
O militar, filósofo e intelectual era figura reconhecida nos meios culturais portuenses e nacionais. Eugénio Aresta acompanha um conjunto de antigos alunos da Faculdade Letras da Universidade do Porto, liderados por Leonardo Coimbra, “cujo pensamento sobre eles exercera decisiva influência”. Conhece e convive com grande parte das figuras da cultura portuense da primeira metade do século XX como Delfim Santos, José Marinho, Álvaro Ribeiro, Sant'Anna Dionísio, Agostinho da Silva e Augusto Saraiva, que estiveram na origem da
Revista Portuguesa de Filosofia, conforme assinala
António José de Brito AQUI.
Na sua obra
Algumas Considerações sobre Propriedade Literária e o Plágio Apoiadas num exemplo Elucidativo [Edições Marânus, Porto, 1943] tece duras considerações sobre a obra de
Raul Leal, intitulada
Repetidor de Filosofia, Livraria Educação Nacional, Porto, 1942. Segundo Eugénio Aresta, “trata-se na verdade de um livro de texto, com 364 páginas, compacto, bem ordenado, sobretudo na parte que diz respeito à Psicologia, ilustrado, apresentado enfim de maneira a não comprometer as responsabilidades de um Bidour que na Sorbonne, teve ocasião de ouvir as lições dos grandes mestres e pensadores franceses, tais como Bergson” [p. 29]. Mas mais adiante, inicia o seu rol de criticas ao livro “propomo-nos verificar se poderá lançar-se fundamentadamente uma acusação de plágio e de invasão abusiva da propriedade literária alheia, sem respeito pelos direitos reservados” [p. 29]. Na parte final, depois de tentar demonstrar as várias formas de plágio que encontrou, termina de forma cortante, “o livro que o sr. Leal pretende misturar com este muitos que por aí circulam, é um intruso, é um livro desonesto, é um livro pirata, cuja camaradagem não pode ser aceite pelos outros sem um veemente protesto” [p. 181].
Em 1949,
Eugénio Aresta participa de forma ativa na campanha do
General Norton de Matos, tendo sido um dos oradores convidados para o famoso comício de 23 de Janeiro, no
Centro Hípico da Fonte da Moura, na cidade do Porto. Porém, segundo o comunicado enviado à imprensa pelos Serviços da Candidatura, acabou por não discursar “devido ao adiantado da hora” [“O Sr. General Norton de Matos manifesta a sua satisfação pela forma como decorreu o comício de ontem”,
Diário de Lisboa, Lisboa, 24-01-1949, Ano 28, nº 9395, p. 7, col. 3, consultável
AQUI.]. Nessa mesma época concede uma entrevista ao jornal
Diário Popular onde se manifesta contra o entendimento entre a
Oposição Democrática e o
Partido Comunista e revelava a sua preocupação com o interesse demonstrado pela
Rádio Moscovo pela
candidatura de Norton de Matos.
Faleceu a 24 de Agosto de 1956 na cidade do Porto, após uma doença prolongada resultante dos gaseamentos sofridos na campanha da 1.ª Guerra Mundial. Era casado com
Maria Manuela Aragão Mendes Aresta e pai de
Manuel Borges Rodrigues Aresta e de
Eugénio Borges Aresta.
Colaborou nas seguintes publicações:
Águia [Porto, 1910-1932],
Portucale [Porto, 1928-1945],
Prisma [Porto, 1936-1941],
Luta [Lisboa, 1906-1923],
República [Lisboa, 1911-1927; 1930-1975],
Universidade [Porto, 1924]
Publicou:
-
A guerra de sempre: (novela dum soldado), A.J. d'Almeida, 19??;
-
O Existencialismo como filosofia do desespero;
-
Ensaio sobre o Bergsonismo;
-
Primeiras Noções de Filosofia, Livraria Tavares Martins, 1933;
-
Uma liçao de psicologia a-propósito da obra de Júlio Deniz, Câmara Municipal do Pôrto, 1939;
-
Algumas considerações sobre a propriedade literária e o plágio apoiadas num exemplo elucidativo, Ed. Marânus, 1943;
- “Características da Colonização Portuguesa na conquista, na ocupação e na valorização do indígena”,
Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Volume 63, Parte 1, 1945.
Sobre
Eugénio Aresta:
-
Manoel D'AragÃo —
Eugénio Aresta. Apontamentos de Biografia e de Bibliografia Subsídios para a História da Escola Filosófica Portuense, Porto, Edição do Autor, 1980, 29 p.
[NOTA: A fotografia apresentada acima é uma imagem panorâmica do comício realizado pelo general Norton de Matos, em 13 de Janeiro de 1949, no Centro Hípico da Fonte da Moura, na cidade do Porto.]
A.A.B.M.