sexta-feira, 31 de agosto de 2007

FERNÃO BOTTO MACHADO: NOTA BREVE - PARTE I


Fernão Amaral Botto Machado nasce em Gouveia a 20 de Julho de 1865. Era filho de Pedro Rodrigues do Amaral (trabalhador rural) e de Carlota Emília Botto Machado. O seu irmão Pedro Amaral Botto Machado participou no 31 de Janeiro de 1891 - era na altura 2º sargento de infantaria, foi julgado e condenado a 3 anos de degredo em Luanda e Benguela, sendo reintegrado em Novembro de 1910 -, foi deputado na Constituinte de 1911 (pelo circulo nº 23 de Pinhel) e senador da República [cf. As Constituintes de 1911 e os seus Deputados, Livraria Ferreira, Lisboa, 1911].

Fernão Botto Machado foi "um homem, feito por si mesmo, a self made man" [S. Magalhães Lima, in pref. Fernão Boto Machado. No Parlamento, Tip. Torres, Lisboa, 1929]. Foi um autodidacta [cf. António Ventura, Anarquistas Republicanos e Socialistas em Portugal. As convergências possíveis (1892-1910), Cosmos, 2000], "não fez exame de instrução primária" [Lima, op.cit.], mas ainda assim foi solicitador encartado, deputado, diplomata e jornalista e, ao mesmo tempo, um admirável defensor junto das "classes operárias", que, aliás, "ocorriam em massa a ouvir a sua palavra" [in Gr. Enc. Port.-Bras.]

Em Lisboa, para onde partiu, dedica-se à "prática da solicitadoria forense”" [anotação que daremos conta, a seguir na Parte II, recorrendo para isso à valiosa nota biobibliográfico sobre Botto Machado e publicações jurídicas a ele ligadas, de autoria de Luís Bigotte Chorão, incluída no seu livro "O Periodismo Jurídico Português do Século XIX", IMCM, 2002], participa na luta politica nas fileiras socialistas e republicanas e colabora nos jornais republicanos "A Folha do Povo" (nº1, 10 de Agosto de 1881) e "Vanguarda" [tendo substituído na sua direcção Magalhães Lima, que tinha vindo d'O Século. Ver a propósito, S. Magalhães Lima, "Episódios da Minha Vida", Livraria Universal, s.d. (1925), pp. 211 e segs].

É, em 1893, iniciado maçon na Loja Caval(h)eiros da Verdade, de Lisboa, adoptando o nome simbólico de "José Falcão" [A. H. de Oliveira Marques, Dicionário da Maçonaria Portuguesa, vol II, 1986], e no mesmo ano encontramo-lo na "Loja Renascença" [António Ventura, Um Republicano Heterodoxo: Fernão Botto Machado, Rev. História da Ideias, nº 27, Coimbra, 2006]. Transita em 1896 para a Loja Razão Triunfante, depois Luiz de Camões (1902) e Elias Garcia [Oliveira Marques, ibid., pp. 920]. Atinge em 1917 o 33º do REAA. Foi eleito presidente do Conselho da Ordem entre 1918-1919, durante o mandato do Grão-Mestre do GOLU Sebastião de Magalhães Lima, de que era particularmente amigo. No Congresso Maçonico de 1924 (em Lisboa), apresenta uma tese: "A Maçonaria e a Sociedade das Nações", que foi impressa na Tipografia do Grémio Lusitano, no mesmo ano. [cf. Ventura, 2006].

Adere ao Grupo Republicano de Estudos Sociais [O GRES é fundado em 1896, e o seu manifesto apresenta a assinatura de Afonso Costa, Manuel de Arriaga, Teófilo Braga, Brito Camacho, Guerra Junqueiro, ente outros. Cf. Ventura, 2000]. Sobre o GRES, diz-nos Botto Maçado que é "um grupo de homens dispostos a integrar as suas vistas particulares de remodelação económica, politica e moral num conjunto coerente de reformas, que façam do futuro regime não uma obra efémera de declamadores inscientes, mas uma perdurável realidade social” [refª Fernão Botto Machado, in O Grupo Republicano de Estudos Sociais, Lisboa, 1896, citado por António Ventura., op. cit, pp. 20-21].

Foto do espólio de Carvalhão Duarte, in Fundação Mário Soares, com a devida vénia.

[a continuar]

J.M.M.

ALVORADA DA REPÚBLICA


Alvorada da República

"Da esquerda para a direita, de pé: Silva Lisboa, Manoel d'Arriaga, Sebastião Magalhães Lima, Dr. Consilieri Pedroso.

Sentados: Dr. Alves da Veiga e Emygdio d'Oliveira (Spada)"

Foto: "Alvorada da República", Episódios da Minha Vida (Memorias), de Magalhães Lima, Livraria Universal de Armando J. Tavares, Lisboa., s.d. (1925).

J.M.M.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

JOSÉ CARRILHO VIDEIRA (Parte II)


Além do que se indicou, tem sido editor e colaborador das seguintes obras:

Almanaque Republicano [1875 a 1887];
Biblioteca Republicana Democrática. – Publicaram-se 22 fascículos. Alguns são traduzidos ou anotados por Carrilho Videira.
Catecismo Republicano para uso do Povo, 1880. - Em colaboração com Teixeira Bastos.
História da Revolução Francesa de 1789, por Hamel. Traduzida e anotada. - E o primeiro volume da «Biblioteca Histórico Científica», da qual é também proprietário.
Aos eleitores do circulo 110 (Portalegre, Castello de Vide, Marvão e Arronches) .- Duas paginas em fólio. Tem a data de Lisboa a 16 de Outubro de 1879. Respeita a candidatura do autor apresentada por aquele círculo, apoiada por um manifesto assinado pelos srs. dr. Teófilo Braga, Teixeira Bastos e Franco de Matos, e inserto no Amigo do Povo.

Sendo um dos precursores da República em Portugal, Carrilho Videira, na opinião de Sebastião de Magalhães Lima “pode dizer-se que foi um herói” num tempo em que era perigoso ser republicano. Com os seus parcos recursos desenvolveu uma actividade notória ao publicar dezenas de opúsculos de propaganda. [Cf. Magalhães Lima, Episódios da Minha Vida. Memórias documentadas …, Livraria Universal, Lisboa, 1928]. Ele e muitos republicanos como ele aspiravam a um ideal de República que, acreditavam, se podia conseguir por duas formas: “derramando e propagando os princípios modernos, as noções reais e positivas das coisas, e o conhecimento dos direitos individuais e colectivos por meio da imprensa, de jornais, de livros e folhetos, de conferências públicas, etc.; e formando em todos os pontos do país pequenos núcleos de união (até mesmo de três indivíduos) ou centros políticos que procedam à agremiação dos novos elementos e preparem forças para fazerem manifestações republicanas na urna ou de qualquer outro modo legal”. [Carrilho Videira e Teixeira Bastos, Catecismo Republicano para uso do Povo, apud Amadeu Carvalho Homem, A Propaganda Republicana (1870-1910), Coimbra, 1990]

Um dos aspectos mais curiosos do seu pensamento de base federalista foi a divisão de Portugal “formado por Estados do Norte, Centro, Sul e Algarve e ainda por mais uns tantos Estados Ultramarinos”.

Carrilho Videira, desagradado com sucessivos fracassos e desavindo com muitos dos seus correligionários, afasta-se gradualmente da vida política e dedica-se á publicação de obras literárias ou científicas, consoantes todavia com os princípios que segue, e tem, com esse intuito, mandado imprimir entre outras as seguintes obras:

Biblioteca das Ideias Modernas. - Fascículos de 32 paginas, em que são divulgadas as doutrinas de Darwin, Lubock, Ramsay, Bertholet e outros. Publicaram-se dez volumes da primeira série.

