sexta-feira, 28 de novembro de 2014

SOLDADOS COM ROSTO


LIVRO: “Soldados com Rosto. A 1ª Grande Guerra os seus reflexos em Esposende";
AUTOR: Manuel Penteado Neiva;
EDITORA: Câmara Municipal e Esposende, Novembro 2014.

“Uma 'obra excecional', foi como o Presidente da Câmara Municipal classificou o livro “Soldados com Rosto”, que materializa mais uma acção do vasto programa evocativo preparado pelo Município para lembrar e homenagear todos os esposendenses que estiveram envolvidos na 1.ª Grande Guerra.

Benjamim Pereira disse mesmo que não evocar o centenário deste acontecimento da História, no qual participaram dezenas de esposendenses, alguns dos quais perderam a vida em combate, “seria uma omissão muito grave”.
O Autarca recordou as iniciativas já realizadas e anunciou as ações que irão decorrer, destacando a intenção do Município de erigir um Monumento aos Mortos da 1.ª Grande Guerra, como forma de “não deixar cair no esquecimento essas pessoas” [AQUI]


J.M.M.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

PORTUGAL FACE À GRANDE GUERRA EM 1914-1915

 
AUTOR: João Freire;
EDITORA: Colibri, Novembro 2014, 188 p.
 
“O presente livro reúne quatro ensaios de análise histórica, numa perspectiva sociopolítica, sobre o período que antecede imediatamente a entrada oficial de Portugal na Grande Guerra. A partir da eclosão do conflito armado na Europa em Agosto de 1914, as autoridades portuguesas colocaram-se numa situação diplomática ambígua, não assumindo uma posição de beligerância perante a Alemanha mas também não se declarando como país neutral, esperando que fosse a Inglaterra a solicitar expressamente a nossa intervenção, nos termos dos velhos tratados de aliança entre as duas nações.
 
Entretanto, desenvolveram-se desde logo operações de guerra nos territórios alemães do Sudoeste Africano e do Tanganica, fronteiriços a Angola e a Moçambique, entre tropas coloniais germânicas e do Império Britânico, bem como no oceano Atlântico norte, obrigando as forças portuguesas de mar e terra a reforços de vigilância e preparação para fazer respeitar a soberania nacional e os seus interesses mais imediatos.
 
São estas “frentes de guerra” – ainda não declarada, mas já motivo de diversos incidentes e perdas humanas – que aqui são apresentadas criticamente em três ensaios distintos, antecedidos de um outro texto onde se analisam as controvérsias e conflitos internos entre forças sociais e políticas acerca da eventual participação portuguesa, no período que antecede a declaração de guerra de Março de 1916”  [AQUI]
 
J.M.M.

A FOTOGRAFIA NOS ARQUIVOS: UM OLHAR INTEGRADO - CONFERÊNCIA


Realiza-se no próximo dia 29 de Novembro de 2014, a 9ª sessão do Entre Arquivos, na Biblioteca Municipal de Lagoa, pelas 15 horas, subordinada ao título: A Fotografia nos Arquivos: Um olhar integrado.

O tema da sessão serão os arquivos fotográficos e terá como convidada a Dra. Sónia Casquiço.

O projecto Entre Arquivos é pioneiro e tem como propósitos a descentralização e a deslocalização de conferências, na área da arquivística. Desde Janeiro de 2014 que se têm vindo a realizar conferências em várias localidades, passando por Loulé, Albufeira, Olhão, Vila do Bispo, Faro, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António.

A entrada é gratuita e confere Certificado aos participantes.

Resumo da conferência:
A introdução da fotografia nos centros de informação surge pouco tempo após a apresentação pública da sua invenção em Paris no mês de Agosto de 1839.
Na segunda metade do século XIX encontramos já documentos fotográficos um pouco por toda a parte; num período de reconhecimento da importância da investigação e das fontes para a História a fotografia era a ferramenta perfeita: para ilustrar o desenvolvimento do conhecimento científico, para documentar o património arquitetónico e artístico, para comprovar a existência de lugares longínquos, para documentar as evoluções tecnológicas, etc.
Mas a utilização quotidiana da fotografia, nem sempre resultou na sua validação enquanto documento arquivístico, pois dificuldades associadas à identificação correta das técnicas fotográficas, ao reconhecimento do contexto funcional de produção, a ausência de documentação textual associada, a dúvidas suscitadas pelos problemas de conservação, fizeram com que a fotografia demorar-se a encontrar o seu lugar nos arquivos, foram as evoluções tecnológicas, nomeadamente a digitalização que acelerou este processo.

Atualmente os problemas subsistem, mas já não se questiona o valor dos documentos fotográficos, o que conta é informação veiculada para além da materialidade do suporte, assim pretende-se nesta palestra expor algumas destas problemáticas assim como sugerir algumas pistas para as ultrapassar.


