terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

HERNANI CIDADE


Assinalou-se no passado domingo, 7 de Fevereiro, o aniversário de nascimento de uma das figuras de destaque da cultura portuguesa: Hernâni António Cidade. Apesar de ser sobretudo conhecido como historiador da cultura e da Língua Portuguesa, Hernâni Cidade foi também uma personalidade que combateu na Grande Guerra que agora se assinala o centenário e que temos vindo a recordar neste espaço.

Professor, ensaísta, historiador e crítico literário português, nasceu na vila de Redondo, a 7 de Fevereiro de 1887, filho de António Bernardino Cidade, abegão de profissão, e de Genoveva da Purificação Madeira, moradores no Outeiro de São Pedro. Na nota biográfica de Helena Cidade Moura [filha de Hernâni Cidade] no Dicionário de História do Estado Novo, Dir. Fernando Rosas e José Maria Brandão de Brito vol. I, p. 145-146, recordava-se que o pai de Hernâni Cidade costumava cantar e recitar poemas de Augusto Gil, Guerra Junqueiro, António Nobre e outros poetas da viragem do século. Estudou no seminário de Évora, por falta de condições económicas da família, onde se destacou como aluno brilhante. Em 7 de Fevereiro de 1907, solicitou para se habilitar “de genere”, para ser promovido a prima tonsura e quatro graus de ordens menores. Conseguiu a classificação de Bom nos parâmetros de comportamento religioso, moral e civil, depois de ter examinado e praticado os exercícios espirituais foi considerado apto para promoção em 24 de Maio de 1907.

No entanto, durante este percurso começou a descobrir novos interesses e acabou por recusar a oportunidade para prosseguir estudos superiores na Universidade Gregoriana de Roma. Entre esses novos interesses, sobretudo literários, conheceu as obras de Bakunine, Karl Marx, Friedrich Engels, Johan Heinrich Pestolazzi, Máximo Gorki, entre outros que lhe provocaram um crescente agnosticismo mas, em simultâneo, um sentimento de gratidão ao seminário que lhe tinha proporcionado o acesso ao estudo. Perante este dilema pessoal, Hernâni Cidade expôs a sua situação ao arcebispo da época, D. José Eduardo Nunes, mostrando a sua vontade em estudar na Universidade mas seguindo a vida laica. Frequentou então o Curso Superior de Letras, em Lisboa, tendo trabalhado como explicador particular e no Colégio Caliponense. Conseguiu concluir o seu curso com distinção e obter habilitação para leccionar no Magistério Secundário. Começou a trabalhar como professor supranumerário no Liceu Passos Manuel, em Lisboa.

Colocado como efectivo no Liceu de Leiria em 9 de Novembro de 1914. Nessa cidade ensina língua e literatura portuguesa até 1916, quando partiu mobilizado para combater na Grande Guerra, em França. Durante a sua estadia em Leiria envolveu-se na vida cultural da cidade, escreveu uma peça de teatro, A Zara, cuja representação serviu para angariar fundos e reconstruir o castelo da cidade.

Mobilizado para o Corpo Expedicionário Português em 26 de Outubro de 1916, foi enviado como comandante de pelotão no Regimento de Infantaria nº 35, onde desempenhou também papel de relevo de que daremos conta proximamente e de forma detalhada.

[Em continuação.]
A.A.B.M. 

Sem comentários: