segunda-feira, 30 de junho de 2014

XI CURSO LIVRE DE HISTÓRIA DO ALGARVE

Inicia-se amanhã, 1 de Julho de 2014 e até final do mês a décima primeira edição do Curso Livre de História do Algarve, com dez sessões e organizado pelo Centro de Estudos em Património, Paisagem e Construção (CEPAC), da Faculdade de Ciências Humanas  e Sociais da Universidade do Algarve, desta vez ligado ao tema global AS PESCARIAS NO ALGARVE.

As sessões realizam-se bi-semanalmente, às terças e quintas-feiras, entre as 18 e as 20 horas, no Anfiteatro A do Complexo Pedagógico, no Campus de Gambelas. Inscrições na secretaria da FCHS.

Ao longo das dez sessões vai ser possível assistir às seguintes conferências/lições:

Dia 1 de Julho
- Da Fábrica ao Museu (visita ao Museu de Portimão), por José Gameiro (Dir. do Museu de Portimão);
* Autocarro parte pelas 17 horas da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais

Dia 3 de Julho
- As Confrarias de mareantes no Algarve: o caso do Compromisso Marítimo de Olhão, por Veralisa Brandão;

Dia 8 de Julho:
- A Importância da Litografia na Indústria Conserveira, por Vanda PereiraTatiana Faleiro;

Dia 10 de Julho
- A Pesca no Algarve Romano, por Cassandra Gonçalves;

Dia 15 de Julho
- Do Mar ao Pescado no Algarve Medieval, por Luís Oliveira;

Dia 17 de Julho
- As Viagens Sentimentais de Raul Brandão e de Manuel da Fonseca ao Algarve dos pescadores, por Carina Infante do Carmo;

Dia 22 de Julho
- Um percurso pessoal no domínio das pescas e da indústria conserveira, por José Alexandre Pires;

Dia 24 de Julho
- O Sal e as Pescas na economia da raia marítima, por Pedro Pires;

Dia 29 de Julho
- Os Bairros Piscatórios no Algarve: dos anos 20 às operações SAAL, por Marco António Santos;

Dia 31 de Julho
- A Confraria da Senhora das Dores de Monte Gordo no século XVIII, por José Eduardo Horta Correia.

Informações complementares podem ser obtidas AQUI.

Mais uma iniciativa que se saúda e que se deseja as maiores felicidades, só com um lamento pelo esquecimento a que foram votadas as organizações/associações e sindicatos dos trabalhadores ligados ao mar (mesmo que efémeras dos operários conserveiros, dos construtores navais, pescadores, etc.) sobretudo no final da Monarquia e durante a I República.

A.A.B.M.

sábado, 28 de junho de 2014

28 DE JUNHO DE 1914: ASSASSINATO DO ARQUIDUQUE FRANCISCO FERNANDO POR GAVRILO PRINCIP EM SARAJEVO






Faz hoje precisamente 100 anos, 28 de Junho de 1914 que, em Sarajevo, o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono Austro-Húngaro e sua esposa Sofia de Hohenberg, foram assassinados por Gavrilo Princip, estudante e membro da sociedade secreta Mão Negra.

Este acontecimento marcou o desencadear dos acontecimentos que conduziram ao deflagrar da I Guerra Mundial. Sobre este assunto recomenda-se uma leitura AQUI e AQUI sobre a participação portuguesa AQUI, AQUIAQUI ou AQUI.

A.A.B.M.

ELOGIO FÚNEBRE DE EUGÉNIO DE OLIVEIRA


ELOGIO FÚNEBRE de Eugénio Óscar Filipe de Oliveira. Grão-Mestre do G.O.L. – Maçonaria Portuguesa (1996-2002)  

[RECORTE] Anúncio publicado por ocasião do seu passamento, no periódico do Porto, “Jornal de Notícias
 
 

IN MEMORIAM DO CORONEL EUGÉNIO DE OLIVEIRA

Eugénio Óscar Filipe de Oliveira nasceu a 30 de Agosto de 1932, na Índia [cf. AQUI]. Seguiu a carreira militar, ingressando na Escola do Exército (23 de Outubro de 1952). É promovido a Alferes em 1955 e a Tenente em 1 de Dezembro de 1957.

Data desse ano a sua actividade de combate organizado contra a ditadura. Participa na realização e divulgação da “Tribuna Militar”, na região centro. Em 1959 participa no Revolta da Sé. É promovido a capitão em 1960.

De novo, participa no assalto ao quartel de Beja (1 Janeiro de 1962), juntamente com Humberto Delgado, Varela Gomes, Manuel Serra, Edmundo Pedro, Fernando Piteira Santos. É preso a 2 de Janeiro desse ano e expulso do exército. Julgado no Tribunal Plenário é “condenado a 3 anos de prisão maior, na suspensão de direitos políticos por 15 anos e na medida de segurança de liberdade vigiada por dois anos prorrogáveis”.

É libertado a 18 de Maio de 1966, da cadeia de Peniche. Trabalha como gestor de empresas até ao 25 de Abril de 1974, continuando a conspirar contra a ditadura. No seguimento do 25 de Abril de 1974 é reintegrado no exército, com o posto de major.

Integra a Comissão de Extinção da PIDE/DGS, comanda a força do Regimento de Administração Militar contra a intentona de Março de 1975, “ocupando as instalações da RTP, no Lumiar”. Em Novembro de 1975 comanda o interinamente o Regimento de Administração Militar em Torres Novas, procedendo à neutralização das forças pára-quedistas de Santa Margarida que se tinham sublevado [ibidem].

É promovido a Tenente-coronel em 15 de Dezembro de 1976 e a Coronel em 24 de Julho de 1981. Dirige o Depósito Geral de Fardamento e Calçado até à sua passagem à Reserva, em 1988. Passa à situação de Reforma em Dezembro de 1994.

Foi iniciado [1985] na maçonaria, com o n.s. de Gandhi, na Loja “O Futuro”, do Grande Oriente Lusitano, tendo transitado depois para outras lojas. Atingiu os maiores graus, tendo desempenhado o lugar de Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, entre 1996 e 2002

Era sócio de várias instituições, como a Liga dos Direitos do Homem, da Cooperativa Militar, do Grémio Lusitano, da Associação 25 de Abril (onde integrou o Conselho fiscal), sócio e fundador da Casa de Goa.

Morre a 6 de Junho de 2014.

[FOTO ofertª de J.F.G.C., nosso estimado ledor, que agradecemos]

J.M.M.

NO CENTENÁRIO DE JOAQUIM NAMORADO - MOSTRA BIBLIOGRÁFICA NA FIGUEIRA DA FOZ


Centenário de Joaquim Namorado – Mostra Bibliográfica & Palestra

 
DATAS: 30 de Junho 2014 (18,30 horas);
LOCAL: Biblioteca Municipal Pedro FernandesTomás, Figueira da Foz;
ORADOR: António Augusto Menano

ORGANIZAÇÃO: Divisão Cultural da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

 J.M.M.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

FRANCESES, MARINHEIROS E REPUBLICANOS ...


LIVRO: Franceses, Marinheiros e Republicanos …
AUTORA: Filomena Marona Beja;
EDIÇÃO: Divina Comédia, Maio 2014, p. 230.


PREFERI SEMPRE NÃO TER MORAL NENHUMA.” Não. Manuel Teixeira Gomes nunca fora de moralidades. De ética, sim. Ética republicana. Um dos valores que, a par com a Liberdade, percorreram todo o século XIX, tornando-se na grande aspiração de Portugal e do Mundo contemporâneo.


Aí está o que Filomena Marona Beja junta em Franceses, Marinheiros e Republicanos. Quatro novelas avulsas. As tropas de Junot. A Patuleia. Marinheiros a levantar ferro. E a República de 1910 largando, rumo ao exílio.

Escrita moderna, em narrativas que retomam desusos da literatura portuguesa. E contam realidades passadas, sem pôr de parte a ficção nem evitar o presente [LER AQUI]
 
J.M.M.

SOEIRO PEREIRA GOMES - "O LONGO PERCURSO DE REFÚGIO PERDIDO"


A edição de 1950 do livro com o título Refúgio Perdido, de Soeiro Pereira Gomes (1909-1949), requer algumas notas de esclarecimento.
Soeiro editou o seu primeiro romance, Esteiros, com capa e desenhos de Álvaro Cunhal, em 1941, nas Edições Sirius, de Lisboa, então dirigida por Alexandre Babo. O livro foi acolhido com excelentes referências não apenas pelas publicações ligadas ao movimento neo-realista, mas também pela crítica literária em geral.

Em 1935 ou 1936, O Diabo (que publicaria mais tarde outros textos, entre crónica e narrativa) viu o conto O Capataz (plausivelmente a primeira incursão literária de Soeiro) cortado integralmente pela Censura. Alguns escritos surgem ainda na República e n'O Castanheirense nos primeiros anos de 40 e admite-se que o seu segundo romance, Engrenagem, tenha sido iniciado em 1942, recomeçado em 1943 e concluído no ano seguinte.

Por força da perseguição da polícia política salazarista, claramente ciente da importância do escritor na organização e intervenção política do Partido Comunista Português na região - Alhandra, Vila Franca, Baixo Ribatejo - onde vivia e tinha o seu emprego (na fábrica de cimentos Tejo), Soeiro Pereira Gomes passou à clandestinidade a 14 de Maio de 1944, apesar de poucos dias depois a PIDE prender sua mulher, Manuela Câncio Reis, tentando coagi-lo a entregar-se. Na clandestinidade, a par das tarefas requeridas pelo trabalho revolucionário, Soeiro manteve o seu empenho na escrita em duas direcções: textos ligados à acção partidária (onde se destaca o histórico artigo, n'O Militante clandestino de Agosto de 1946, Praça de Jorna) e pequenos contos relacionados com a luta clandestina e a gesta dos seus protagonistas.