Materiais para a Historia da Literatura Brasileira. (Cantos e contos populares do Brasil, coligidos por Sílvio Romero, e anotados por Teófilo Braga.).

Vibrações do Século, por Teixeira Bastos.

Miragens Seculares, epopeia cíclica da historia pelo dr. Teófilo Braga.

Revista de Estudos Livres. – Publicou-se entre 1883 e 1887. Era dirigida por Teófilo Braga e Teixeira Bastos, onde colaboravam muitos escritores da época como Júlio Lourenço Pinto, Júlio de Matos ou José António Reis Dâmaso. Esta revista bem apreciada pelos periódicos de igual natureza e especialmente pela Révue Indépendent, de Paris, a que Camilo Castelo Branco se referiu, louvando a perseverança do editor em manter uma publicação, «que não envergonhava o país».

História das Ideias Republicanas em Portugal, de Teófilo Braga, 1880.

Cerca de 1887 parte para o Brasil onde prossegue a sua actividade de livreiro até ser hospitalizado devido a problemas mentais. Encontram-se fortes vestígios da sua presença no Brasil entre 1892 e 1894, como é referido aqui. Regressa então a Portugal já bastante doente vindo a falecer em Marvão em 25 de Agosto de 1905, efeméride que se assinalou no passado sábado.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
BARBOSA, Luísa Maria Gonçalves Teixeira, O Contributo da Comunidade de Portugueses no Brasil para a Consolidação do Republicanismo em Portugal (1890-1910) in http://www.museu-emigrantes.org/seminario-comunacao-luisabarbosa.htm
CATROGA, Fernando, O Republicanismo em Portugal. Da Formação ao 5 de Outubro de 1910, FLUC, Coimbra, 1991.
HOMEM, Amadeu Carvalho, Da Monarquia à República, Palimage, Viseu, 2001.
HOMEM, Amadeu Carvalho, A Propaganda Republicana (1870-1910), Coimbra, 1990.
LIMA, Sebastião de Magalhães, Episódios da Minha Vida. Memórias Documentadas, Livraria Universal, Lisboa, 1928.
OLIVEIRA, Lopes de, História da República Portuguesa. A Propaganda na Monarquia Constitucional, Inquérito, Lisboa, 1947.
RODRIGUES, Jacinto, Anos de Aprendizagem de Ladislau Batalha in
http://jacintorodrigues.blogspot.com/2007/05/anos-de-aprendizagem-de-ladislau.html
SILVA, Inocêncio Francisco da, Dicionário Bibliográfico Português, Imprensa Nacional, Lisboa, vários anos e volumes.
VENTURA, António, Anarquistas, Republicanos e Socialistas em Portugal. As convergências possíveis (1892-1910) , Edições Cosmos, Lisboa, 2000.

[Foto: Rua do Arsenal em finais do século XIX, onde se situava a Livraria Nova Internacional de Carrilho Videira, in Arquivo Fotográfico de Lisboa.]

A.A.B.M.

domingo, 26 de agosto de 2007

JOSÉ CARRILHO VIDEIRA (Parte I)



Nasceu em Marvão a 6 de Novembro de 1845, filho de João Carrilho Videira e de Teresa de Jesus Paula e Sequeira. Aos dezasseis anos abandona a vida agrícola, que seu pai exerce, porque era proprietário abastado.
Realiza os seus estudos no Liceu de Portalegre, e ali inicia a colaboração na imprensa, começando por escrever na Gazeta de Portalegre, o primeiro periódico impresso naquela cidade.

Entre 1865 e 1868, realiza os estudos preparatórios em Coimbra, e, de forma anónima, encarrega-se de diversas correspondências para jornais, e em especial para a Correspondência de Portugal. Cerca de 1868 ou 1869 abandona Coimbra, e frequenta a Academia Politécnica do Porto. Em 1869 instala-se em Lisboa e matricula-se na Escola Médico Cirúrgica, que frequenta durante dois anos. Abandona o curso para se dedicar á profissão de livreiro e editor, fundando em 1871 a Nova Livraria Internacional.

O editor começou por militar no Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, mais tarde fundou a Internacional Operária, em Lisboa [Cf. Fernando Catroga, O Republicanismo em Portugal. Da Formação ao 5 de Outubro de 1910, FLUC, Coimbra, 1991].
Na livraria de Carrilho Videira, na Rua do Arsenal, nº 96, começam a afluir um conjunto de jovens escritores e outros consagrados onde pontificavam José Falcão, Gilberto Rola, Elias Garcia, Rodrigues de Freitas, Gomes Leal, Nobre França, Silva Lisboa, Silva Pinto e Eduardo Maia, defensores da democratização da vida política portuguesa, que discutiam as novas ideias: a República, o federalismo, a democracia … [Magalhães Lima, In Memoriam do Doutor Teófilo Braga, Imp. Nacional, Lisboa, 1934].

Em 1873 fundou o jornal O Rebate, semanário de que saíram 32 números, tendo iniciado publicação em 29 de Junho de 1873 e terminado a sua existência em 27 de Fevereiro de 1874. Carrilho Videira foi um dos redactores e teve como colaboradores Eduardo Maia, Silva Pinto, visconde de Paiva Manso, Sérgio de Castro, António Joaquim Nunes, Leão de Oliveira, Horácio Esk Ferrari, José Manuel Martins Contreiras, Sebastião de Magalhães Lima, Mariano de Carvalho (Pai), e dr. Teófilo Braga: mas, este último e o primeiro (Carrilho Videira), foram os que sustentaram por mais tempo a sua colaboração. Este jornal dizia-se adepto da “doutrina republicana radical socialista”. Segundo Amadeu Carvalho Homem, Carrilho Videira procurava estabelecer pontes de “aproximação entre republicanismo e socialismo”, sendo defensor de uma via federalista o que veio provocar várias cisões no seio da organização do Partido Republicano ao longo das décadas de setenta e oitenta do século XIX.

Este grupo federalista fundou em Maio de 1873, na sequência da proclamação da República em Espanha, o Centro Republicano Federal de Lisboa.
Coadjuvou em seguida a fundação da Europa, feita em Lisboa por emigrados espanhóis, e ali teve a seu cargo a secção portuguesa. Publicou a República, de que saíram 102 números, o primeiro em 28 de Novembro de 1875 e o ultimo em 4 de Abril de 1875, colaborando neste jornal Consiglieri Pedroso.

Em 1876, envolveu-se em forte polémica com outros membros do Partido Republicano, ao ser acusado de espionagem a favor do Governo pois era acusado de ter contactos com o regenerador António Rodrigues Sampaio e de ter enviado correspondência anónima para Casimiro Gomes que terá ido para o Governo Civil de Lisboa. Devido a estas suspeitas acabaria por ser expulso pouco tempo depois da fundação deste clube. Ele fazia parte do primeiro Directório do Partido Republicano, que procurava abarcar todas as sensibilidades existentes, e tinha sido criado em Abril de 1876 e dando origem ao panfleto de Ladislau Batalha O Directório Republicano, Ed. Nova Livraria Internacional, Lisboa, 1876 que “não permitirá a conspurcação do seu amigo e mestre” [Carrilho Videira] como refere Jacinto Rodrigues aqui.

Em 3 de Dezembro de 1876 funda, juntamente com alguns dos expulsos, uma sociedade de pensamento denominada Clube Mundo Novo, de curta duração. A 2 de Janeiro de 1879 instalaram o Centro Republicano Federal, que se instalou no Largo do Contador Mor, nº 20, 1º e deste centro terá surgido em Setembro de 1879 o comité central do Partido Republicano Federal.