Breve nota biográfica da conferencista:
Licenciada em Conservação e Restauro, Instituto Politécnico de Tomar, 2000.
Pós-Graduada em Ciências Documentais, variante Arquivo, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2005.
Doutoranda em História (ramo Arquivística Histórica), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Colaboradora da empresa Luís Pavão Lda desde 1998, tendo integrado diversas equipas de conservação, incluindo a da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.

Docente da disciplina de Arquivos Fotográficos no mestrado das Ciências da Informação e Documentação da Universidade Nova de Lisboa e de Conservação de Fotografia na Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra.

Uma sessão que se recomenda aos que se interessam pela História da Fotografia, a Conservação e a Arquivística.

A acompanhar com toda a atenção.
A.A.B.M.

CONFERÊNCIA – MARTINEZISMO, MARTINISMO E FRANCO-MAÇONARIA


CONFERÊNCIA: Martinezismo, Martinismo e Franco-maçonaria;

DATA: 28 de Novembro 2014 (19,00 horas);
ORADOR: Emilio Lorenzo [Grão-Mestre da Ordem Martinista];
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, nº 25, Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Sextas da Arte Real”].

“Em pleno contexto iluminista, o universo maçónico francês oitocentista viu nascer correntes teosóficas que influenciaram alguns sistemas emergentes nessa época.

Na sua origem encontramos Martinez de Pasqually, cujas doutrinas gnósticas, cabalistas e teúrgicas muitos discutíveis, e ainda hoje discutidas, estiveram na origem da Ordem dos Eleitos Cohen.

É numa loja deste Rito que é iniciado Louis Claude de Saint-Martin, o “Filósofo Desconhecido”, o qual através de uma via mais interna, publica obras de elevado valor espiritual, dando início a uma tradição mística, da qual ainda subsistem ideias presentes em alguns sistemas maçónicos contemporâneos.

É pois toda esta temática se pretende desenvolver na conferência “Martinezismo, Martinismo e Franco-Maçonaria”, com o inestimável contributo de Emilio Lorenzo, Grão-Mestre da Ordem Martinista, e uma das maiores autoridades mundiais nesta matéria.

A conferência será apresentada em Castelhano.

Contando com a vossa participação, apresentamos os nossos cumprimentos

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

XVII ENCONTROS DE OUTONO EM FAMALICÃO


Nos próximos dias 28 e 29 de Novembro, a cidade de Vila Nova de Famalicão vai levar a efeito os XVII Encontros de Outono, que decorrerão na Casa das Artes.

As comunicações andam em torno do tema central Colonialismo, Guerra Colonial e Descolonização. Dos Fins do Século XIX ao Último Quartel do Século XX .

O programa como consta no cartaz acima é o seguinte:

9h30
Abertura
Dr. Paulo Cunha
Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão

Doutor Norberto Ferreira da Cunha
Coordenador Científico do Museu Bernardino Machado

10h00 Economia e império africano (do último quartel do séc. XIX ao limiar da I República)
Doutor António José Telo
Academia Militar

10h30 A questão colonial no século XIX
Doutor Paulo Jorge Fernandes
Instituto de História Contemporânea
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa


11h00 Debate

Intervalo

11h30 Doutrina e Acção: o lugar das colónias e da antropologia na I República
Doutora Patrícia Ferraz de Matos
Instituto de Ciências Sociais
Universidade de Lisboa

12h00 A Questão Colonial no Parlamento da Primeira República
Doutora Maria Cândida Proença
Instituto de História Contemporânea
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa

12h30 Debate

Almoço

15h00 O Estado Novo e a questão colonial
Doutor Fernando Rosas
Instituto de História Contemporânea
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa

15h30 A questão colonial na política externa do Estado Novo
Doutor Miguel Jerónimo
Instituto de Ciências Sociais
Universidade de Lisboa

16h00 Debate

Intervalo

16h30 Constitucionalismo e Império. A cidadania no Ultramar Português
Doutora Cristina Nogueira da Silva
Faculdade de Direito
Universidade Nova de Lisboa

17h00 Debate


29 de Novembro (Sábado)

10h00 Angola, os brancos e a independência durante o Estado Novo
Doutor Fernando Tavares Pimenta
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa

10h30 A guerra colonial (1961-1974)
Coronel Aniceto Afonso
Instituto de História Contemporânea
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa

11h00 Debate

Intervalo

11h30 O processo da descolonização portuguesa (1974-1975)
General Pezarat Correia
Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

12h00 Debate

Encerramento

NOTA: As inscrições e a participação nas conferências são gratuitas e dão direito
a Certificado de Participação.
Acreditação pelo CFAE (Centro de Formação de Associação de Escolas de Vila Nova de Famalicão).

A ficha de inscrição no Colóquio pode ser encontrada AQUI.

Uma excelente iniciativa, que temos vindo a divulgar nos últimos anos, que merece o melhor apoio e participação de todos os interessados.

