sexta-feira, 29 de maio de 2015

CICA 5: 0 25 DE ABRIL DE 1974 NO ALGARVE - CONFERÊNCIA

No próximo domingo, assinalando os 85 anos da criação do Núcleo da Liga dos Combatentes, realiza-se na Biblioteca Municipal da cidade de Lagos, uma conferência com a Doutora Maria João Raminhos Duarte.

O tema central da comunicação será o papel desempenhado pelo Centro de Instrução e Condução Auto, nº5, sediado em Lagos, durante as operações desenvolvidas pelas tropas revolucionárias no Algarve, durante o período revolucionário de 25 de Abril de 1974.

Sobre estes acontecimentos é possível encontrar um pequeno video sobre as manifestações na cidade de Lagos durante o 25 de Abril a ver AQUI.

CONFERÊNCIACICA 5: O 25 DE ABRIL DE 1974 NO ALGARVE;

DATA31 de Maio 2015 (15 horas);

LOCALBiblioteca Municipal de Lagos - Dr. Júlio Dantas;

ORGANIZAÇÃONúcleo da Liga dos Combatentes de Lagos;





















ORADORA: Doutora Maria João Raminhos Duarte.


Com os votos do maior sucesso para a iniciativa.

A.A.B.M.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

IV ENCONTRO DE ARQUIVOS DO ALGARVE: A ACESSIBILIDADE E CONFIDENCIALIDADE DA INFORMAÇÃO

Amanhã, 29 de Maio e no dia 30, sábado, realiza-se o IV Encontro de Arquivos do Algarve subordinado ao tema A Acessibilidade e a Confidencialidade da Informação que decorrerá no Anfiteatro Teresa Gamito, Campus de Gambelas, da Universidade do Algarve, em Faro. Sobre o evento pode ler-se na nota de apresentação do evento:
A aprovação do novo Código de Procedimento Administrativo, a valorização de aplicações informáticas open source e o aumento de políticas de interoperabilidade nos sistemas de informação da Administração Pública portuguesa, designadamente através dos projectos Macroestrutura Funcional e Plano de Classificação da Informação Arquivística para a Administração Local, fortalecem e objectivam políticas claras de normalização na gestão da informação das entidades, através das operações de criação, registo e tratamento da informação, assim como ao nível de permissões e acessos, permitindo a transversalidade na troca e partilha de informação interinstitucional. Paralelamente, todo o desenvolvimento realizado ao nível da modernização administrativa e da simplificação de procedimentos administrativos visam muito concretamente diminuir o peso da burocracia e facilitar o processo de interacção entre Estado e utilizador. Problemáticas e desafios que merecem a atenção e um olhar mais aprofundado por parte dos gestores da informação.
O IV Encontro de Arquivos do Algarve pretende, desta forma, assumir-se como um espaço de debate e partilha em torno da temática da Acessibilidade e Confidencialidade da Informação, numa altura em que a transparência nos processos de negócio, a agilização e rentabilização do acesso à informação, útil à tomada de decisão, se torna um dos principais enfoques do arquivista, independentemente do suporte em que é gerada ou onde a mesma é arquivada.

À legislação existente, questiona-se se a mesma tem, ou terá no futuro, a capacidade de assegurar e proteger os direitos dos cidadãos à privacidade, estabelecendo para tal níveis e critérios de confidencialidade fidedignos, numa altura em que a desmaterialização de processos está na ordem do dia. A questão essencial passa pela capacidade das entidades, independentemente da sua natureza, de dar continuidade, ou não, à preservação da informação criada ou gerida nos seus sistemas, de modo a perpetuar a sua fiabilidade e acessibilidade. 


A Rede de Arquivos do Algarve organiza o IV Encontro de Arquivos do Algarve, a decorrer, no Anfiteatro Teresa Gamito, campus de Gambelas da Universidade do Algarve, nos dias 29 e 30 de Maio de 2015. Esta edição conta com as parcerias da Universidade do Algarve e da Direcção Regional da Cultura do Algarve.