Em 1878, Carrilho Videira juntamente com Cecílio de Sousa e Teixeira Bastos organizam uma Junta Federal Republicana para patrocinar a candidatura de Teófilo Braga pelo círculo 94 [Alfama]. Ainda neste ano foi julgado em tribunal por se recusar a jurar sobre a Bíblia, conforme se referiu aqui.

O jornal republicano A Vanguarda, de que era redactor principal Teófilo Braga e proprietário Carrilho Videira, onde colaboravam também Teixeira Bastos, Silva Graça, Alves Correia e José António Reis Dâmaso. Começou a publicar-se em Lisboa a 12 de Maio de 1880 e termina em 25 de Dezembro de 1881.

Em 1881, a corrente federal dentro do Partido Republicano cinde-se devido à fundação do Clube Henriques Nogueira, o que perturbou bastante o pensamento de Carrilho Videira que nunca aceitou bem esta divisão, até porque este clube continuava ainda a afirmar-se federalista, embora não da forma tão radical como o afirmavam os fundadores do Centro Republicano Federal.

Conhece-se a sua colaboração na Emancipação, o primeiro semanário publicado em Tomar; no Transmontano, no Flaviense, o primeiro jornal publicado em Chaves; na Voz do Alentejo, Eco Micaelense, Democracia, Pensamento Social, Marselheza, Estudo do Norte, Enciclopédia Republicana. Em Elvas foi redactor de A Sentinela da Fronteira (1881-1891), e les États Unis de l'Europe. É presentemente correspondente da Província de S. Paulo (do Brasil).
Da sua autoria publicou Liberdade de Consciência e o Juramento Católico, Lisboa, 1872.

[em continuação]
A.A.B.M.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

EFEMÉRIDES DE AGOSTO (II)



Dia 16

1881 - Foi dissolvida por ordem administrativa a reunião eleitoral dos quatro centros republicanos do círculo nº 94, que promoviam a candidatura do Dr. Teófilo Braga, sendo preso Augusto de Figueiredo que presidia à reunião.
1907 - Realiza-se um comício de propaganda eleitoral em Campo de Ourique. É suspenso por 30 dias a Vanguarda.
1908 - A Junta Federal do Livre Pensamento efectuou a primeira sessão de propaganda em Oeiras.

Dia 17
1900 - Morre o escritor e jornalista Eça de Queiroz.
1902 - Realiza-se na Associação dos Lojistas uma sessão solene dos Centros Democráticos em Lisboa em honra do Mundo.
1906 - Realiza-se um comício republicano em Alhandra.

Dia 18
1881 - Começa a publicar-se em Lisboa o jornal O Sufrágio, semanário republicano.
1881 - Comício eleitoral realizado em Arroios (Lisboa) afim do candidato a deputado republicano pelo círculo nº 95, Elias Garcia, apresentar o seu programa político.
1893 - Azedo Gneco, chega a Lisboa vindo de Londres.
1907 - Foi preso José Bento Gonçalves, que durante vários anos pertenceu aos corpos dirigentes da Associação de Registo Civil. Após alguns dias de reclusão e incomunicabilidade, foi libertado a 6 de Setembro.
1908 - É preso Heitor Ferreira, armeiro, acusado de ter vendido a carabina com que Buiça assassinou o rei D. Carlos.

Dia 19
1882 - Sai em Viseu o primeiro número do semanário republicano Ideia Nova.
1905 - Nas eleições para deputados republicanos por Lisboa obtêem maior votação no círculo oriental os drs. Afonso Costa e António José de Almeida, e no círculo ocidental os drs. Alexandre Braga e João de Meneses.

Dia 20
1881 - Eleições gerais para deputados, obtendo as candidaturas republicanas cerca de 8000 votos.
1891 - É suprimido o jornal A Revolução de Janeiro.

Dia 21
1871 - Costa Goodolfim, José Maria Chaves e outros fundam o Centro Democrático.
1881 - É eleito deputado republicano por Lisboa, o Dr. Elias Garcia.

Dia 22
1884 - Realizam-se manifestações de protesto contra a proibição do cortejo de homenagem a Manuel Fernandes Tomás.
1887 - Morre o paladino da democracia João Rodrigues Vieira.
1906 - O Mundo publica uma local saudando, em nome do Dr. Afonso Costa, e a pedido deste, por telegrama de Cauterets, o povo republicano de Lisboa pela grande afirmação que representa o acto eleitoral de dia 19 do corrente.

Dia 23
1906 - Funda-se no Porto o Centro Democrático Duarte Leite.

Dia 24
1820 - Desencadeia-se no Porto, a revolta que vai conduzir à Revolução Liberal e à queda do Absolutismo no nosso país.
1882 - É inaugurado no porto, por iniciativa de F. M. de Sousa Brandão, o Clube Comercial Democrático.
1884 - Imponente manifestação realizada no cemitério ocidental de Lisboa para homenagear a memória do patriota e lutador pela liberdade Manuel Fernandes Tomás. Esta manifestação representava também um protesto importante contra a realeza e o Governo que tinham proibido o cortejo cívico que estava previsto.
1894 - Morre o historiador Oliveira Martins, autor de diversas obras, companheiro de Antero e impulsionador das célebres Conferências do Casino. Por sua expressa vontade é sepultado catolicamente e morre confortado com os sacramentos da Igreja.
1907 - No Centro Eleitoral Democrático realiza-se uma sessão política para apreciar os actos do Governo.

Dia 25
1882 - Reunião dos eleitores republicanos do círculo nº 98, em uma das salas da redacção do Século, para resolverem a apresentação da candidatura de Magalhães Lima nas eleições suplementares.
1905 - Morre em Marvão o democrata e livre-pensador José Carrilho Videira, fundador da Biblioteca das Ideias Modernas.
1907 - Reunem as Comissões Municipal e Paroquial de Constância para protestar contra a ditadura.

Dia 26
1908 - Foi libertado Heitor Ferreira, que tinha sido acusado de ser o vendedor da carabina utilizada para o regicídio.
1906 - Reune o Grémio Federal Republicano.

Dia 27
1880 - Publica-se o primeiro número do semanário satírico Barrete Frígio (Lisboa).
1881 - Ernesto Fernandes Tomás e outros republicanos da Figueira da Foz fundam um centro republicano com o título Fernandes Tomás, em homenagem ao seu parente e conterrâneo, Manuel Fernandes Tomás.
1885 - Morre o liberal Francisco de Mello Baracho que se bateu na ilha Terceira e no Porto pela implantação do regime liberal.
1906 - Reunem as Comissões Paroquiais de Santa Catarina e S. José e o Centro Escolar Botto Machado.

Dia 28
1906 - Recebe-se em Lisboa um telegrama de Alves da Veiga suadando o povo republicano e os seus deputados.

Dia 29
1891 - Morre em Sintra o general e líder republicano José Maria Latino Coelho, um dos importantes escritores portugueses do século XIX.
1900 - Parte para Paris o Dr. Manuel de Arriaga.
1906 - Comício anti-clerical, em Beja, presidido pelo Dr. Miguel Bombarda.
1906 - Reune extraordinariamente a Comissão Paroquial Republicana de Benfica.

Dia 30
1901 - Regressa do Pará o alferes Augusto Malheiro, um dos chefes militares da Revolta de 31 de Janeiro de 1891, no Porto.
1906 - Reunem na Câmara Municipal de Lisboa as assembleias de apuramento dos dois círculos eleitorais, apurando-se com respeito aos candidatos republicanos por Lisboa aseguinte votação: Pelo círculo oriental, Dr. António José de Almeida , 6467 votos;o Dr. Afonso Costa, 6351 votos; Dr. Bernardino Luiz Machado Guimarães, 6284 votos; Dr. Augusto de Vasconcelos, 6062 votos; Dr. Pedro António Betencourt Raposo, 6168 votos.
Pelo círculo ocidental: Dr. João de Meneses, 5117 votos;Dr. Alexandre Braga, 5037 votos; Francisco José Fernandes Costa, 4930 votos; João José de Freitas, 4929 votos; e, José Correia Nobre França, 4438 votos.
1908 - A Junta Federal do Livre Pensamento e a Associação do Registo Civil efectuam a sua primeira sessão de propaganda em Linda-a-Velha, para se organizar ali a Junta Local do Livre Pensamento.