A.A.B.M. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

GERMANO LOPES MARTINS (Parte I)

A personalidade de Germano Martins acompanha o republicanismo desde o período da propaganda, na década de 1890, até ao final da I República Portuguesa, desempenhando cargos de confiança e ocupando ainda durante algum tempo a pasta de Ministro do Interior.

Nascido no Porto, em São Martinho de Aldoar, filho de Joaquim Lopes da Silva e de Rosa M. Lopes da Silva, em 7 de Janeiro de 1871.

Estudou no Porto, onde aderiu ao movimento republicano na cidade em 1890, sendo um dos elementos que acompanhou os preparativos para a revolta de 31 de Janeiro de 1891. Sendo um dos membros da chamada "Geração Activa" do Partido a que pertencia juntamente com António José de Almeida e Afonso Costa, entre outros. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1889, onde permanece até 1897, quando conclui o bacharelato. Defendia as suas causas com grande eloquência, manifestando firmeza nas opiniões políticas que defendia. Quando termina o curso de Direito manteve o entusiasmo e o ardor na oratória que o caracterizavam. Ingressa de seguida na vida forense, como advogado. Estabelece-se no exercício da advocacia no Porto e em Lisboa. Amigo próximo de Afonso Costa, cria uma sociedade de advocacia que conquista reputação no tempo. Entretanto colabora na imprensa republicana com regularidade conforme veremos mais à frente.

Considerado um dos causídicos distintos do seu tempo nos tribunais do Porto, tendo participado em múltiplos processos políticos onde conquistou grande reputação.

Na cidade do Porto assume também funções de gerente do jornal republicano do Porto, O Norte. Em 1906, nas eleições municipais da cidade invicta desempenha as funções de vereador na lista apoiada pelos republicanos e onde se integravam entre outros Duarte Leite, Nunes da Ponte, António da Silva e Cunha, Xavier Esteves, Napoleão da Mata, Henrique de Oliveira e Machado Pereira.

[em continuação]
A.A.B.M.

domingo, 23 de novembro de 2014

A GRANDE GUERRA: UM SÉCULO DEPOIS - COLÓQUIO INTERNACIONAL NA ACADEMIA MILITAR





Realiza-se na próxima quarta-feira, dia 26 de Novembro de 2014, na Academia Militar, a terceira parte do colóquio internacional A Grande Guerra: Um Século Depois.

O programa deste dia conta com múltiplos especialistas da área militar e destaca-se a presença do Professor António José Telo a moderar uma das sessões.

A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

CARICATURAS PESSOAIS – FRANCISCO VALENÇA [NOTA BREVE]


CARICATURAS PESSOAIS, de F.[rancisco] Valença, Edição da Renascença Gráfica, Lisboa, 1931, p. 216
“Colecção de caricaturas publicadas no periódico Sempre Fixe, com amáveis legendas do próprio desenhador, que, partindo de uma inspiração de 1900 subsidiária de Rafael Bordalo Pinheiro (O Chinelo, Varões Assinalados, etc.), ganha o seu elã precisamente nesta época” [AQUI]

FOTO via FRENESI


[NOTA BREVE] SOBRE FRANCISCO VALENÇA:
Francisco Valença [1882-1963] foi um notável desenhador, ilustrador, figurinista e caricaturista. Feroz crítico dos “costumes” nacionais, “comentador” satírico e implacável, deixou uma obra copiosa, desde que se estreou no quinzenário humorístico “O Chinelo” (1900), passando pelo seu incontornável “Varões Assinalados”, espécie de reprise do “Álbum das Glórias” de mestre Bordallo Pinheiro.

Nasceu Francisco Valença, em Lisboa, a 2 de Dezembro de 1882. Frequentou [cf. Diário de Lisboa, 18 de Janeiro 1963; “Os Comics em Portugal”, Bedeteca, 1997; “Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal, 1999] o Instituto Comercial e Industrial. Começa, como se referiu, n’O Chinelo [que funda com André Brun e o escritor Carlos Simões], apresentando depois um curioso álbum, “Salão Cómico” (1902), publicando [ibidem] trabalhos avulsos n’A Comédia Portuguesa (1902), “Brasil-Portugal” (1902-1909), “A Crónica” (1903-1904) e na revista infantil “O Gafanhoto” (1903-1904).  
A partir de 1904, com a colaboração em “O Século – Suplemento Humorístico” [sob a “orientação artística” do assumido ilustrador, monárquico, Jorge Colaço] Francisco Valença, com as suas “ilustrações de sátira político-social” que marcaram decisivamente o periódico, toma lugar de relevo entre os desenhadores, caricaturistas e o público. Espalha [ibidem], ainda, a sua genialidade artística n’A Tribuna (1904), “Tiro e Sport” (1905-1911), “Ilustração Portuguesa” (1906), “Novidades" (1907), “Arte Musical” (1907-1908), “O Raio” (1909 – curioso semanário ilustrado, sob direcção de Joaquim Guerreiro), “Alma Nacional” (1910), ou na “Límia” (1910).


