvalho [com retrato do insigne jornalista do Conimbricense] foi fundador e redactor, ora de margens e folhas soltas deixadas por este dentro nos livros da sua vasta biblioteca.

Os assuntos são múltiplos e de múltiplo interesse erudito, da História à literatura, da biografia à política, da Inquisição à Maçonaria, dos jesuítas à Carbonária [Lusitana] ... Autores variados, como José Agostinho de Macedo, Almeida Garrett, frei Bartolomeu dos Mártires, o cavaleiro de Oliveira, Camilo, Manuel Fernandes Tomás, Herculano e outros [jornalismo republicano, centenario do marquez de Pombal, tricentenario de Camões, Joaquim António de Aguiar, etc.], são aqui submetidos à apreciação de um seu leitor atento e raciocinante"

via Livraria Frenesi

J.M.M.

domingo, 10 de julho de 2011

GOMES DE CARVALHO


O conhecido editor Gomes de Carvalho, nasceu em Braga, em 6 de Março de 1867, com o nome completo de Francisco José Gomes de Carvalho. Abandona a escola aos 12 anos para começar a trabalhar. Primeiro, como marçano, na antiga livraria de Ernesto Chardron, no Porto. Trabalhou depois para outras livrarias até se estabelecer em Lisboa.

Nesta cidade exerceu profissionalmente na Livraria Tavares Cardoso & Irmão, que era uma das livrarias mais frequentadas na época, e onde se publicaram edições de grande êxito. Mais tarde passou para a Livraria Central, situada na Rua da Prata, que adquiriu e onde publicou obras de autores já consagrados, mas também lançou algumas figuras novas no panorama literário português. O antigo livreiro Gomes de Carvalho, cuja vida de editor foi iniciada com Os Gatos.

Foi também um dos responsáveis pela introdução de autores estrangeiros, na época pouco conhecidos, mas que depois o tempo se encarregou de divulgar, como Tolstoi, Kropotkine, Dostoiewsky, Wells, Claude Farrére, entre muitos outros.

Dias antes do 28 de Janeiro de 1908, apareceu nas livrarias um livro com o título de O Marquês da Bacalhoa, que, como sabemos, provocou um enorme escândalo. O autor era D. António de Albuquerque do Alardo do Amaral Cardoso, filho do senhor da Casa dos Arcos, em Viseu, aquilo que se podia designar como um fidalgo anarquista. Fazia, segundo se conta, os seus incitamentos à destruição da sociedade, comendo lautas refeições regadas a champanhe. O editor da obra, segundo algumas opiniões, foi Gomes de Carvalho. Este era maçon, republicano, segundo afirma Aquilino Ribeiro em Um Escritor Confessa-se , e viu na publicação do livro uma forma de desacreditar ainda mais a fragilizada instituição monárquica, pois António de Albuquerque criticava fortemente no livro a rainha D. Amélia, romanceando o suicídio de Mousinho de Albuquerque, seu primo, e dando como motivo para esse acto os amores adúlteros do militar com a rainha. Entretanto, a «questão dos adiantamentos à Casa Real» continuava a ser motivo da especulação jornalística.

Anos mais tarde transfere a livraria para a Avenida Almirante Reis e salientam-se desse período as edições de Gomes Leal, Mulher de Luto; Afonso Gaio, Heróis Modernos; Albino Forjaz de Sampaio, Sol de Jordão; Alfredo Gallis, Tuberculose Social; Alberto Bessa, Rocha Martins, João Chagas, Faustino da Fonseca, Heliodoro Salgado, Bourbon e Meneses, César de Frias, Henrique Marques, entre muitos outros.

Participou de forma activa e empenhada nos movimentos que conduziram ao 5 de Outubro de 1910, sendo referida a sua acção no relatório de Machado Santos.
Presidiu por algum tempo à direcção da Escola Republicana 27 de Abril e à Liga dos Direitos do Homem.

Após a implantação da República foi nomeado primeiro-oficial da Junta Geral do Distrito de Lisboa, desde 1914 até 1937, data em que se aposentou.