Dia 31
1900 - É notificada uma querela ao jornal Reacção, jornal republicano do Porto.
1904 - Morre na Figueira da Foz, o benemérito propagandista e amigo da instrução popular, João Jacinto Fernandes.
1906 - Grande reunião partidária no Centro Eleitoral Democrático, para tratar da eleição da Comissão Municipal Republicana.

Foto: o dr. Miguel Bombarda discursando num comício republicano (1909) - in Arquivo Fotográfico

A.A.B.M.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

É PROIBIDO TER MEMÓRIA!


É proibido ter memória!

Um censor alucinado, maliciosamente alojado no ISCSP e a coberto de um presuntivo iletrismo informático, apagou o valioso e estimado acervo do Centro de Estudos do Pensamento Político (CEPP) laboriosamente lavrado pelo professor José Adelino Maltez.

O lugar (CEPP) que tão bem soube agasalhar um infindável rol de personagens que são pertença da nossa história; esse abundante inventário, ordenado e minuciosamente classificado de homens, mulheres e eventos da nossa memória colectiva; esse conjunto de verbetes únicos sobre o pensamento político português; os valiosos quadros cronológicos facultados; tudo o que era uma fonte de consulta obrigatória para estudiosos, leitores atentos ou simples curiosos, lastimosamente se esfumou da rede. O "reservado", onde tantas e tantas vezes recorremos para trabalhos biográficos ou simples iniciação, foi extraviado.

Essa biblioteca virtual, que com mérito e generosidade o professor José Adelino Maltez construiu e nos honra, sofreu um rude "apagão" às mãos da ignorância, da irresponsabilidade e da arrogância de "mandarinatos universitários" (citando Vital Moreira), que ontem como hoje têm da cultura, do trabalho e do ensino um insaciável desprezo. Que esses fantasiosos académicos, neste país de "muita vergonha", habitem o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e a Universidade Técnica de Lisboa, surpreende pela sua gratuidade e impressiona. Não sabem dignificar a instituição, revelando, bem à maneira do que diz o vate Pessoa, que a cegueira voluntária é o pior dos atestados e defeitos da vida mental portuguesa. E que é proibido ter memória.

J.M.M. / A.A.B.M.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

A IMPRENSA REPUBLICANA NO DISTRITO DE COIMBRA (V)



18 – Portugal
Semanário republicano.
Redactores: Artur Leitão, Alexandre Braga, Guedes Teixeira, Joaquim Madureira e Pais Gomes.
Colaboradores: Augusto Gil, Pedro Martins, António Silveira e João Tudela.
O primeiro nº publicou-se em 14-04-1896 e o último foi o nº 10, a 7-07-1896.

19 – A Pátria
Periódico quinzenal.
Director: Hermínio da Silveira
Começou a publicar-se em 20-01-1897, concluindo a publicação com o nº 24, datado de 31-01-1898.

20 – Voz do Porvir.
Semanário Republicano de estudantes.
Redactores: Artur Anselmo Ribeiro de Castro e José Nepomuceno.
Colaboradores: Alexandre de Matos, Patrício Júnior, entre outros.
Começou a publicar-se em 07-03-1897 até ao nº 7 de 2-05-1897.

21 – A Praça Pública
Número único, com data de 01-04-1897.
Director: Artur Leitão.
Colaboradores: António José de Almeida, Joaquim Madureira e F. Macedo Pinto.

22 – Portugal
Semanário republicano, que se publicava aos domingos.
Colaboradores: neste jornal encontram-se as colaborações quase todas encobertas por pseudónimos indecifráveis como: Jocle, um português, Lopes Guimarães [???], etc.
Redacção: Rua do Corpo de Deus.
Administração: Rua do Borralho.
Este periódico publicou-se inicialmente em 7-11-1897 e termina com o nº 3, de 21-11-1897 dando origem ao semanário Clarim das Ruas.

23 – Clarim das Ruas
Semanário Republicano Académico.
Publicava-se às quintas-feiras.
Redacção: Rua do Corpo de Deus.
Administração: Rua do Borralho.
Colaboradores: Jacinto Nunes, Carlos Antunes e muitos outros que se ocultavam sob pseudónimo, com receio de represálias.
Publicou somente um número, com data de 2-12-1897, tendo sido suspenso pelas autoridades.

24 – O Revoltado.
Número único, com data de 1-12-1898.
Impresso, de forma clandestina, na Tipografia do Tribuno Popular.

[a continuar]

A.A.B.M.

COIMBRA - LARGO MIGUEL BOMBARDA


Coimbra

1910 - Coimbra, Largo Miguel Bombarda (actual Largo da Portagem ou antigo Largo Príncipe D. Carlos)

J.M.M.

sábado, 18 de agosto de 2007

A IMPRENSA REPUBLICANA NO DISTRITO DE COIMBRA (IV)



12- Gazeta de Coimbra
Semanário republicano
Director: António Augusto Gonçalves;
Colaboradores: Machado de Almeida, Francisco Bastos, Gomes da Silva, entre outros.
O primeiro número publicou-se a 1-1-1887 e o último, o número 38, em 20-09-1887.

13 - Ultimatum
Número único [publicação muito polémica e que foi imediatamente querelada pelo governo, tendo alguns dos seus colaboradores sido presos e julgados.]
Colaboradores: Afonso Costa, António José de Almeida, Alberto Osório de Castro e Albertino Pinho.
Publicou-se em 23-03-1890.

14 - Alarme
Bi-semanário republicano, publicava-se às quintas-feiras e domingos.
Director: Pedro Cardoso.
Colaboradores: António Augusto Gonçalves, António José de Almeida, Heliodoro Salgado, Feio Terenas, Jacinto Nunes, Teixeira de Brito, António Claro e Joaquim Santos Figueiredo, etc.
Iniciou publicação em 4-06-1891 e terminou com o número 104, de 29-05-1892.

15 - Azagaia
Jornal republicano.
Colaboradores: António José de Almeida, Cunha e Costa, Silvestre Falcão, Francisco Couceiro, Fernando de Sousa e João de Meneses.
O primeiro número publicou-se em Dezembro de 1891 e o nº 2 em Janeiro 1892.

16 - O Defensor do Povo.
Bi-semanário republicano.
Director: Heliodoro Salgado.
Colaboradores: Afonso Costa, António José de Almeida, Pinto da Rocha, Guedes de Oliveira, entre muitos outros.
Publicaram-se 2 séries deste jornal: a primeira entre 21-07-1892 a nº 266, de 17-02-1895; a segunda inicia-se em 1-05-18895 até Fevereiro de 1899.

17 - Resistência
Bi-semanário; órgão do Partido Republicano de Coimbra.
Directores: Francisco José Fernandes Costa e Joaquim Martins Teixeira Carvalho.
Colaboradores: António José de Almeida, Afonso Costa, João de Meneses, Guilherme Moreira, Manuel de Sousa Pinto, João de Barros, Joaquim Madureira, António Aurélio da Costa Ferreira.
Este jornal começa a publicar-se em 21-5-1895 a nº 673 de 23-08-1901, quando termina a primeira série. Em 16-2-1902 inicia-se a 2ª série que vai terminar em 24-05-1909.

[a continuar]

A.A.B.M.