Mas é entre 1909 e 1911 lança um conjunto de gravuras humorísticas - caricaturas sobre personalidades da época - que publica com o título de os “Varões Assinalados”. A técnica, a execução e o brilhantismo do traço, a ironia e a versatilidade humorística e satírica, conheceu enorme sucesso entre o público. Colabora [ibidem] no “Diário de Notícias Ilustrado" (1912), “O Zé” (1919), “O Comércio do Porto Ilustrado” (1919), “Diário de Lisboa” (1924).
   
Dirige [ibidem] o semanário “O Espectro” (nº espécime data de 18 de Maio1925), publica “Os Meus Domingos” [com André Brun], “A Semana do Chiado” [com Anibal Soares, monárquico], desenha (de 1920-1952) para o Museu Etnológico Português, publica no “Lírios” (1932), no “Miau” (1934), no “Diário dos Açores”.

Ao mesmo tempo colabora [ibidem] no “Le Rire” (Paris), “La Nación” (Madrid), “Boletin Fermé" (Barcelona) e outros periódicos brasileiro. Trabalhou para teatro, como na comédia de André Brun e Carlos Simões, “O Tabelião do Pote das Almas” e ilustra um vasto conjunto de livros, publicados por Armando Ferreira, Emília de Sousa e Costa, Henrique Marques Júnior, Julieta Ferrão. Encontra-se representado em vários museus, caso do Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu Soares dos Reis

Em 1927 (até 1959) colabora no “Sempre Fixe" mas a ditadura não lhe permite manter a sua crítica política social, pelo que retrata “unicamente os hábitos e costumes nacionais”. A Câmara Municipal de Lisboa faz-lhe uma homenagem, promovendo uma Exposição do Palácio de Galveias (Maio 1962) sobre os seus trabalhos.
Francisco Valença morre a 17 de Janeiro de 1963, na sua casa da Rua Latino Coelho (nº21, 4º andar), em Lisboa.

J.M.M.  

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

CONFERÊNCIA – HERMETISMO E ROSACRUZ NO PENSAMENTO HUMANISTA OCIDENTAL


CONFERÊNCIA: Hermetismo e Rosacruz no Pensamento Humanista Ocidental;

DATA: 21 de Novembro 2014 (18,30 horas);
ORADORES: prof. Rui Lomelino de Freitas | prof. Pedro Victor Rodriguez;
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, nº 25, Lisboa];

ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português | Fundação Rosacruz | apoio científico da Un. Lusófona (Ciência das Religiões)

Os documentos sapienciais mais importantes atribuídos a Hermes são o Asclepios, a Tábua de Esmeralda e o grupo de textos que foi designado como Corpus Hermeticum. As ideias e concepções aí presentes tiveram profunda influência no ocidente, na Idade Média e no Renascimento, auspiciando a moderna mentalidade científica através, nomeadamente, da alquimia, da astrologia, da magia ou da medicina. Actualmente, em diversas áreas da ciência, chega-se a conclusões e pontos de vista similares aos apresentados nos preceitos herméticos, como base sólida de conhecimento.

O movimento rosacruz teve a sua origem histórica há 400 anos, no início do século XVII, fruto da reflexão espiritual de um grupo de eruditos, místicos e teósofos do sul da Alemanha, que conceberam a história de uma personagem, Cristão Rosacruz, sobre a qual escreveram três Manifestos. Neles, os sábios e eruditos da Europa eram convidados a empreender uma reforma geral do mundo, através do cristianismo hermético e de uma investigação aprofundada das leis da natureza.

É notável a influência do pensamento rosacruz na tradição ocidental. Pensadores como Jacob Böhme, Robert Fludd, René Descartes, Francis Bacon, Jan A. Comenius, Isaac Newton, Robert Boyle, Gottfried W. Leibniz, Karl von Eckartshausen, ou Johann W. Goethe, mantiveram uma orientação humanista Rosacruz. A Maçonaria, o Martinismo ou a Teosofia, só para citar alguns exemplos, são considerados herdeiros do seu legado.

Diversos humanistas do séc. XVIII – esse crisol de ideias em que se formou a Maçonaria moderna –, numa perspectiva rosacruz procuraram beber das fontes clássicas da sabedoria perene, para no seu próprio interior encontrar a chave da transformação capaz de reconduzir a vida humana ao lugar que lhe é próprio no seio da manifestação universal. 

Contando com a vossa participação, apresento os meus cumprimentos

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

AFONSO COSTA. O ORADOR PARLAMENTAR

Realiza-se amanhã, 20 de Novembro de 2014, na Biblioteca da Assembleia da República, pelas 18.30 h, após a sessão parlametar a apresentação da obra Afonso Costa - O Orador Parlamentar, da autoria do professor e investigador Paulo Guinote.