Utilizou o pseudónimo de Malthus.

Segundo os dados da GEPB, morreu em Lisboa a 24 de Dezembro de 1952, mas numa pesquisa rápida realizada na imprensa da época não se encontram referências, o que nos parece algo estranho e que merece a devida confirmação.

Publicou os seguintes livros:
- Verdade e Justiça;
- Morte Civil;

Colaborou nos In Memoriam de:
- Fialho de Almeida;
- Teófilo Braga;
- Delfim Guimarães;
- João Pedro Monteiro;
- Magalhães Lima;

Na Imprensa conhecem-se colaborações nos seguintes periódicos:
- Jornal de Viseu;
- Vanguarda, Dir. Pedro Muralha;
- Intransigente, Lisboa, Dir. Machado Santos;
- Jornal do Comércio, Lisboa;
- Luta, Lisboa, Dir. Brito Camacho;

De acordo com Armando Ribeiro, Gomes de Carvalho era descrito da seguinte forma:
Era um homem baixo, pálido, de fala demorada e mansa, e ar de quem não quebra um prato e que tem na vida a preocupação única de fazer bem o seu negócio. Pois este livreiro, calmo e meticuloso, tem lá dentro uma alma que é preciso olhar com respeito. Foi um organizador incansável, correu várias terras da província fundando núcleos revolucionários, e desde o dia em que lhe falei até à hora de perigo, teve sempre o ar de quem arrisca a vida como se estivesse na loja a vender um livro. Juntos com ele, como sub-chefe, estavam António Ferreira e Delgado de Assis, seus companheiros . [Armando Ribeiro, A Revolução Portuguesa. Em Plena Revolução, vol. II, João Romano Torres, Lisboa, 1915, p. 105. Cf. A Capital de 16 de Outubro de 1910.]

Gomes de Carvalho foi um dos fundadores do Centro Republicano Radical em 1911 [Ernesto Castro Leal, Partidos e Programas Políticos: o campo partidário português 1910-1926, Imprensa da Universidade, Coimbra, 2009]

Foi um dos envolvidos na revolta radical de 27 de Abril de 1913, tendo sido detido, defendia já nessa época uma profunda alteração ao funcionamento do jovem regime republicano.

Uma personalidade pouco conhecida na sua vertente política, embora bastante conhecida enquanto editor até meados do século XX, que o Almanaque Republicano recupera do esquecimento a que foi votado.

A.A.B.M.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

OUTUBRO: A REVOLUÇÃO REPUBLICANA EM PORTUGAL (1910-1926)


Realiza-se hoje, 8 de Julho de 2011, pelas 18.30, na Livraria Almedina Atrium Saldanha, em Lisboa, a obra organizada por Luciano Amaral, intitulada OUTUBRO: A REVOLUÇÃO REPUBLICANA EM PORTUGAL (1910-1926).

Vai apresentar a obra, que resulta de um conjunto de trabalhos, realizados por vários investigadores, estruturada da seguinte forma:

1.Introdução: Que fazer com a Primeira República?
2.Fernando Martins, O 5 de Outubro: Anatomia e significado de uma revolução
3.António de Araújo e Luís Bigotte Chorão, Política e direito nos alvores da Primeira República portuguesa
4.Bruno Cardoso Reis e Sérgio Ribeiro Pinto, República e religião, ou a procura de uma separação
5.Pedro Aires Oliveira, A República e a guerra, 1914–1918
6.Filipe Ribeiro de Meneses, Sidónio Pais e o sidonismo
7.Álvaro Ferreira da Silva e Luciano Amaral, A economia portuguesa na Primeira República
8.Bruno Cardoso Reis, Da nova república velha ao Estado Novo (1919–1930): A procura de um governo nacional de Afonso Costa a Salazar
9.Notas
10.Notas biográficas

A sessão contará com a presença dos autores e a obra será apresentada por Miguel Morgado.

LUCIANO AMARAL o organizador da obra, é licenciado em História e mestre em História Contemporânea pela FCSH (UNL), Doutorado em História e Civilização pelo Instituto Universitário Europeu de Florença, Professor auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Tem-se dedicado sobretudo à história económica contemporânea de Portugal, com particular atenção ao problema do crescimento económico.