LIVRARIA SÁ DA COSTA


Livraria Sá da Costa

1913 - Livraria Sá da Costa (Lisboa).

Foto de Alberto Carlos Lima, in Arquivo Fotográfico.

J.M.M.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

IMPRENSA REPUBLICANA NO DISTRITO DE COIMBRA (III)



8 A - Republica Portuguesa
Órgão do Partido Republicano de Coimbra
Semanário
Director: Manuel Emídio Garcia
Colaboradores: Silva Pinto, Albano Coutinho, Magalhães Lima, entre outros.
Começou a publicar-se em 01-05-1873 e publicou 14 números até 24-07-1873.
[Por lapso nosso, este jornal sai da ordem cronológica que nos tinhamos proposto seguir nestas pistas para uma inventariação da imprensa republicana nos diferentes distritos.]

11 - A EvoluçãoSemanário Republicano Académico.
Redactores: Manuel Duarte Laranjo, Gomes Palma e José Francisco Azevedo e Silva.
Colaboradores: Manuel da Silva Gaio, António Feijó, Eduardo de Araújo, Emídio Garcia, Luís Osório, Rodrigues Nogueira, entre muitos outros.
Publicaram-se 29 números deste periódico entre 27-12-1881 e 22-07-1882.

[a continuar]

A.A.B.M.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

TRINDADE COELHO (Parte III)



Notas para uma bio-bibliografia de Trindade Coelho.

Obras publicadas:
O Marquês de Pombal. Discurso pronunciado no comício anti-jesuítico no Teatro Académico de Coimbra no dia 7 de Maio de 1882, 1882 [folheto muito raro, com 15 páginas];
Os Meus Amores, 1891;
Toireiros e Toiradas, de António Ferreira Barros, 1896. [Pref.de Trindade Coelho; com retratos]
Liberdade de Imprensa. Proposições apresentadas ao Congresso da União Internacional de Direito Penal, 1897;
Recursos finais em processo criminal: de polícia correccional, correccional e ordinário, 1897;
Campo de flores. Exame da chamada edição autêntica e definitiva, 1897 [Alfredo Carneiro da Cunha com colaboração de Trindade Coelho].
Dezoito Anos em África. Notas e Documentos para a Biografia do Conselheiro José de Almeida, 1898;
ABC do Povo, 1901;
A Minha Candidatura por Mogadouro (Costumes Políticos em Portugal), 1901;
Recursos em Processo Criminal das Decisões Finais e Interlocutórias, 1901;
In Illo Tempore, 1902;
O Primeiro Livro de Leitura (manual escolar), 1903;
Anotações ao Código Penal e à Legislação Penal em vigor, 1903;
Incidentes em Processo Civil, Explanação prática dos artigos 292 a 356 do Código do Processo Civil (seguido de um formulário), 1903;
O Segundo Livro de Leitura (manual escolar), 1904;
Pão Nosso ou Leituras Elementares e Enciclopédicas para uso do Povo, 1904;
O Terceiro Livro de Leitura (manual escolar), 1905;
Manual Político do Cidadão Português, 1906;
Comunicação Dirigida à Maçonaria Portuguesa, 1906;
Carvões (versos), 1907; [por lapso, esta obra era referida nas nossas fontes como sendo de José Francisco Trindade Coelho, quando na realidade era do filho Henrique Trindade Coelho, pelo facto pedimos as nossas desculpas]
Roteiro dos Processo Especiais – Exposição Prática dos Artigos 406º a 776º do Código de Processo Civil, 1907;
Parábola dos Sete Vimes, 1900 [veio a público sem o nome do autor, folheto muito raro];
Primeiras Noções de Educação Cívica, s.d.[?];
Remédio Contra a Usura, s.d. [?];
Cartilha do Povo, s.d.[?];
Elementos de Educação Cívica, s.d. [?];
Terra Mater, [???];
Loas à Cidade de Bragança, para que não entregue o seu mando senão aos seus filhos, s.d. [folheto muito raro deste autor]

Obras póstumas:
Autobiografia e Cartas, pref. De Carolina Michaelis de Vasconcelos, 1910;
O Senhor Sete - Dispersos Folclóricos e de Doutrina Literária, 1961;

Colaborações em periódicos:
[em alguns casos conseguiu-se a indicação do período em que o autor colaborou, noutros apontou-se simplesmente o período de publicação das mesmas quando foi possível determinar]

Actualidades, Artes, ciências e letras, Lisboa, 10-08-1906 a Dezembro de 1907;
A Alvorada, Revista mensal literária e científica, Vila Nova de Famalicão. 16 de março de 1887. [Número de homenagem a Camilo Castelo Branco no dia do seu 61.º aniversário natalício]
Arquivo Literário, Lisboa, Outubro/Novembro de 1922 a Janeiro/Junho de 1928;
A Associação, Lisboa, 1902, [Número comemorativo do XXX aniversário da Associação de Empregados do Comércio de Lisboa];
O Ateneu, Ciências, Artes e Letras, Revista Quinzenal, Portalegre, 15-12-1887 a 15-06-1888;
Aurora do Minho, Ano 2.º, 09-12-1888. N.º 80. Braga.[Número dedicado a António Fogaça]
Beira e Douro. Homenagem a Suas Majestades, Lamego, 15-08-1882.
A Boémia, Revista literária, biográfica e de crítica social, Porto, Outubro de 1901 a Fevereiro de 1902;
Boletim Parlamentar do Distrito de Bragança, Lisboa,
Brasil - Portugal, Revista quinzenal ilustrada, Lisboa, 01-02-1899 a 16-08-1914;
O Campeão, Semanário de literatura, crítica e de sport, Porto, 05-11-1899 a 15-04-1901;
O Comércio do Porto Ilustrado, Porto, 1893 a 1941;
Consagração, Lisboa, Dezembro de 1904[nº único dedicado a Sebastião de Magalhães Lima];
Contemporâneo, Coimbra, dir. Trindade Coelho, 1883-1884.
Correio de Aveiro, Aveiro,
Correio Nacional, Lisboa, 1892-
Correspondência de Portalegre, Portalegre,
Diário Ilustrado, Lisboa, [assegurava a secção “Cartas Alentejanas”, quando estava colocado em Portalegre]
Fraternidade militar, 30-04-1887. Coimbra, 1887 [Número único];
Gazeta Ilustrada, Coimbra, 29-05-1901 a 23-11-1901;
Gazeta de Portalegre, Portalegre [Tradução de “Pescador de Islândia” de Pierre Loti]
Gente Nova, Quinzenário portuense de literatura, sport e teatro, Porto, 08-04-1922 [nº único];
Ilustração Moderna, Revista de literatura e arte, Porto, 01-07-1898 a 30-06-1903;
Ilustração Transmontana, Arquivo pitoresco, literário e científico das terras transmontanas, Porto, Janeiro de 1908 a Dezembro de 1910;
Ilustração Universal, Portugal a Espanha, s.l., s.d.;
O Imparcial de Coimbra, Coimbra, 25-12-1884 [nº dedicado à comemoração do plebiscito literário];
O Instituto, Jornal científico e literário, Coimbra, Abril de 1852 a 1981;
Limiana, História, literatura, etnografia, Viana do Castelo, Julho de 1912 a 1917;
Lisboa Elegante, Música, literatura, teatros, sports, biografias, etc., Lisboa, 01-02-1902 a 20-04-1902;
A Literatura, Revista Quinzenal Literária, Lisboa, 01-08-1891 a 15-10-1891;
Mala da Europa, Lisboa, 8-03-1895, [nº de homenagem a João de Deus];
Mocidade, revista mensal, Lisboa, 01-03-1899 a 02-1905;
Nova Alvorada, Revista mensal literária e científica, Vila Nova de Famalicão, 01-05-1891 a 1903;
O Ocidente, Revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, Lisboa, 01-01-1878 a 10-06-1915;
Panorama Contemporâneo, Coimbra, 01-11-1883[dirigiu esta publicação até ao nº 5, 1-02-1884; utilizou o pseudónimo de Belisário];
A Porta-Férrea, Coimbra, 13-11-1881;
Portugal, Lisboa, [utilizava o pseudónimo Ch. A. Verde]
Portugal-Espanha, Março de 1885 [nº único dedicado às vítimas dos terramotos de Granada e da Andaluzia];
O Progressista, Coimbra, [Trindade Coelho utilizou também o pseudónimo Belisário neste jornal em 1882];
Repórter, Lisboa, 1893-1896 [o Cancioneiro Transmontano foi publicado entre Janeiro a Março de 1893, na secção Ecos, sob o pseudónimo de Ch. A. Hysson];
Revista de Direito e Jurisprudência, onde era secretário de redacção, Lisboa, 1898-1899;
Revista Ilustrada, Lisboa, 1889 [Trindade Coelho colabora a partir de Março de 1892]
Revista Nova, Lisboa, Novembro de 1893 a
O Rosmaninho, revista quinzenal, Porto, 15-04-1900 a 15-08-1900;
A Semana Literária, suplemento ao Correio de Lisboa, Lisboa, 02-04-1893;
Sociedade Futura, Revista quinzenal de arte, Lisboa, 01-05-1902 a 01-03-1904;
A Tradição, Revista mensal de etnografia portuguesa ilustrada, Serpa, Janeiro de 1899 a Junho de 1904 [O Senhor Sete foi publicado parcialmente entre 3-Março de 1900 a Abril de 1901];
Tribuna, Lisboa, 01-01-1899;
Diário de Notícias, Funhal, 1876 - ?[Trindade Coelho colabora entre 1885-1886 ?];