Afonso Costa é considerado uma das figuras mais importantes da I República Portuguesa. Admirado por muitos, odiado por outros tantos é sempre uma personalidade polémica e de polémicas. Paulo Guinote acompanha o percurso desta individualidade política enquanto orador parlamentar, analisando os discursos que proferiu e a evolução das suas ideias ao longo do tempo. Pode ler-se no resumo da obra:

Afonso Costa é um dos políticos mais carismáticos e polémicos do século XX em Portugal e, por certo, um dos que mais paixões e ódios despertou de forma duradoura nas primeiras décadas de novecentos.

Antes de Salazar polarizar a vida política nacional, para além da efemeridade de um João Franco ou um Sidónio Pais, ultrapassando os seus principais adversários republicanos como António José de Almeida, Brito Camacho ou mesmo Machado Santos ou João Chagas, Afonso Costa foi a figura nuclear da política nacional, confundindo-se o seu destino com o do próprio regime e a sua acção com a política republicana no seu todo, pelo menos até finais de 1917. Se o seu contributo no combate contra a monarquia foi partilhado com outros protagonistas que muitas vezes o suplantaram perante a opinião pública, a partir de finais de 1910, com a sua entrada para o Governo Provisório com a pasta da Justiça, e apesar dos seus periódicos problemas de saúde, Afonso Costa tornou-se rapidamente sinónimo da República, atraindo as mais diversas críticas, desde os que o consideravam digno de desconfiança por ter contemporizado com diversos políticos monárquicos aos que o achavam um jacobino radical e intolerante. Este estudo procura seguir de perto os principais períodos da sua vida parlamentar.

O primeiro dos períodos referidos corresponde à década de 1900 a 1910 em que Afonso Costa se destaca no combate à monarquia e a todos os seus abusos, políticos, financeiros e judiciais, ficando lendárias algumas das suas intervenções no Parlamento, que terminaram em expulsões da Câmara e desacatos diversos com amplo impacto na opinião pública e na vida política. A análise incidirá nos seus discursos e no ideário neles contido, privilegiando mais as próprias palavras e reações no próprio Parlamento do que os reflexos na imprensa, muito marcada nos seus olhares pelo alinhamento político-partidário que os condicionava.

O segundo (1911-1917) acompanha o apogeu de Afonso Costa e o seu trajeto de poder, desde ministro do Governo Provisório e deputado da Constituinte a presidente do governo em três ocasiões, com destaque para as polémicas parlamentares com os outros líderes republicanos e para a discussão em torno das grandes questões estruturantes e decisivas para a evolução do novo regime, desde a Lei da Separação à participação na Grande Guerra, em que Afonso Costa foi um dos protagonistas mais destacados na opção pela entrada no conflito. Neste capítulo, será dada especial atenção à análise das intervenções parlamentares de Afonso Costa de um ponto de vista do conteúdo e da evolução (ou permanência) das suas posições em relação a aspetos fundamentais como a liberdade, a democracia, os direitos dos trabalhadores, as relações internacionais e a aliança com a Inglaterra, entre outros.

Este estudo de Afonso Costa como orador parlamentar não é uma nova biografia de Afonso Costa, de tipo pessoal, profissional ou mesmo político, nem é uma investigação inédita sobre os meandros da sua vida política. É uma análise das suas intervenções parlamentares entre 1900 e 1917, contextualizando-as no momento histórico em que surgiram, analisando-as enquanto expressão de um pensamento político estratégico ou tático, assinalando as permanências e as inflexões, o que permaneceu de estrutural nos discursos do oposicionista e do governante. Em termos de método, optou-se por dar a voz ao protagonista e orador, reservando-se o texto de enquadramento a isso mesmo, ao acréscimo de informações que permitam melhor compreender determinadas intervenções ou aclarar determinados objetivos.

Esta obra inclui-se na colecção Parlamento, com coordenação do Prof. António Reis que irá proceder à apresentação do livro.

Uma sessão a acompanhar com atenção e uma obra fundamental para conhecer melhor a personalidade de Afonso Costa.

A.A.B.M.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

EXPOSIÇÃO – SABEDORIA DO SILÊNCIO. HERMETISMO E ROSACRUZ NO PENSAMENTO HUMANISTA OCIDENTAL


EXPOSIÇÃO: "Sabedoria do Silêncio - Hermetismo e Rosacruz no Pensamento Humanista Ocidental";

DATA: 21 de Novembro 2014 (18,30 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, nº 25, Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português

“As origens da Maçonaria, embora difusas e controversas, vão sendo progressivamente clarificadas por um profícuo trabalho de uma notável escola de investigadores modernos.

Da relevância de uma visão das origens maçónicas procedentes das corporações de ofícios dos pedreiros livres, fez-se caminho para a compreensão do igual interesse do contributo do iluminismo experimentalista inglês do séc. XVII e XVIII, resultante de uma nova visão proposta por toda uma plêiade de homens da ciência ligados à Royal Society.

Este contributo veio reforçar a importância do percurso de pensamento que se fez desde as escolas platónicas, gnósticas e herméticas na emergência dos valores do Humanismo Ocidental e incluso no surgimento posterior do ideário rosacruz do início do séc. XVII, para a afirmação do ideal humanista e naturalista do Renascimento do séc. XIV.

