quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2013

DOM CAMILO LOURENÇO AO POSTIGO DA RTP




O sempre mavioso rouxinol da RTP para a frontaria económica, Dom Camilo Lourenço, sugeriu à plateia televisiva (dias atrás), a fadiga inglória que é o trabalho de se frequentar o curso de História. Dom Camilo, na ocasião, atormentado na proficuidade do seu colossal curso de Direito, não vislumbra (mesmo que esotericamente) a utilidade dos historiadores para a douta & preclara economia pátria. Eis, pois, uma tragédia!

O licencioso Dom Camilo, na barrela do seu exame económico futebolístico, conclui que não “precisamos deles” (historiadores), mesmo que sejam aperfeiçoados em infusão para combater a ignorância e os dogmas. De seguida teve ocasião de escarvar os indígenas que querem ser “professores para serem professores”. Bonito! É o vade mecum de Dom Camilo.

Mas Dom Camilo, um génio da nossa paróquia, é bom de ver, jamais poderia ficar agasalhado a “esticar o salário” (“e a encurtar o mês”) com os putativos proventos do seu curso de Direito. Assim, o eminente jurista (desculpem a digressão) rasgou a toga e barrete e vá de compor exercícios venatórios em jornalismo financeiro. Começa o giro pelo “O Jornal”, sai polindo as bancas do “Correio da Manhã”, jorna com estilo no "Semanário Económico", produz verbetes na “Valor”, na “Exame”, “Auto Guia” (e outras mais), prossegue como radialista no “CMR”, “Rádio Comercial”, “SIC Notícias” e, de momento, faz linguados no “Jornal de Negócios”, traslada futebolês no “Record” e expede cacofonias na RTP.

Na verdade Dom Camiloempurrou com a barriga” o fumus boni juris. Por isso não frustremos o sábio no seu remanso. E mesmo se o catecismo de Dom Camilo tenha desabado sobre si mesmo, com todas as licenças necessárias do doméstico mercado “libaral”, o acórdão exposto ao gentio pelo letrado colunista não é fundamento para embargos a candidatos a historiadores & outros exercícios de civilidade e cultura.

Afinal, Camilo Lourenço recorreu tão só à sua profusa ignorância e à sua desmesurada falta de talento académico, doutrinário e científico. Se assim não fosse estaria agora a fazer madrigais à Historiografia Económica, à História do Pensamento Económico e Financeiro, honrando vultos admiráveis como Magalhães Godinho, Joel Serrão, Armando de Castro, Alfredo de Sousa, Sedas Nunes, Villaverde Cabral ou estudando com respeito Oliveira Martins, António Sérgio, Augusto Fuschini, Costa Goodolfim, Afonso Costa, Bento Carqueja, Consiglieri Pedroso, Jaime Cortesão, Duarte Leite, Henrique de Barros, Amzalak, ou meditando, entre os antigos eruditos, um Silvestre Pinheiro Ferreira, Azeredo Coutinho, Domingos Vandelli, Acúrcio das Neves, Solano Constâncio, Ferreira Borges, José Frederico Laranjo ou Lúcio de Azevedo. Mas Dom Camilo não tem tempo para esses palavrudos de erudição. Tem, no seu infortúnio académico, “450 mails de ouvintes, leitores e telespectadores para responder”. O tempo urge! “Pergunte ao Camilo”!

LOCAIS: Resposta da APH às considerações de Camilo Lourenço sobre a História | "A Nova Luta de Classes" [J.P.P.] | Camilo Lourenço, a História e a utilidade económica [Henrique Monteiro] | Economia para totós [André Macedo] |
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J.M.M.

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