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
CABRAL, Alexandre, Dicionário de Camilo Castelo Branco, Caminho, Lisboa, 1988;
CABRAL, António, Homens e Episódio Inolvidáveis. Cartas Inéditas de Camilo; O Berço de Eça; Páginas de Memórias Políticas, Livraria Bertrand, Lisboa, 1947, p. 117-132.
CAYOLLA, Lourenço, Revivendo o Passado, Imprensa Limitada, Lisboa, 1929, p. 239-261.
CHORÃO, Luís Bigotte, O Periodismo Jurídico Português do Século XIX, col. Temas Portugueses, INCM, Lisboa, 2002, p. 286-287.
DIAS, Augusto da Costa, A Crise da Consciência Pequeno-Burguesa. O Nacionalismo Literário da Geração de 90, Portugália, Lisboa, 1962.
MARQUES, A. H. de Oliveira, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol.I, Editorial Delta, 1986, col. 355.
MONTEIRO, Ofélia Paiva, “Carolina Michaelis e Trindade Coelho. O encontro de dois humanistas poetas”, Revista da Faculdade de Letras Línguas e Literaturas, vol. XVIII, Porto, 2001, p. 49-62 [ Pode ser consultado aqui].
PIRES, Daniel, Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do século XX (1900-1940), Grifo, Lisboa, 1996.
RODRIGUES, Ernesto, Mágico Folhetim. Literatura e jornalismo em Portugal, Editorial Notícias, Lisboa, 1998.
SILVA, Inocêncio Francisco da, Dicionário Bibliográfico Português [curiosamente nesta obra clássica da bibliografia portuguesa não existe um verbete sobre este autor, embora se encontrem referências esparsas sobre o mesmo];
VIEIRA, Célia; NOVO,Isabel Rio, Literatura Portuguesa no Mundo, vol. III, Porto Editora, 2005.

A.A.B.M.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

TRINDADE COELHO (Parte II)




Ao longo de toda a sua vida Trindade Coelho vai escrevendo e publicando com regularidade. Conhecem-se alguns pseudónimos por si utilizados nos diferentes periódicos onde colaborou, entre os quais: Cojo Elhose, Belisário, Ch. A. Hysson, entre outros.
No início da sua vida literária enviou um manuscrito à Associação de Jornalistas de Lisboa que acabaria por ser premiado, o que lhe abriu alguns caminhos no desenvolvimento da sua vida jornalística e literária durante o século XIX.

A sua obra-prima, Os Meus Amores, foi publicada em 1891. O segundo livro mais conhecido, In Illo Tempore, uma espécie de livro de memórias da vida estudantil de Coimbra, sai em 1902. Dedica parte importante da sua obra à produção de opúsculos de carácter jurídico, doutrinário, cívico e pedagógico. A educação do povo merece-lhe uma série de folhetos. Em 1902 escreve uma Autobiografia, dedicada a uma amiga de Hamburgo, Louise Ey. Este texto dá-nos pistas para a compreensão tanto da sua vida como do seu carácter e também da sua obra. Só seria publicada em livro em 1910, num volume que incluía também alguma epistolografia, mas passaria a integrar Os Meus Amores a partir da 9ª edição.

Trindade Coelho pertence ao grupo de cultores do chamado conto rústico, com alguma tradição na literatura portuguesa do séc. XIX e ainda no séc. XX. O seu protótipo em Portugal é O Pároco da Aldeia, de Alexandre Herculano. A defesa da matriz rural do nosso país, que se opõe, em parte, aos excessos do positivismo filosófico, idealizando a vida tranquila do campo como alternativa à vida desumana das grandes cidades. Segundo se conseguiu apurar o seu autor favorito era Pierre Loti (1850-1923), autor francês que traduziu para a Gazeta de Portalegre.

O seu livro mais conhecido, Os Meus Amores, é daquelas obras que continua a editar-se e a ler-se, mesmo nos nossos dias. Consta de uma colectânea de contos que marcaram a Literatura Portuguesa. Trata-se de um conjunto de quadros descritos de forma simples e acessível a todos. Alguns textos marcam pela emoção com que o autor os descreve, o que induz facilmente a empatia do leitor.

Nos escritos de Trindade Coelho encontram-se diversas referências à sua região e às terras onde cresceu. Em A Minha Candidatura por Mogadouro (Costumes Políticos em Portugal), onde recorda a tentativa do ministro da Justiça para o convencer a aceitar ser deputado por Portalegre.
Num dos seus Folhetos para o Povo intitulado Loas à cidade de Bragança, para que não dê o seu mando senão aos seus filhos, exortando esta cidade a que não se submeta a Vila Real. Trindade Coelho coloca-se do lado dos que defendiam no Jornal de Mirandela, de 10 de Novembro de 1900, que em Bragança se deve fazer política «com os seus vizinhos (vizinhos da porta: o contrário de vila-realenses) e nunca com os adventícios [inimigos da sua terra] (os tais marinheiros do couraçado Aléu)», numa referência a Teixeira de Sousa que era natural de Vila Real.

Pertenceu à Maçonaria, tendo sido iniciado em 1906, pertenceu à loja Solidariedade de Lisboa com o nome simbólico de Renovador.

Lourenço Cayola, que com ele conviveu e trocou algumas cartas, descrevia-o da seguinte forma: De estatura um pouco baixa, peito largo, cara redonda, bigode farto, olhos muito luminosos, mas com o brilho embaciado pelo uso constante da luneta e uma voz de trovão, a primeira impressão que se colhia ao fitá-lo, não era das mais agradáveis. Trocadas porém com ele algumas palavras essa impressão desvanecia-se e substituía-a uma outra inteiramente diferente.