A esta luz surge mais clara a importância de diversos contributos então havidos no surgimento do actual modelo da Maçonaria, como, por exemplo, o do papel de um vulto um tanto ou quanto obscuro para a historiografia em Portugal, que foi o de Elias Ashmole, um dos primeiros maçons especulativos do final do séc. XVII - antiquário, astrólogo e alquimista britânico, membro fundador da Royal Society, mas também destacado rosacruz.

Ao promover a realização da exposição “Sabedoria do Silêncio“ e a conferência “Gnose, Hermetismo e Rosacruz no Humanismo Ocidental”, em colaboração com a Área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona e a Fundación Rosacruz, o Museu Maçónico Português entendeu, com a achega desta primeira iniciativa, contribuir para colmatar este hiato de reflexão colectiva entre os maçons portugueses sobre o interesse destas fontes nas origens e afirmação da modernidade do pensamento da Maçonaria do séc. XVIII em Inglaterra e do seu rico e singular percurso ao longo do séc. XVIII. 

Contando com a vossa participação, apresento os meus cumprimentos

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.

PENSAR A REPÚBLICA 1910-1920


LIVRO: “Pensar a República 1910-1920";
AUTORES: AA.VV.;
EDITORA: Livraria Almedina, Outubro 2014, 420 p.

“O volume que agora vem a lume intitulado Pensar a República 1910-2010 teve origem no encontro, com a mesma designação, que se realizou na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, nos dias 25 e 26 de Maio de 2011.

Esse encontro constituiu a conclusão de um conjunto de iniciativas que decorreram nesta Faculdade, com organização do Conselho Científico, iniciadas em Novembro de 2009. O Colóquio, podemos dizê-lo à distância, fechou com chave de ouro o ciclo de actividades que decorreram nesta instituição no âmbito das comemorações do centenário da República.

O encontro científico que está na base do volume de textos que agora se publica constituiu a última etapa de um processo que nos permitiu reunir e dinamizar a investigação que se vem fazendo na FCSH, tanto no Guia Bibliográfico da I República da FCSH, como nas discussões realizadas no âmbito do Ciclo de Encontros Temáticos, que valerá a pena recordar, ainda que muito brevemente.

Neste leque tão diversificado de estudos, a preocupação comum é produzir uma reflexão sobre as temáticas em causa e sobre o objecto de estudo geral, que assim se apresenta ao leitor de um modo renovado.

Organização: Ana Paiva Morais, Ana Paula Pires, José Afonso Teixeira, 
José Esteves Pereira, Maria Fernanda Rollo, Pedro Tavares de Almeida, 
Salwa Castelo-Branco” [AQUI]

J.M.M.

domingo, 16 de novembro de 2014

[ESTADO DA NAÇÃO] “TEMOS MUITA SORTE” – VASCO PULIDO VALENTE


O dr. Cavaco acha que não há uma crise política na República e que tudo corre normalmente. O primeiro-ministro Passos Coelho concorda com ele. Claro que, por aqui e por ali, houve um ou outro percalço. Nada de importante. A sra. ministra da Justiça permitiu que se criasse uma enorme trapalhada nos tribunais por causa da 'plataforma' Citius e continua por aí a ameaçar os putativos culpados, que não aparecem. Mas Passos Coelho gosta muito dela e quer que ela fique descansadíssima no seu lugarzinho. O ministro da Educação, Nuno Crato, presidiu à mais confusa abertura do ano lectivo em vinte anos, mas, como sempre, o seu querido chefe e amigo não se quis separar dele e até, para que não ficasse a mais leve dúvida sobre o assunto, o elogiou em público.

Parte do Governo caiu com certeza num buraco, porque não se ouve falar dele e, na baralhada de títulos da Presidência do Conselho, não se consegue perceber o que é suposto fazer cada um. Os sr. Poiares Maduro e o sr. Marques Guedes, de quando em quando, ainda perpassam pela cena para se aliviar de alguma irrelevância. O sr. Lomba não é visto desde 2013 e correm boatos sérios de que emigrou à socapa. De qualquer maneira, para Passos Coelho, são essenciais. Sem eles, a Gomes Teixeira não tinha com certeza a mesma alegria e a mesma vivacidade. Falta evidentemente o grupo anónimo, que anda de carro preto, e de que não se conhece com segurança a existência e o destino. O que não impede o dr. Cavaco de se rever com satisfação na normalidade e no fulgor da nossa querida democracia.

Anteontem, soubemos com espanto que a polícia suspeitava de corrupção, de peculato e de branqueamento de capitais de 11 personalidades de consequência, entre as quais: o director nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, o presidente do Instituto de Registos e Notariado e a secretária-geral do Ministério da Justiça. Mais de 200 agentes da PJ revolveram e tornaram a revolver 60 escritórios de altos dirigentes da administração do Estado. Não se sabe o que por lá encontraram. Seja como for, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, que conhecia alguns dos presumíveis patifes, resolveu, com senso de responsabilidade e decência, apresentar a sua demissão. O primeiro-ministro disse logo que não, que não era capaz de viver sem ele e que, evidentemente, a actual situação, sendo inteiramente normal e quase feliz, não justificava um gesto tão drástico. De Belém não veio um murmúrio. Temos muita sorte.”