Programa

29 MAIO

9:30 – Recepção - entrega de documentação

10:00 – Sessão de Abertura

10:30 – Painel 1 
Moderação: Madalena Guerreiro (Município de Vila Real de Santo António)

A gestão documental na governança da informação
Rafael António (Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação)


Uma triangulação para bem gerir documentos
Alexandra Lourenço e Pedro Penteado (Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas)


11:00 – Debate

11:15 - Coffee break

11:30 – Painel 2 
Moderação: Sandra Martins (Município de Faro)

Entre a teoria e a prática: a acessibilidade e a confidencialidade em sistemas de informação pretéritos
Nelson Vaquinhas (Município de Loulé, CIDEHUS/UÉ)


Acesso à informação em arquivos: testemunho de um utilizador
Anabela Estudante (Agrupamento de Escolas João de Deus)


Disponibilizar e acessar o conhecimento nos arquivos
Ana Margarida Soares (Fundação Portuguesa das Comunicações)


12:15 – Debate

12:45 – Almoço Livre

14:15 – Painel 3 
Moderação: Tiago Barão (Município de Faro)

O direito de acesso à informação constante de arquivos, autarquias e hospitais
António José Pimpão (Comissão Acesso aos Documentos Administrativos) 


A Acessibilidade e Confidencialidade da Informação no Novo Código do Procedimento Administrativo - Um Exercício Comparativo
João Gonçalves Caetano (Município de Silves)


15:15 – Debate

15:45 - Coffee break

16:00 – Painel 4 
Moderação: Rita Moreira (Município de Loulé)

II Diagnóstico aos Arquivos do Algarve
António Monteiro, Isabel Dias, Laurinda Paz e Vera Gonçalves (Rede de Arquivos do Algarve)


Acessibilidade e confidencialidade da informação: inquérito às instituições algarvias
Adriana Rusu, Bárbara Ribeiro, João Sabóia e Marisa Caixas (Rede de Arquivos do Algarve)


17:00 – Debate

17:15 – Encerramento dos trabalhos

30 MAIO


10:00 – Painel 5 

Moderação: Paulo Mariz (Arquivo Distrital de Faro)

O Novo Código do Procedimento Administrativo: constrangimentos à confidencialidade e acesso à informação
Sílvia Duarte (Município de Portimão)


Access to Memory: a miragem do open source
José Anjos, Marisa Caixas, Nuno Marques e Sónia Negrão (Rede de Arquivos do Algarve)

11:00 – Debate

11:30 - Coffee break

11:45 – Painel 6
Moderação: Vanda Germano (Assembleia Municipal de Portimão)

Arquivos dos serviços de informações em Portugal
Leonor Calvão Borges (Assembleia da República)


O projecto de implementação de um sistema de informação no Partido Social Democrata: o Arquivo da Social-Democracia
Paulo Batista (Consultor Científico do Arquivo Social-Democrata)


O copiador geral – considerações sobre uma prática arcaica
Isabel Salvado (Município de Tavira)


Acessibilidade e confidencialidade da informação: uma realidade ou um mito?
Paulina Araújo (Arquivo Distrital de Évora)

12:45 – Debate

13:15 – Sessão de Encerramento

15:00 – Visita à Cidade de Faro

Para informações complementares e mais detalhadas recomendamos a visita à página oficial do Encontro AQUI.

Com os votos do maior sucesso para mais esta iniciativa que se está a transformar numa marca da actividade dos arquivistas e documentalistas da região nos últimos anos.

A.A.B.M.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

NATURALISMO, DEMOCRACIA E ABORTO


Naturalismo, Democracia eAborto” – por Francisco Teixeira, in jornal Público

“Onde o homem falta, a natureza é estéril” [William Blake, A União do Céu e do Inferno]

Eugénio Viassa Monteiro, professor da AESE Business School em Portugal, uma escola de negócios do Opus Dei, iniciativa da Associação de Estudos Superiores de Empresa, uma ramificação de escolas de negócios do Opus Dei em todo o mundo, acha, logo à partida de um seu texto aqui no PÚBLICO (logo no seu título, a 25 de maio), que “A natureza é sábia, a democracia é limitada”. O título do seu texto é todo um programa. Mas convém esclarecê-lo.