Pode ler-se na sinopse da obra agora a apresentar:
A I República foi uma espécie de regime da ala esquerda da monarquia constitucional. Assumindo a quebra com o símbolo monárquico, pouco trouxe de novo ao programa progressista da monarquia. A grande diferença consistiu no facto de os mecanismos eleitorais (dominados pela fraude nos dois casos) terem sido capturados por um só partido, impossibilitando um pluralismo eficaz. A República foi, por isso, um regime estranho, simultaneamente "avançado" e "retrógrado": uma república no mar das monarquias europeias, nunca conseguiu incorporar as mais "avançadas" tendências da época, como o sufrágio universal. No final, dela sobraram sobretudo os símbolos da soberania nacional: a forma republicana de todos os regimes desde 1910, o hino e a bandeira, para além da moeda, o escudo, cujo desaparecimento em 1999 marcou, precisamente, o fim da soberania monetária do país. A sobrevivência destes símbolos revela a corrente republicana que percorre o conjunto da experiência política contemporânea portuguesa.

Um evento a acompanhar com toda a atenção.
A.A.B.M.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE GIUSEPPE GARIBALDI



Giuseppe Garibaldi [n. 4 de Julho de 1807] foi uma das personagens mais notáveis, complexas [a sua bibliografia é copiosa, por vezes contraditória] e marcantes do século XIX. Nascido em Nice [ou Nizza], este marinheiro (e capitão mercador ou "capitão do mar") idealista e sonhador italiano, que lutou pela unificação (e republicanização) de Itália, na sua epopeia, quase lendária, atravessou continentes [daí a alcunha de "herói de dois mundos"], deixando um enorme lastro de fraternidade, respeito (e temor, da parte dos seus inimigos). Republicano, maçon e carbonário, Giuseppe Garibaldi participa em várias conspirações e revoltas, tornando-se uma das maiores figuras da unificação italiana e um herói da luta contra a tirania e a intolerância.

Garibaldi, então na Rússia (1833), conhece o carbonário Giovanni Cuneo, entrando em contacto com a sociedade secreta "Jovem Itália", fundada pelo revolucionário místico e republicano Giuseppe Mazzini [nacionalista italiano, dirigente da Carbonária e do movimento clandestino "Jovem Itália", fundada em 1831 em Marselha, e um dos "santos patronos" do Risorgimento Italiano, onde figuram também Giuseppi Verdi e o próprio Giuseppi Garibaldi – sobre o pensamento de Mazzini veja-se o seu livro "Doveri dell’uomo"; diga-se que o "Manifesto" republicano da "Jovem Itália", lançado por Mazzini, foi rapidamente difundido em vários países, entre os quais o Brasil - via o periódico "O Povo", Rio de Janeiro -, na Argentina ou o Uruguai], aderindo aos seus princípios [faz parte, com Cavour e Mazzini, da sua direcção] e ao sonho da unificação da península e, por isso, em 1835 toma parte da tentativa fracassada da conquista de Nápoles.

Após a sentença de condenação à morte pela corte genovesa parte para o exílio. Chega, depois de passagem por Marselha e a Tunísia, ao Brasil [finais de 1835? Janeiro 1936? – ver MAIS AQUI], integrando-se na rede local de jovens exilados mazzinianos da "Jovem Itália", maçons e carbonários, como Luigi Rossetti, Tito Livio Zambeccari, Giuseppe Stefano Grondona, Cuneo, Pietro Gaggini, Giacomo Picasso ou Luigi Carniglia, trabalhando e "navegando como comerciante", evidentemente com o apoio dos "Bons Primos".

Giuseppe Garibaldi era membro da maçonaria

[as fontes sobre a sua iniciação e percurso maçónico são algo contraditórias: segundo alguns foi iniciado em Itália, filiando-se depois (1837) na loja irregular "Asilo (ou Refúgio) da Virtude", do Rio de Janeiro; outros defendem que teria sido iniciado numa loja do Rio Grande do Sul, com o mesmo nome da loja do Rio de Janeiro (a loja "Asilo da Virtude", do Rio Grande do Sul, é fundada em 1833 e regularizada em 1840); outros, ainda, consideram que foi iniciado (1844) em Montevideu, na loja "Asilo de la Virtud", loja irregular criada por norte-americanos exilados, sendo depois regularizado (18 de Agosto de 1844) na loja francesa "Les Amies de la Patrie" (fundada em 1827, loja de RF, regularizada pelo GODF em 1844 e depois integrada no Grande Oriente do Uruguai); em 1850, está filiado na loja "Tompkins" (nº 471 de Stepleton, New York); improvável será o seu putativo contacto oficial (ou reconhecimento) com a maçonaria da UGLE, dado a sua matriz conservadora – sobre este(s) assunto(s) ver AQUI ou AQUI. Em Março de 1862, surge como Soberano Grande Comendador do REAA do Grande Oriente de Palermo e depois, pela unificação dos três Orientes existentes em Itália (Nápoles, Turim e Palermo), é nomeado Grão-Mestre do Grande Oriente de Itália (na reunião de Florença, dos dias 21 a 24 de Maio de 1864). Em 1872 é nomeado Grão Mestre Honorário "Ad Vitam" do Grande Oriente de Itália. Em 1877 a Loja "Garibaldi" de Buenos Aires nomeia-o Venerável Mestre "Ad Vitam"]

e, na sequência [1837-1840] da sua participação na Revolução Farroupilha do Rio Grande do Sul [iniciada em 1835 - ver MAIS AQUI] - levado a cabo pelo coronel Bento Gonçalves da Silva [importante maçon, da loja de Porto Alegre, "Filantropia e Liberdade"], Domingos José de Almeida, António de Souza Netto, David Canavarro e outros – integra a construção da jovem República Rio-Grandense [que precede o triunfal movimento republicano brasileiro], recebendo a "carta de corso" e assume-se "guerrilheiro". Conhece a brasileira Ana Maria de Jesus Ribeiro (a imortalizada Anita Garibaldi) com quem casará [1842] depois, já em Montevideu, lugar para onde vai residir [1841]. Em Montevideu participa na defesa da cidade, organizando a "Legião Italiana" ou "camisas vermelhas".

Em 1848 regressa a Itália com o intuito de fundar a República e unificar a Itália. Após relativos insucessos da sua acção militar e consequente exílio (Suíça e Nice), volta a Roma (onde, então, se proclama a República) como deputado republicano, mas rapidamente tem de a abandonar, depois da sua queda, sendo perseguido na fuga por exércitos de diferentes países, pelo que se retira para Tanger (1849), partindo, depois, para Staten Island (Estados Unidos). Retoma o seu trabalho nos navios mercantes, percorrendo de novo cidades e mares, restabelecendo a sua rede de amizades e cumplicidades. Em 1854 volta a Itália, participando, como comandante das forças sardo-piemontesas (do rei Vítor Emanuel II), na conquista da Lombardia (1859) aos austríacos. Determinado a não perder a ocasião, Garibaldi avança para o do sul de Itália, conquistando a Sicília, Sardenha e Nápoles. O reino de Itália está assim unificado (faltaria Roma), após proclamação (em 1861) de Vítor Emanuel II como rei. Garibaldi tenta, ainda, a anexação de Veneza (1866), a conquista de Trento, a invasão de Roma (onde obtêm um enorme desaire). Organiza a Assembleia de Livres-Pensadores, em Napoles (1869). Morre a 2 de Junho de 1882, em Capri.

J.M.M.

terça-feira, 5 de julho de 2011

80º ANIVERSÁRIO DA HEMEROTECA DE LISBOA E DA BIBLIOTECA MUNICIPAL PALÁCIO DE GALVEIAS


Realizam-se, hoje, 5 de Julho, ao longo do dia e nos próximos dias um conjunto de iniciativas para assinalar o 80º aniversário da Hemeroteca de Lisboa e da Biblioteca Municipal Palácio de Galveias.

A Hemeroteca de Lisboa que tem nos últimos anos feito um excelente trabalho de digitalização de algumas das colecções de jornais e revistas que guarda no seu espólio. Actividade que tem vindo a enriquecer gradualmente. Disponibilizou recentemente mais alguns números de jornais como o Diário Popular e do Diário de Lisboa e vai colocar agora online, segundo informação recebida, as seguintes publicações:
- A Gazeta de Lisboa (1717-1720);
- La Accion (1908);
- Recortes de Imprensa Sobre a Hemeroteca Municipal de Lisboa;
- Arquivo Fotográfico da Hemeroteca Municipal de Lisboa;
- Hemeroteca Municipal de Lisboa. História e Património.

Pode ler-se na divulgação do evento:

80 anos é muito tempo pelo que ao assinalarmos esta efeméride estamos também a evocar o papel desempenhado por estas duas bibliotecas na cidade de Lisboa, designadamente como espaços de promoção da leitura pública de livros e de publicações periódicas, da literacia de informação e de cidadania e cultura.
O aniversário serve também de pretexto para colocarmos na Hemeroteca Digital uma galeria de fotos da HML (com destaque para as fotos das obras de restauro do átrio e escadaria e da remodelação das salas de leitura, realizadas em 2000), aqui; bem como um conjunto de recortes de imprensa sobre a HML, aqui, e sobre a HD, aqui – documentos que já fazem parte da história da Hemeroteca Municipal de Lisboa. Para conhecer o resto das actividades que preparámos para si neste dia 5 de Julho, consulte aqui o programa. O guião da mostra Hemeroteca Municipal de Lisboa – história & património, pode ser visto aqui.


O programa de hoje pode ser consultado abaixo:



Um conjunto de iniciativas que não podiamos deixar de divulgar.
A.A.B.M:

segunda-feira, 4 de julho de 2011

VIII CURSO LIVRE DE HISTÓRIA DO ALGARVE



Inicia-se amanhã, 5 de Julho de 2011, o VIII Curso Livre de História do Algarve, promovido pelo Departamento de História, Arqueologia e Património da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve e que este ano será subordinado ao tema: Os Centros Históricos do Algarve
O Curso terá lugar no Anfiteatro A do Complexo Pedagógico do Campus de Gambelas, às terças e quintas-feiras pelas 18 horas.

Programa

5 de Julho
António Rosa Mendes , As Cidades do Algarve - Perspectiva Histórica

7 de Julho
Pedro Barão , A Ribeira de Tavira: Análise Morfológica

12 de Julho
Teresa Valente , O(s) Centro(s) Histórico(s) de Silves - Estudos para uma Intervenção

14 de Julho
Daniela Pereira , A Evolução Urbanística de Lagos

19 de Julho
Sandra Romba, Evolução Urbana de Olhão

21 de Julho
Isabel Luzia, Loulé - Uma Visita através dos Tempos

26 de Julho
Catarina Almeida Marado, Sistema Conventual e Evolução Urbana: O Caso de Faro

28 de Julho
José Eduardo Horta Correia, Vila Real de Santo António: Centro Histórico?

Valor da inscrição: 50€ Normal | 15€ Estudantes e antigos estudantes

Contactos:
Serviços de Secretariado da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UAlg
Telefone: 289 800 914
E-mail: gefchs@ualg.pt e Crdavide@ualg.pt


Uma iniciativa que o Almanaque Republicano tem vindo a divulgar nos últimos anos e que recomendamos a todos os nossos ledores.

A.A.B.M.