J. M. M.

sábado, 15 de novembro de 2014

[ALGUNS] MINISTROS DAS COLÓNIAS (1919-1934)



 
[ALGUNS] MINISTROS DAS COLÓNIAS (1919-1934)
 
J.M.M.

COLECÇÃO PATRÍCIA


COLECÇÃO PATRÍCIA: Direcção de Albino Forjaz de Sampaio; Desenhos de Saavedra Machado; Capas de Jorge Barradas; Edição da Empresa do Diário de Notícias, 1924-1941, 52 numrs
 

 
J.M.M.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

XXXIV ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE HISTÓRIA ECONÓMICA E SOCIAL

Nos próximos dias 14 e 15 de Novembro, realiza-se em Lisboa, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, um dos congressos mais antigos e continuados da historiografia portuguesa: o Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social que já vai na sua 34ª edição.

Ao longo de dois dias de intenso trabalho, dezenas de investigadores vão apresentar o resultado dos seus estudos. Pode ler-se na nota de apresentação do encontro:

No contexto de crise global em que vivemos o problema do acesso a bens alimentares de primeira necessidade adquiriu nova centralidade, reassumindo novo protagonismo questões e problemas directamente relacionados com a capacidade produtiva das economias. A questão da diversificação de produções, do estudo, implementação e desenvolvimento de novos produtos e a necessidade de se desenvolver uma estratégia de acção que combine uma articulação entre o Estado e o sector privado, tem sido analisada em diversos fóruns internacionais. 

Torna-se por isso premente olhar para o passado por forma a perceber e integrar, na longa duração, enquadrando-as nas histórias nacionais de que fazem parte, as características, opções e comportamentos dos sistemas produtivos, relacionando-os com o desempenho económico dos Países. 

O XXXIV Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social (APHES) é dedicado às questões da produção agrícola e industrial, aos fenómenos da industrialização, da desindustrialização e mesmo da reindustrialização e à forma como têm sido convocadas e encaradas ao longo das sucessivas conjunturas históricas em que se inscrevem a ciência e a tecnologia que lhes estão associadas.

Contando com a presença de alguns reputados historiadores, mas também muitos jovens investigadores que aproveitam para divulgar as suas pesquisas e contributos.

O encontro organiza-se nos seguintes painéis:
Painel I – Demography and economic growth;
Painel II – Crises e governança;
Painel III – A acção colectiva nos campos: do comunitarismo às organizações internacionais;
Painel IV – Clima e alterações climáticas;
Painel V – Emigrações, redes e associativismos;
Painel VI – Ciência e Instituições na Sociedade do Século XX;
Painel VII – Controlo Social e Saberes Globais (séculos XIX e XX);
Painel VIII – Propriedades e produção de géneros no Império português: história e historiografia;
Painel IX – Finanças do Rei e finanças da coroa na Idade Média;
Painel X – Governar populações: terra, família e produção em Portugal, Moçambique e Brasil;
Painel XI – Propriedade intelectual: dimensão histórica e contemporaneidade;
Painel XII – Produção e mercados;
Painel XIII – Corporations and financial though;
Painel XIV – Trade in global economy;
Painel XV – Assistência e protecção social;
Painel XVI – Pensamento económico;
Painel XVII – Ocupação de espaço e desenvolvimento agrícola;
Painel XVIII – Os desafios do espaço urbano;
Painel XIX – Os desafios do espaço ultramarino;
Painel XX – Produção industrial e abastecimento urbano nos finais da Idade Média;
Painel XXI – Políticas económicas e desenvolvimento;
Painel XXII – Instituições e organização social;
Painel XXIII – Abastecimento de bens e serviços;
Painel XXIV – Comércio e comerciantes;
Painel XXV – Agricultura e exploração agrária;
Painel XXVI – Economic groups and retailers;
Painel XXVII – Saber e produzir;
Painel XXVIII – (Des)industrialização e mobilidade.

O programa completo do Encontro pode ser encontrado e descarregado AQUI.
Uma iniciativa que se saúda e a que desejamos o maior sucesso nesta edição e nas próximas, com muita participação, diversificada e com qualidade.

A.A.B.M.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CONFERÊNCIA - O RITO ESCOCÊS RECTIFICADO


CONFERÊNCIA: O Rito Escocês Rectificado;

ORADOR: Engº. Nuno Nazareth Fernandes;

DATA: 14 de Novembro 2014 (19,00 horas);
LOCAL: Escola Oficinanº1, Largo da Graça, nº58, Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Grande Ritos Maçónicos]

“No universo simbólico da Maçonaria sobressaem palavras que escapam, por vezes, à semântica comum, revestindo-se, no seio das Lojas ou do discurso maçónico, de sentidos específicos.