Na democracia a hierarquia é limitada e rotativa, quando não simplesmente eliminada. Sendo humana, porque se eleva acima do que é natural, a democracia depende de uma opção ética: a opção pela igualdade de direitos entre todos os humanos, independentemente das suas condições naturais e de herança. Pobres ou ricos, inteligentes ou néscios, preguiçosos ou esforçados, virtuosos ou maldosos, na democracia todos têm os mesmos direitos. Alguns desses direitos podem ser temporariamente revogados pelos tribunais em nome da salvaguarda da democracia em geral. Mas a regra é clara: em democracia somos todos iguais, tenhamos ou não sido bafejados pelos favores da natureza ou do divino. Nesse sentido, a democracia é profundamente espiritualista. É algo que se eleva acima da natureza mas que se recusa à transcendência, é uma invenção humana que recusa que o Homem possa ser apenas uma emergência natural do seu corpo, mas também a rarefação mágica de um anjo. A limitação democrática, o seu destino de igualdade e fraqueza, é afim da kénosis divina: a renúncia de deus à sua soberania, fazendo-se humano, Jesus de Nazaré. Sendo fraca, a democracia é a mais poderosa das religiões, a mais cristã.

Dizendo a coisa claramente, a democracia rejeita qualquer tipo de reducionismo naturalista, justamente porque acha que a natureza, o pré-humano, nada tem de sábio senão a evolução cega (o que claro, é tudo menos pouca coisa). Pelo contrário do naturalismo, procurando o desmedido, a democracia é de uma profunda sageza, porque sabe que o homem é mais que terra e cinza, quiçá talvez capaz de “curtocircuitar” a própria evolução natural de onde provimos, desejando abrir-lhe os olhos dando-lhe um sentido. Pelo menos o sentido de uma evolução democrática, da descriminação do bem e do mal, do justo e do injusto, ainda que temporariamente, ainda que numa escala eventualmente irrelevante, se temporal e cosmicamente referida. Mas um sentido mínimo sempre é melhor que sentido nenhum.

O Senhor Eugénio Viassa Monteiro, professor da AESE Business School em Portugal, uma escola de negócios do Opus Dei, acha, porém, que a democracia produz resultados de sensibilidade e moral inferiores à natureza e aos notáveis instintos animais não humanos (particularmente dos gatos, que em criança se dedicava a torturar: “Quando miúdo divertia-me a metê-los em barris de água da chuva para os ver saltar como uma mola e fugir como uma seta”) e que nessa animalidade deveríamos procurar as orientações éticas humanas, em especial no caso do aborto, que, num arremedo de loucura ética, considera equivalente a “aterrorizar e liquidar vidas inocentes aos milhões”.

O que sempre me espanta neste tipo de perigosos fundamentalistas religiosos, como o Senhor Eugénio Viassa Monteiro, é aquilo que de há muito se conhece como reducionismo naturalista. É, no fundo, que em nome de uma ideia de Deus, e de uma crença determinada, se portem como ateus e materialistas ridículos, reduzindo o humano ao instintivo, ao genético, à pura matéria de pó e miséria, a uma ocasionalidade química e física. O que me espanta, pois, é como um religioso pode transformar-se, e tão facilmente, como disse o Pastor James Anderson no século XVIII, num “ateu estúpido”, mesmo e sobretudo usando cilício e mortificações a horas certas. Mil vezes, vezes mil o ateísmo normal.

Naturalismo, Democracia e Aborto – por Francisco Teixeira [professor do Ensino Secundário], jornal Público, 27 de Maio de 2015, p.46-47 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

terça-feira, 26 de maio de 2015

CONFERÊNCIA – 0 28 DE MAIO, A DITADURA MILITAR E A MAÇONARIA



ORADOR: Prof. dr. Luís Bigotte Chorão;
 
DATA: 29 de Maio 2015 (19,00 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, nº 25, Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Sextas da Arte Real”]

 “Tendo sido recorrente o fenómeno da interrupção da normalidade constitucional ao longo da História Contemporânea portuguesa, o Movimento de Maio de 1926 podia estar hoje exclusivamente registado nos anais pátrios como mais um desses momentos.

Certo é que as características genéticas desse Movimento acabaram por conferir-lhe excepcionais condições de sobrevivência.

A Ditadura Militar, nem sempre devidamente valorizada no plano historiográfico, inaugurada pelo Movimento de Maio de 1926, é essencial à compreensão do Estado Novo com o qual, porém, não deve ser confundida.

Decorridos 89 anos sobre o 28 de Maio, tem toda a pertinência assinalar esta data histórica, convocando a reflexão (sempre inacabada) sobre os factores de crise da I República, que estiveram na origem do Movimento que, iniciado naquela data, se desenvolveu até 9 de Julho seguinte através de uma sucessão de golpes de Estado e de decisões de autoridade, diferenciados pelas suas lideranças, processos e objectivos.

Para uma melhor compreensão dos anos da Ditadura Militar – que haveria de estabelecer-se em momento constituinte do Estado Novo – importará igualmente apurar a presença da maçonaria portuguesa no âmbito daquele complexo quadro histórico de então.

Contando com a vossa participação, apresento os meus cumprimentos.”

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.

domingo, 24 de maio de 2015

JUBILAÇÃO DO PROFESSOR DOUTOR FERNANDO CATROGA


Cerimónia de Jubilação do Professor Doutor Fernando Catroga

DATA: 25 de Maio 2015 (a começar a partir das 9,30 horas | Lição: 17,30 horas);
LOCAL: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra [Anfiteatro II];
ORGANIZAÇÃO: F.L.U.C. | H.E.E.A.A. | C.H.S.C.


9,30 Horas: Sessão de Abertura;

10h/11 Horas: Mesa Redonda

 - INTERVENIENTES: Francisco de Azevedo Mendes (“A condição da subjetividade na teoria da história de Fernando Catroga: historicidades intempestivas”) | Paulo Archer (“História, anamnésis e filosofia. Uma via para a sagesse”) | Joana Bernardes Duarte (“Na orla do mundo, a peregrina sede: phantasia e narrativa historiográfica” | Rui Cunha Martins (moderador);

11,30h/12 Horas: Mesa Redonda

 - INTERVENIENTES: Maria Lúcia de Brito Moura (“Igreja suspeita no estado vigilante” - um projeto de laicização à portuguesa”) | Maria de Fátima Cunha Moura Ferreira (“Ideários e ação política: a pretexto da 3ª via”) | Ana Cristina Araújo (moderador);

12h/12,30 Horas: Conferência

 - ORADOR: Luís Reis Torgal (“História, memória e ideologia. O caso dos Divodignos e das lutas liberais”) | João Gouveia Monteiro (moderador);

ALMOÇO

14,30h/16 Horas: Conferências

 - ORADOR: António Sampaio da Nóvoa (“O compromisso do historiador”) | Guilherme d’Oliveira Martins (“Democracia, identidade aberta e complexa”) | Norberto Ferreira da Cunha (“A problemática histórica da ‘ordem pública’ na I República” | João Maria André (moderador);

16,30h/17,30 Horas: Conferências

 - ORADOR: Pedro Tavares de Almeida (“Política, Estado e Território no Portugal Contemporâneo: Revisitando a obra de Fernando Catroga”) | Anselmo Borges (“Morte, Secularização, Tempo”) | João Maria André (moderador);

17,30 Horas: LIÇÃO de Fernando Catroga

19 Horas: Sessão de Encerramento

 
Amanhã assinala-se a jubilação do Professor Doutor Fernando Catroga [nasce em 1945], Mestre e amigo fraterno, o que muito nos honra.