Por seu lado, António Cabral recorda: Veio o ano terrível de 1907. O ministério presidido por João Franco tinha entrado, para desgraça do País, em aberta ditadura, tão estéril como violenta, a que pôs termo o assassínio vil do grande rei D. Carlos e do malogrado Príncipe Real, D. Luís. Em 21 de Novembro desse ano de 1907, foi publicado o decreto que sujeitava os processados políticos à alçada do juiz criminal, para serem julgados pela lei de 13 de Fevereiro de 1896, contra os anarquistas – a lei celerada, como lhe chamavam os avançados.
Trindade Coelho não se conformou com esta determinação governativa. Para não ter que a aplicar, como agente do Ministério Público, pediu a demissão do seu cargo, sem olhar a interesses pessoais, sem considerar que o seu lar ficava sem o pão de todos os dias. Confiava, o pobre ingénuo, em que lhe viria a ser dada a devida reparação …Sempre fantasista e crédulo! … Nunca lha deram.


Num domingo, pelas cinco horas da tarde, no quarto andar do nº 20 da Rua de S. Roque, em Lisboa, Trindade Coelho suicidou-se com um tiro de revólver no coração. Aos 47 anos desaparecia um dos grandes valores da literatura portuguesa dos finais do século XIX que ainda hoje permanece algo esquecido.

Porque não recordar Trindade Coelho no centenário da sua morte que se assinala no próximo ano de forma condigna, ou na sua terra natal (Mogadouro) ou com iniciativas dos Departamentos/ de Literatura das Universidades Portuguesas?
Sabemos que está em preparação um estudo do Prof. Hirondino Fernandes sobre Trindade Coelho, onde se publicará alguma correspondência do escritor acompanhada de importantes apontamentos bio-bibliográficos, na senda do trabalho que este investigador apaixonado pelos autores do distrito de Bragança tem vindo a desenvolver ao longo de décadas. Ficamos à espera de outras novidades neste domínio.

[a continuar]

A.A.B.M.

J. F. TRINDADE COELHO


J. F. Trindade Coelho

"Nasci num atoleiro e hei-de morrer nele! Portugal é um país perdido, miseravelmente abandonado pelos seus filhos, à espera talvez de morrer (...)

Desde que regressei ainda não acendi a luz do meu gabinete, e procuro matar o tempo a ler algum romance todo ou … a dormir. Isto há-de passar, pouco a pouco. Já estive muito pior, e revivi. Mas estou muito doente, e apoderou-se de mim uma descrença absoluta! Nem no trabalho confio já. E não podendo, por temperamento, converter-me num pulha, tendo de aceitar que sou um condenado, à mercê dos maus … Isto é deles, dos maus! Não vale a pena trabalhar por ideais irrealizáveis! Só uma causa estranha poderá inaugurar uma era de redenção – mas nem esse fenómeno surgirá
"

[Trindade Coelho, in Autobiografia e Cartas, 1910]

J.M.M.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

TRINDADE COELHO (Parte I)



José Francisco Trindade Coelho nasceu em 18 de Junho de 1861, em Mogadouro. Seu pai, João Trindade,pequeno comerciante, tinha uma loja que ficava junto ao Convento de São Francisco.

José frequenta a escola régia de Mogadouro, em 1868, e prosseguiu no ano seguinte em Travanca, aldeia do mesmo concelho, a cerca de 15 km da sede, com o professor régio, em cuja casa se hospedou, juntamente com o irmão Abílio, também estudante. A morte da mãe, aos seis anos, entretanto ocorrida, obrigou ao regresso dos dois irmãos a Mogadouro, onde frequentam então as aulas de latim.
Em 1873, Trindade Coelho parte para o Porto prosseguindo os estudos, no Colégio São Carlos, que ficava na Rua Fernandes Tomás. Foi um estudante algo rebelde. No Porto viu pela primeira vez um artigo seu “Cepticismo” impresso num jornal, o que constituiu a sua iniciação na actividade jornalística, que exercerá intensamente pela vida fora. É também no Porto que escreve os primeiros trabalhos de índole propriamente literária: os contos “O Enjeitado”, e “Trovoada”.

Em 1880 encontramo-lo em Coimbra a estudar Direito. Mas logo nesse primeiro ano se entrega à sua paixão pelo jornalismo, colaborando em diversos jornais e inclusivamente fundando outros, e à boémia estudantil, de tal modo que não conseguiu passar de ano. Em Coimbra, começou a assinar trabalhos jornalísticos com o apelido do pai, Trindade. Este facto levou o pai a cortar-lhe a mesada no ano seguinte, pelo que teve de assegurar a sua subsistência com a pena. No 4º ano, já casado e com um filho, morre-lhe o pai, que era o único amparo de que dispunha. A vida corre com grandes dificuldades, que pouco se alteram quando, por influência directa de Camilo Castelo Branco, que intercede junto de Lopo Vaz de Sampaio e Melo, e é feito delegado do procurador régio no Sabugal. Conclui o curso em 1885.
De facto, a penúria de recursos acompanhá-lo-á até ao termo dos seus dias, constituindo uma causa de amargura que poderá ter tido também o seu peso no desfecho final.

De Sabugal passa a Portalegre, e daí a Ovar, acumulando experiência e conhecimento dos homens e, ao mesmo tempo, um sentimento de repulsa pelas injustiças e pelos golpes de baixa política que ia testemunhando e dos quais procurava manter-se afastado, por imperativo ético, já que procurou sempre ser um magistrado íntegro e apostado em repor a justiça onde ela não tivesse sido feita.
Tornou-se um jurista com alguma reputação e participou na elaboração do texto da Lei de 21 de Julho de 1899, que reprimia o anarquismo. Foi ainda responsável pela redacção do Regulamento do Ministério Público.
O próximo passo da sua carreira foi o lugar que ele próprio classifica de antipático de velar pelo cumprimento da chamada Lei das Rolhas, imposta à imprensa na sequência do Ultimato Inglês. Colocado em Lisboa desde 1889, passa por um tribunal fiscal; transita por África de forma breve, sendo depois transferido para Sintra; e finalmente, em Novembro de 1895, é colocado como delegado do procurador régio da 3ª Vara do 2º Distrito de Lisboa, cargo de que pede a demissão em 1907 [ou de que foi demitido ???], durante a ditadura de João Franco, voltando a sentir por esse facto grandes dificuldades económicas, que precipitaram a sua morte.

Apesar de ser “alegre como uma romaria e pequenino mas tesinho”, no dizer de Eugénio de Castro, Trindade Coelho era sujeito a ataques de neurastenia que o fragilizavam. A sua desilusão com a política e com a justiça, bem como o espectro da pobreza sua e dos seus (mulher e filho), amarguram-no. Foi na sequência de um desses momentos de desespero que se suicidou em Lisboa, em 9 de Agosto de 1908.

[a continuar]

A.A.B.M.

D. MANUEL II



D. Manuel II

J.M.M.

sábado, 11 de agosto de 2007

EFEMÉRIDES DE AGOSTO (I)

Dia 1

1906 - Na sede da Associação dos Lojistas realiza-se a sessão solene para inauguração do Centro António José de Almeida.

1907 - João Chagas começa a colaborar no Mundo, na secção Diário Livre.

Dia 2
1880 - Sai no Porto o primeiro número do jornal A Justiça Portuguesa.
1891 - O relatório dos médicos que examinaram Sara de Matos, confirma que a jovem noviça do Convento das Trinas, fora violada e envenenada, facto que foi muito difundido pela imprensa republicana e nos grupos anticlericais.
1907 - Realiza-se o julgamento de O Mundo no tribunal da Boa-Hora, sendo o Dr. António Maceira o advogado de defesa. O jornal republicano é absolvido.

Dia 3
1898 - São notificadas duas querelas ao jornal Lanterna.
1906 - O Dr. João de Meneses realiza uma conferência na sede da Academia de Instrução Popular.