Tal é o caso da palavra rito a qual, em Maçonaria, tanto pode designar uma certa forma de prática ritual, assente num conjunto de ideias que lhe são inerentes, como a sequência e natureza específica dos graus, que compõem um dado sistema maçónico.

De uma exuberante variedade de ritos maçónicos, gerada no decurso do século XVIII, praticam-se na actualidade, principalmente, os Ritos Franceses, o RER, o REAA, os Ritos Egípcios e os Ritos Anglo-Saxónicos.

No que concerne ao Rito Escocês Rectificado [RER], ressaltam sinteticamente os seguintes aspectos:

- Em 1736 Andrew Michael Ramsay pronuncia um discurso, em Paris, no qual difundo a lenda que liga a origem da Maçonaria à época das cruzadas.

- O Barão von Hundt, em 1756, cria na Alemanha a Estrita Observância Templária, sistema que acrescenta aos três graus simbólicos altos graus cavaleirescos, reclamando para a Maçonaria uma filiação directa à Ordem do Templo, a qual pretendia restaurar.

- Entre 1774 e 1782, o Rito Escocês Rectificado ir-se-á estruturar, sob impulso de maçons de Lyon e de Estrasburgo, dos quais se destaca Jean-Baptiste Willermoz.

- Segundo as decisões adoptadas nos Conventos das Gálias (1778) e de Wilhelmsbad, o Rito Escocês Rectificado demarcou-se da Estrita Observância Templária renunciando a uma filiação histórica com a Ordem do Templo, mas conservando com ela uma ligação espiritual.

- O Rito Escocês Rectificado tem como fontes simbólicas e filosóficas para além da maçonaria francesa da época e da Estrita Observância Templária, também o sistema de Martinez de Pasqually denominado de “Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos Coens do Universo”.

De todo este processo resultou um Rito Maçónico que se assume como cristão, sendo estes os temas que se pretendem desenvolver na presente conferência, discutindo-se a História, a base filosófica e o sistema do Rito Escocês Rectificado.

Contando com a vossa participação, apresentamos os nossos cumprimentos”.

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.

IN MEMORIAM DE FERNANDO MASCARENHAS [1945-2014]


Vivi o 25 de Abril como homem de esquerda e como administrador do património da Casa de Fronteira e Alorna. Vivi-o dos dois lados. Não foi fácil, mas foi fascinante.” [Fernando Mascarenhas]

Fernando [José Fernandes Costa] Mascarenhas, Marquês de Fronteira e Alorna (e de outros mais títulos) foi uma figura admirável pelo seu humanismo virtuoso, um “aristocrata” de linguagem elevada, dialogante, de uma coerência respeitosa; homem culto, excelente conversador, era de uma curiosa e franca erudição.
Nascido a 17 de Abril de 1945, em Lisboa, de família com tradições liberais [a sua 5ª avó foi a Marquesa de Alorna], filho de Fernando Penalva de Mascarenhas e de Maria Margarida Canavarro Menezes Fernandes Costa, torna-se proprietário do palácio e da herdade da Torre, tendo cedido (quase) tudo á “Fundação das Casas de Fronteira e Alorna” [que representa três importante casas nobiliárquicas: Fronteira, Alorna e Távora], associação cultural, e que a 29 de Julho de 1989 criou, com todo o gosto. Foi seu presidente, tendo organizado vastas actividades  culturais, em especial no âmbito da Historia da Arte, da Filosofia e da História.

Frequentou filosofia na Universidade de Coimbra, tendo terminado a sua licenciatura (tardia), na Faculdade de Letras de Lisboa. Mais tarde lecciona (entre 1979-1988) na Universidade de Évora.

Durante o Estado Novo, ainda estudante, patrocinou reuniões conspirativas contra a ditadura, como a celebre reunião da CDE, em 1969, feita no seu palácio, tomando inequívoca posição contra o regime. Foi candidato às eleições de 1969, no círculo de Portalegre, pelo CDE e pertenceu à direcção do MDP até 1974. Homem de esquerda e latifundiário, curiosamente, no decorrer da luta pela reforma agrária, quando se lhe ocuparam as terras, confessou [ver entrevista] que aceitou o facto “pacificamente”, até porque “não estava a desempenhar o papel de latifundiário com grande convicção”. Foi assessor (1979) do Ministro do Trabalho, Jorge Sá Borges, no governo de Maria de Lurdes Pintassilgo. Por volta de 1980 esteve na fundação do Movimento Social Democrata [MSD], que não teve desenvolvimentos posteriores. Colaborou no periódico “A Rabeca” (1974) e deixou alguns livros, em especial o curioso “Sermão ao meu Sucessor – Notas para uma Ética de Sobrevivência” (2003).

Morreu a 12 de Novembro de 2014.

J.M.M.