O doutor Fernando Catroga ministrou “a história da palavra”, com total merecimento. O seu trabalho e a sua linguagem elevada, de todo incontornável, formou toda uma dilatada geração de historiadores e de cidadãos animados pelo estudo da história das ideias e da res pública.

O copioso trabalho que nos ofertou sobre o republicanismo, a história da República, o Positivismo, o Laicismo, a História das Ciências e das Ideias, torna-o credor de todos nós. A sua reconhecida inteligência, o seu vivo entusiasmo pela argumentação e o debate, a sua enorme generosidade, como professor e amigo, consagra-o como um dos mais elevados espíritos deste Portugal de Abril e um dos seus mais respeitados professores.

Amanhã assinala-se a jubilação do Doutor Fernando Catroga: a sua última Lição terá á sua volta antigos alunos, docentes universitários, camaradas, companheiros e amigos. Todos e cada um jamais poderão olvidar a honra de ouvir o Mestre, na sua derradeira Lição. Lá estaremos!

J.M.M.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

MAIO DE 65, O ENCERRAMENTO DA SOCIEDADE DE ESCRITORES

 
Maio de 65, o encerramento da Sociedade de Escritores” – por António Valdemar, in jornal Público
 
Na última década de salazarismo, Maio de 65 ficou assinalado por um dos maiores atentados à cultura e à liberdade nas suas várias dimensões: o encerramento da Sociedade Portuguesa de Escritores. O pretexto legal foi a atribuição do Grande Prémio da Novela a Luandino Vieira, autor da obra Luuanda. O ministro Inocêncio Galvão Teles, no despacho que exarou, classificava Luandino Vieiraum individuo condenado criminalmente a 14 anos de prisão maior por actividades de terrorismo na província de Angola”.
 
Luandino Vieira encontrava-se, com efeito, no Tarrafal, a cumprir 14 anos de prisão. Era um dos implicados no “processo dos 50” julgado pelo Tribunal Territorial de Angola. Provou-se, contudo, que não fabricava bombas, nem colocava explosivos para concretizar ações armadas. Limitara-se a participar com outros intelectuais e políticos na elaboração e difusão de documentos para as bases futuras de uma “nova Angola”.
 
A sentença com base nos fatos apurados não mencionava “actividades de terrorismo”. Mas em telegramas das agências ANI e Lusitânia e textos de opinião do Diário de Noticias, do Diário da Manha, de A Voz e outros órgãos ligados ao regime passou Luandino Vieira a ser denominado terrorista e, como tal, votado ao ostracismo e à execração pública. Era – lhe interdito receber o grande Premio da Novela da Sociedade Portuguesa de Escritores.
 
Uma das muitas notícias que o Diário de Noticias logo publicou intitulava-se “Estranheza em Angola”, pela atribuição de Prémio. Seria possível? Um dos principais jornais diários de Luanda- Visados pela Censura como, aliás, todos os outros - o ABC fizera elogiosas referências à obra. O mesmo livro, também em Luanda, tivera o Prémio Mota Veiga, por se tratar de um contributo “excelente, (…) «uma nova corrente literária, revelando notável poder de criação.” O júri em Luanda integrava personalidades idóneas que representavam outras tantas instituições conceituadas. A atribuição do Prémio, em Lisboa, pela Sociedade Portuguesa de Escritores era susceptível de causar “estranheza” em Angola?
 
Contudo, a partir de 21 de Maio de 1965, data da decisão do ministro Galvão Teles, o Diário de Noticias e outros jornais, com o reforço contínuo das rádios e da Televisão, desencadearam, todos os dias, um «movimento de indignação» para que se fizesse sentir o repúdio ao Prémio, ao júri e à Sociedade Portuguesa de Escritores. Ficou expresso em textos individuais ou em documentos colectivos de protesto. A Gulbenkian, em comunicado subscrito por Azevedo Perdigão, retirou os patrocínios financeiros para os Prémios anuais da Sociedade Portuguesa de Escritores. Mas, também se verificou o contrário. Radicalizaram – se os extremos.´
 