Dia 4
1878 - Foi absolvido Carrilho Videira, escritor democrata, e livre pensador, acusado de não querer prestar juramento católico. Foi seu defensor o Dr. Manuel de Arriaga. No final da audiência houve manifestações à porta do tribunal.
1878 - O partido republicano alcança em Coimbra 513 votos nas eleições municipais.
1891 - Começa a cumprir a sentença de cadeia a que tinha sido condenado, o jornalista republicano Heliodoro Salgado, condenado a seis meses de prisão por delito de lberdade de imprensa.
1901 - Chega a Lisboa o capitão Amaral Leitão, um dos chefes da revolta militar de 31 de Janeiro, vindo do Brasil.
1906 - O Dr. Bernardino Machado realiza uma conferência no Centro Eleitoral Republicano.

Dia 5
1881 - É instalado em Lisboa, na Rua das Farinhas, nº1, o Centro Eleitoral Republicano Gomes Leal.

1895 - Funda-se em Lisboa a Associação Propagadora da Lei do Registo Civil. Foram seus fundadores: Ferreira Chaves, Eduardo Pinto, José da Costa Lemos, Lomelino de Freitas, Vasco Gamito, Raul Joaquim Gil, Carlos Cruz, entre outros.
1898 - Chaga a Lisboa o Dr. Campos Salles, ex-presidente da República do Brasil.
1906 - Realizam-se comícios de propaganda eleitoral republicana no Porto, Merceana, Atalaia, Vila Verde, Labrugeira, Alenquer e Almeirim.
1908 - Publica-se na Covilhã o número único A Verdade, folha liberal para combater os jesuítas e as irmãs da Caridade do Hospital D. Amélia. É seu director e proprietário o Dr. José Pereira Barata, médico do mesmo hospital e sub-inspector escolar.

Dia 6

1901 - Morre em Lisboa o jornalista, comerciante, bibliotecário-mór da Biblioteca Nacional, maçon, e autor teatral António José Ennes. Fundou e dirigiu ainda O País, O Progresso e fundou O Dia.
1906 - O Dr. João de Meneses realiza uma conferência de propaganda eleitoral em Belém. O Dr. António José de Almeida faz uma conferência em Benfica. Proíbe-se a reunião do partido republicano em Alcantara para a realização da eleição da comissão paroquial.


Dia 7
1875 - Publica-se o primeiro número do semanário socialista O Protesto.
1881 - Realizam-se comícios eleitorais republicanos nos seguintes pontos: em Lisboa, onde se apresentava como candidato o Dr. Manuel de Arriaga; no Porto, apresentava-se Alves da Veiga; e, em Setúbal, Jacinto Nunes apresentava-se também como candidato a deputado.
1881 - Funda-se em Aveiro o Club Eleitoral Republicano Aveirense.
1906 - Inaugura-se o Centro Republicano das Mercês.

Dia 8

1899 - O jornal francês La Vague publica uma entrevista com Guerra Junqueiro sobre a questão Dreyfus.
1903 - Os estudantes da Academia Politécnica do Porto felicitam Emile Combes,primeiro-ministro francês, numa mensagem enviada a propósito da promulgação da lei de separação do Estado e da Igreja naquele país.

Dia 9
1873 - Publica-se no Porto o periódico socialista O Bom Senso.
1876 - Publica-se em Angra de Heroísmo o primeiro número da Ideia Nova, folha liberal, que realizou campanha anticlerical.
1900 - Reunem-se as comissões paroquiais de Lisboa, resolvendo dirigir uma mensagem aos deputados republicanos pelo Porto. É eleita a Comissão Municipal Republicana de Lisboa.
1906 - Realizam-se sessões de propaganda eleitoral no Centro Rodrigues de Freitas e Grémio Federal Republicano e na Quinta da Laranjeira, em Benfica.

1908 - Suicida-se Trindade Coelho, autor do Manual Político do Cidadão Português. O Cardeal Patriarca censurou padre que encomendou e acompanhou o funeral até ao cemitério.
1908 - Assinalando o 13ºaniversário, a Associação do Registo Civil veste vinte e quatro crianças pobres de ambos os sexos, registadas civilmente, servindo também nessa ocasião uma pequena refeição a todas as crianças e senhoras presentes.

Dia 10
1881 - É julgado, por suposta falta de habilitações, o proprietário da Tipografia onde era impresso O Trinta, sendo condenado à prisão remível e custas, bem como os selos do processo. Nessa mesma data começava a ser apregoado pelas ruas de Lisboa o novo periódico republicano A Folha do Povo, sucessora do Trinta.
1904 - Morre o jornalista Ribeiro de Azevedo, redactor da Lucta e da Folha do Povo. Foi enterrado civilmente.
1906 - Realizam-se sessões de propaganda eleitoral no Centro Rodrigues de Freitas, Escola de Ensino Liberal, em S. Paulo (Benfica) e em Alcântara.

Dia 11
1878 - Começa a publicar-se em Lisboa o semanário republicano Amigo do Povo.
1889 - Festas maçónicas em Aveiro. Descobre-se a lápide comemorativa na casa onde nasceu o grão-mestre José Estevão Coelho de Magalhães. Realizam-se banquetes, saraus, cortejo cívico, etc.
1906 - Em S. Paulo (Benfica), e no Centro Republicano de Alcântara, realizam-se sessões de propaganda eleitoral.

Dia 12
1889 - É ianugurada a estátua de homenagem ao grande orador parlamentar José Estevão Coelho de Magalhães, grão-mestre da Maçonaria Portuguesa e fundador do Asilo de S. João.
1902 - Grandioso comício republicano em Lisboa. Heliodoro Salgado realiza uma conferência no Centro Rodrigues de Freitas. Realiza-se ainda um comício de propaganda eleitoral em Samora Correia.

Dia 13
1906 - Realizam-se sessões de propaganda eleitoral republicana no Centro Rodrigues de Freitas, Academia de Instrução Popular, Grémio Federal Republicano, na freguesia da Lapa e em Sintra.

Dia 14
1881 - É inaugurado em Alhos Vedros um Centro Republicano.

1906 - Realizam-se sessões de propaganda no Centro Escolar Afonso Costa e Academia de Instrução Popular. É julgado no Porto o jornal republicano Voz Pública, sendo advogado de defesa o Dr. Germano Martins.

Dia 15
1848 - Nasce António José Ennes, escritor, jornalista e autor da peça Os Lazaristas.
1889 - A maçonaria promove, com auxílio das agremiações republicanas, um cortejo cívico ao Largo das Cortes, onde deposita uma coroa de bronze na estátua de José Estevão Coelho de Magalhães.
1906 - Realizam-se comícios de propaganda em Alcântara, Setúbal, Porto e Foz.

A.A.B.M.

DE REGRESSO


De regresso

Após salutar descanso retomamos os apontamentos sobre a Alma Republicana. Conversação antiga, percurso acalentado, paciente e estimado - afinal paixão antiga que nos alumia a alma -, o Almanaque Republicano está de volta.

Sacudindo as poeiras de velhos arquivos, invocando testemunhos assombrados de grandezas e delírios que sempre arrancaram memorandas empresas - umas audaciosas, angustiantes e redentoras, outras turvas mas não menos ilustres - recordamos aqui o destino grande da Alma Lusitana que faz desfilar gerações de homens e mulheres que professaram causas e combates empenhados e para sempre reconhecidos. E que, de facto, nos marcaram o tempo, a vida colectiva e o nosso destino. E nos merecem, por isso mesmo, atenção devida.

O tributo à sua memória, o respeito, a linhagem e a grandeza revelada por todos esses homens, devem ser resgatados da memória do tempo. Eis o nosso desejo. Eis a nossa demanda. Vale!

J.M.M.