CADERNOS DO MUSEU DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA



Vai realizar-se na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no Auditório Armando Guebuza, no próximo dia 7 de Julho de 2011, o volume II dos Cadernos do M.P.R. subordinado ao tema: República e Religiões: imagens da convivência inter-confessional no primeiro século da República Portuguesa

A sessão vai realizar-se conforme o seguinte programa:

18h00 | Abertura da sessão

18h15 | Apresentação pública do volume "República e Religiões: imagens da convivência inter-confessional no primeiro século da República Portuguesa", Cadernos do Museu da Presidência da República.
Apresentação a cargo de Luís Salgado de Matos (Universidade de Lisboa)

19h00 | Mesa Redonda: «As Religiões e os desafios do séc. XXI»
Preside: Mário Soares (Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa)
José Manuel Anes (Presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo), «Religião, Religiões e Segurança»
Jorge Bacelar Gouveia (Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa), «Religião, Direito(s) e Cidadania»
Eulálio Figueira (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), «Dinâmicas, pertenças e identidades – o caso brasileiro»


A informação sobre o evento pode ser consultada AQUI.

A.A.B.M.

domingo, 3 de julho de 2011

CANDIDATOS REPUBLICANOS NAS ELEIÇÕES DE 19 DE AGOSTO DE 1906


Apresentam-se de seguida os candidatos do Partido Republicano nas eleições que conduziram João Franco ao poder, alguns deles já biografados no Almanaque Republicano. Repare-se sobretudo as regiões onde ainda não contavam com candidatos e também o peso dos médicos, advogados e professores na elite partidária.

LISBOA (Circulo oriental)

AFONSO AUGUSTO DA COSTA (Dr.), advogado.
ANTÓNIO JOSÉ D'ALMEIDA (Dr.), médico.
AUGUSTO CESAR D'ALMEIDA VASCONCELLOS CORREIA (Dr.), professor.
BERNARDINO LUIZ MACHADO GUIMARÃES (Dr.), professor.
PEDRO ANTONIO BETENCOURT RAPOSO (Dr.), professor.

LISBOA. (Circulo ocidental)

ALEXANDRE BRAGA (Dr.), advogado.
FRANCISCO JOSÉ FERNANDES COSTA (Dr.), professor.
JOÃO DUARTE DE MENEZES (Dr.), advogado.
JOÃO JOSÉ DE FREITAS (Dr.), professor.
JOSÉ CORREIA NOBRE FRANÇA, revisor da Imprensa Nacional.

PORTO (Circulo oriental)
ANTÃO DE CARVALHO (Dr.), advogado.
ANTONIO LUIZ GOMES (Dr.), advogado.
CERQUEIRA COIMBRA (Dr.), proprietário.
FRANCISCO XAVIER ESTEVES, engenheiro.
TEÓFILO BRAGA (Dr.), professor.

PORTO (Circulo ocidental)

ABÍLIO GUERRA JUNQUEIRO (Dr,), homem de letras.
ALVES DA VEIGA, publicista.
ANTONIO COELHO (Dr ), medico.
JOÃO JOSÉ DE FREITAS (Dr.), professor.
JOSÉ NUNES DA PONTE (Dr.), medico.

COIMBRA

ANTÓNIO AUGUSTO GONÇALVES, professor.
BERNARDINO LUIZ MACHADO GUIMARÃES (Dr.), professor.
FRANCISCO JOSÉ FERNANDES COSTA, (Dr.), professor.
JOAQUIM CORTEZÃO (Dr.). médico.
JOAQUIM MARTINS TEIXEIRA DE CARVALHO (Dr ), médico e jornalista.

SANTARÉM

AFONSO HENRIQUES DO PRADO CASTRO E LEMOS (Dr.), médico.
ANSELMO XAVIER (Dr.), proprietário (Benavente).
FRANCISCO PEREIRA, farmacêutico (Cartaxo).
GUILHERME NUNES GODINHO (Dr.), médico (Almeirim).
MANUEL DE BRITO CAMACHO (Dr.), médico.
RAMIRO GUEDES, (Dr.), médico Abrantes;
SOUSA DIAS, (Dr.), médico (Benavente).

BRAGANÇA

ALVES DA VEIGA, publicista.
ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA, (Dr.), médico.
DOMINGOS FRIAS, (Dr.), advogado.
JOÃO JOSÉ DE FREITAS, (Dr.), advogado.