 
FOTO da 1ª DIRECÇÃO DA SPE [tomada de posse na Casa do Alentejo, Julho de 1956]:  Na 1ª fila, da esquerda para a direita: Aquilino Ribeiro, Manuela de Azevedo, João de Barros, General Luís Augusto Ferreira Martins, Adelaide Felix, Assis Esperança e Leão Penedo. Na 2ª  fila: Jaime Lopes Dias, Alexandre Cabral, Cruz Filipe*, Alves Redol, Adão e Silva e Mário Dionísio* (encoberto por Assis Esperança) * não fazendo parte dos Corpos Gerentes, assistiram ao acto de PosseviaBreve Memorial da SPE e da APE …”, 1983, p. 2
A sede da Sociedade Portuguesa de Autores, na rua Escola Politécnico, foi assaltada e destruída. Recordo-me, como se fosse hoje. Fui incumbido, no DN, de fazer a reportagem. Apesar das cautelas exigidas e em fecho da edição, o texto foi retalhado pela censura. Mas saiu nas “últimas notícias”. Restou apenas o retrato a óleo de Aquilino Ribeiro, da autoria do pintor Rui Filipe, realizado para a Sociedade Portuguesa de Escritores e para homenagear o fundador e primeiro presidente.
 
 
O assalto e a destruição resultaram da intervenção de elementos do Jovem Portugal e dos Centuriões com a cobertura da Legião Portuguesa e da PIDE. Houve a cumplicidade de escritores e jornalistas afectos ao regime. Consta de documentos que permanecem na Torre do Tombo, alguns transcritos no Livro Negro do Fascismo. Vem pormenorizada por Riccardo Marchi em Império, Nação, Revolução–as direitas radicais no fim do Estado Novo, 1959- 1974.
 
Entretanto, a PIDE prendia membros do júri que haviam atribuído o Prémio, mesmo os que votaram contra ou não votaram: João Gaspar Simões, Augusto Abelaira, Fernanda Botelho, Manuel da Fonseca, Alexandra Pinheiro Torres. Tive oportunidade de recolher depoimentos, de alguns deles, para um inquérito Diário de Notícias (19 de Maio de 1985) e que revela parte do que se passou nos bastidores.
 
Falta, todavia, um rigoroso e exaustivo levantamento da imprensa da época, incluindo a de Angola e das posições assumidas pelas instituições culturais. Juntamente com a documentação policial e política na Torre do Tombo, permitirá avaliar clivagens muito profundas na sociedade portuguesa, em especial nos círculos intelectuais e que perduram até depois do 25 de Abril.
 
Entre todos os acontecimentos, o que teve mais graves consequências, ocorreu com o Jornal da Fundão. O texto assinado por Alexandre Pinheiro Torres, membro do júri, (apesar de Visado pela Censura) provocou a suspensão do jornal por seis meses, a uma multa pesada e um regime especial de censura: o envio dos textos, das páginas de composição, títulos e ilustrações para a direcção da censura, em Lisboa, em vez de mandar, como era costume, para a delegação Castelo Branco. Será um dos temas das comemorações do centenário do nascimento de António Paulouro fundador e director do Jornal do Fundão. Também será, porventura, um dos capítulos da obra de investigação de Fernando Paulouro Neves acerca da História da Censura (1926-1974).
 
A reconstituição de alguns aspectos deste processo, de Maio de 65, do encerramento da Sociedade Portuguesa de Escritores, (objecto de notável contestação jurídica de Eduardo Figueiredo, grande advogado e resistente à ditadura), não pode deixar de ser assinalado, 50 anos depois, quando, noutra conjuntura, se deparam múltiplos factores de crise que, em qualquer momento, pode atingir o direito de reunião e de associação, mediante as conveniências, os interesses e o arbítrio do poder politico”.
 
 
 
Maio de 65, o encerramento da Sociedade de Escritores – por António Valdemar [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], jornal Público, 20 de Maio de 2015, p.47 – com sublinhados nossos.
 
J.M.M.