VIANA DO CASTELO

CASIMIRO RODRIGUES DE SÁ, abade de Pedernelo.
FRANCISCO TEIXEIRA DE QUEIROZ (Dr.), médico.
Luiz INOCÊNCIO RAMOS PEREIRA (Dr.), médico.
MANUEL JOSÉ D'OLIVEIRA (Dr.), médico.
MANUEL RODRIGUES DA SILVA, capitalista

SETÚBAL
FRANCISCO RAMOS DA CRUZ (Dr.), advogado.
JOAQUIM TEOFILO BRAGA (Dr.), lente.
JOSÉ ESTEVÃO DE VASCONCELOS (Dr.), médico.

ÉVORA

EVARISTO JOSÉ CUTILEIRO (Dr.), médico.
JOAQUIM PEDRO DE MATOS, comerciante.

VISEU

ANTONIO MARIA MONTEIRO, proprietário.
JOAQUIM DE AZEVEDO E ALBUQUERQUE (Dr,), lente.
JOSÉ ANTONIO DA SILVA E CASTRO (Dr.), médico.
JOÃO DUARTE DE MENEZES (Dr.), advogado.
MANUEL DE BRITO CAMACHO (Dr.), médico,

BEJA

ANTÓNIO ARESTA BRANCO (D.), médico.
AUGUSTO BARRETO (Dr,), médico.
JOSÉ JACINTO NUNES (Dr.), proprietário,
MANUEL DE BRITO CAMACHO ( D r ) jornalista.
MIGUEL DE OLIVEIRA FERNANDES, proprietário.

GUARDA

FERNÃO BOTTO MACHADO, jornalista.

FUNCHAL

ANTÓNIO JOSÉ D'ALMEIDA (Dr.), médico.
MANUEL DE ARRIAGA (Dr.), advogado.
JÚLIO MARTINS (Dr.), advogado.

A.A.B.M.

SETE ANNOS DEPOIS … A REPÚBLICA NOVA - EDUARDO BURNAY


LIVRO: Sete Annos Depois... A República Nova. Carta ao Sr. Sidónio Paes, ínclito e invicto restaurador da ordem
AUTOR: Anónimo [Eduardo Burnay];
EDITORA: Lamas, Motta & C.ª [Rua da Alegria, 100, Lisboa], 1918, 93 p.

"Os livros de autor anónimo, ou editados como tal, sempre me fascinaram: este era um deles! Que eu saiba, foi o Prof. Dr. Armando Malheiro da Silva [in, Sidónio e Sidonismo. História de um caso político, p. 83] o primeiro a atribuir a autoria a Eduardo Burnay: aquando da elaboração da sua tese sobre Sidónio Pais, na consulta ao arquivo deste, descobriu um exemplar do livro com uma dedicatória de EB [de facto, um dos pseudónimos de Eduardo Burnay seria E.B. – ver, Dicionário de Pseudónimos, de Adriano da Guerra Andrade] para SP [Sidónio Paes]. Era uma pista, penso que quase definitiva. A confirmação surgiu-me há dias, pelo neto: O bibliófilo e alfarrabista, Luís Burnay, confirmou-me a autoria do livro, referindo-me, inclusivé, que ainda tinha consigo o manuscrito de seu avô ..." - ler MAIS AQUI.

via Memória da República, com a devida vénia [sublinhado nosso]



NOTA: Eduardo Burnay [n. 3 de Julho 1853-m. 8 de Dezembro 1924] foi médico, bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra, lente de Zoologia (na Escola Politécnica de Lisboa: refira-se que E. Burnay foi um dos primeiros adeptos do evolucionismo, entre nós) e depois lente de Química Mineral e Orgânica na mesma instituição, delegado de saúde, professor, escritor e jornalista [cf. Enc. Luso-Brasileira] e deputado [pelo círculo de Tomar, 1894; depois eleito por Loures em 1901; idem para círculo de Lisboa Ocidental em 1902; idem em 1904, 1905 e 1906; depois em 1908 e 1910; com trabalho feito (veja-se as "Bases da reorganização do ensino secundário apresentadas em sessão de 14 de Janeiro de 1903 na Câmara do Senhores Deputados") na secção de Instrução Pública Superior – cf. Dicionário Bibliográfico Parlamentar].

Era um dos filhos do médico Henrique Burnay e de Lambertine Josephine Forgeur (ambos de nacionalidade belga). Foi, ainda, membro da Academia das Ciências (substituindo o sócio Agostinho Vicente Lourenço, tendo-lhe feito o elogio póstumo a 1 de Dezembro de 1893), presidente de Conselho de Administração da Companhia dos Tabacos e do Conselho Fiscal do Banco de Portugal (1908-1924), vice-governador do Crédito Predial (1897-1908), administrador da Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta, do Jornal do Comércio [que dirigiu politicamente: o director principal era Augusto de Castro] e o Jornal do Comércio e das Colónias. Casou com a filha de Ramalho Ortigão [a correspondência epistolar com Ramalho é acervo importante, alguma de importância queirosiana], Maria Feliciana Ortigão. Em 1886 foi a Paris, para acompanhar o processo Pasteur da luta contra a raiva [juntamente com Eduardo de Abreu, com quem manteve uma acesa polémica sobre a validade dos métodos de Pasteur] e representou Portugal no Congresso Internacional de Medicina de Madrid, em 1893. Fez parte da Comissão das Comemorações do II Centenário de Lavoisier. Publicou vários opúsculos, de interesse científico (em revistas de Coimbra e Lisboa) e literário ["Um retrato de José Agostinho de Macedo"; “In Memoriam a Sousa Martins” (1904); “Elogio histórico do Conde de Ficalho” (1906); “O Doutor Manuel Dias Ortigão” (1922; sep. Instituto); “O Conde de Castel-Melhor: as suas presumidas relações com os alquimistas, mágicos, filósofos, moedeiros-falsos e envenenadores do século XVII” (1923, sep. Instituto)]. Homem do mundo, foi dos primeiros a ter automóvel, ao mesmo tempo que era tido como grande coleccionador de arte. Curiosamente, aparece caricaturado no romance célebre, porque escandaloso na época, "Marquês da Bacalhoa" [por António de Albuquerque, 1908], como a figura do Silveirinha ["degenerado cínico" – cf. José- Augusto França, in "Marques da Bacalhoa", INCM, 2002, p. 15].

Era irmão [cf. Enc. Luso-Brasileira] do importante e influente financeiro Henrique Burnay ou "o senhor Milhão"

[Henrique Burnay (1838-1909), ou 1º Conde de Burnay (1886, conferido por D. Luís I), empregado do banqueiro Carlos Krus (com cuja filha casou), fundador da casa bancária Henry Burnay & C.ª (1875; mais tarde, em 1939, Banco Burnay), notável empresário e hábil especulador e investidor em vastas actividades comerciais, industriais e financeiras (os seus empréstimos para cobrir os défices orçamentais são bem curiosos de se seguir): como a exploração dos caminhos-de-ferro e das redes marítimas (1884), na Companhia dos Tabacos, em companhias mineiras e distintas fábricas (vidros na Marinha Grande, p.ex.), dono dos Armazéns Hermínios, da casa Havaneza, do Casino ou do Jornal do Comércio, deputado em 1894 pelo circulo de Pombal e em 1900 por Setúbal; foi um curioso filantropo e a ele se deve a construção do bairro Camões, aliás escritor que tinha em boa conta, de tal modo que participa e preside às Comemorações do Centenário de Camões em 1880 (bem como contribui para o do Marquês de Pombal (1882)), tendo ainda fundado várias escolas e albergues e sendo um dos patrocinadores do Jardim Zoológico de Lisboa (na ocasião cedeu o parque do seu palácio das Laranjeiras, para o efeito), coleccionador compulsivo (e desordenado) de obras arte e pintura, que manteve no seu palácio da Junqueira (antigo palácio do Patriarca); a sua copiosa colecção e o recheio do palácio foi vendido em leilão pelos herdeiros (1936), tendo o Estado adquirido parte, agora depositada no Museu Nacional de Arte Antiga].

FOTOS: retrato de Eduardo Burnay (esquerda) e do Conde de Burnay (Henrique Burnay)

J.M.M.