Segundo Luísa Duarte Santos, em cuidado trabalho, incluído no catálogo da exposição Na Esteira da Liberdade realizada pelo Museu do Neo-realismo em 2009, quando do centenário do nascimento do escritor, o primeiro destes contos, O Pio dos Mochos (dedicado "ao camarada Duarte", pseudónimo na clandestinidade de Álvaro Cunhal), terá sido escrito em 1945, seguindo-se Refúgio Perdido em Novembro de 1948, dedicado "ao camarada João (pseudónimo clandestino de António Dias Lourenço) que inspirou este conto" e Mais um Herói, de 20 de Janeiro de 1949.

Como assinala Luísa Duarte Santos, a dedicatória deste último, "À memória de Ferreira Marquês e de quantos, nas masmorras fascistas, foram mártires e heróis", apresenta "o nome legal e não o pseudónimo, porque o camarada já morrera (em 1941) assassinado e não era portanto necessário protegê-lo". Com o título geral Contos Vermelhos e a dedicatória "Aos meus companheiros - que, na noite fascista, ateiam clarões de uma alvorada", as três obras seriam divulgados em cópias dactilografadas logo em 1949, ano da morte de Pereira Gomes, e numa primeira edição clandestina em 1957 (vd. publicação integral in Contos Vermelhos e Outros Escritos, Edições Avante! Lisboa, 1979).

Entretanto, em 1942, fora constituída no Porto a cooperativa Sociedade Editora Norte-SEN, criada por um grupo de democratas ligados ao movimento neo-realista e em particular à revista Sol Nascente, entre os quais Afonso Castro Senda, Osvaldo Santos Silva e Óscar Lopes. Inicialmente instalada numa exígua dependência na Avenida dos Aliados, viria mais tarde a abrir uma livraria na Rua Formosa que se tornou um importante centro de encontro e actividade da oposição ao salazarismo, sendo encerrada pela PIDE na década de 50.

Em 1950 a SEN editou o livro cuja edição fac similada agora se apresenta, com o título Refúgio Perdido - Inéditos e Esparsos - Pereira Gomes - mas que não inclui o conto com o mesmo título!

A situação é explicada na introdução, da autoria do jornalista Manuel de Azevedo que, além da sua intervenção política antifascista e da actividade profissional no vespertino Diário de Lisboa, se destacaria como crítico cinematográfico e dirigente cineclubista. Após expor as razões da edição e traçar um significativo perfil do autor de Esteiros, Manuel de Azevedo escreve que se sabe ter ele escrito contos, entre os quais um com aquele título, mas que se encontrariam perdidos - o que, como se viu, não correspondia inteiramente à verdade!

É porém evidente que a escolha do título de um dos Contos Vermelhos para a compilação editada acabava por ter claro significado para um público de esquerda, que poderia mesmo conhecer a limitada edição clandestina do ano anterior. A censura salazarista tardou alguns meses a reagir e só em 6 de Abril de 1951 oficiaria a SEN, repetindo a pressão escassos meses depois face à publicação póstuma pela cooperativa do romance Engrenagem, já anunciada na introdução de Manuel de Azevedo.

Como aspecto de particular interesse, refira-se que a edição nortenha inclui o já referido conto O Capataz, que assim viria a público quinze anos depois do seu corte pela censura n'O Diabo.

[Ruben de Carvalho, “O longo percurso de Refúgio Perdido”, in jornal Público, 25/06/2014, p. 47 - sublinhados nossos]
 
J.M.M.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

CONFERÊNCIA – MAÇONARIA E IGREJA EM PORTUGAL


CONFERÊNCIA: "Maçonaria e Desafios do Século XXI

ORADOR: prof. Francisco Carromeu;

DIA: 27 de Junho 2014 (19,00 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Sextas de Arte Real”]

“Se a primeira reacção da Igreja Católica Apostólica e Romana ao aparecimento da maçonaria inglesa foi a de a ignorar, entre outras razões, a discussão do ideário liberal da maçonaria levou o Papa Clemente XII, em 1738, a publicar a bula In Eminenti Apostolatus Specula, proibindo os católicos de ingressarem e se tornarem membros de lojas maçónicas, sob pena de excomunhão. A partir desta data a Igreja Católica assinalava assim a incompatibilidade entre o juramento e o segredo das obediências maçónicas e a condição de cristão integrado na Igreja Católica Romana.

As bulas sucedem-se até que no papado de João Paulo II, em 1983, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, mais tarde Papa Bento XVI, abranda o anátema da Igreja sobre os católicos maçons e declara apenas que estes ficam em estado de pecado grave e não se podem aproximar da Sagrada Comunhão, contudo, no essencial, a Declaração afirma que permanece imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas.

Apesar desta situação, que apresenta contornos específicos em Portugal, nomeadamente em resultado do beneplácito régio, não deixaram de pertencer à maçonaria, desempenhando até nela altos cargos, concretamente o de Grão-Mestre, ilustres membros da Igreja, como arcebispos, camarlengos, cardeais, bispos e padres, que, no respeito pela liberdade de consciência, souberam na sua época enfrentar esta condenação.

A análise das várias bulas ao longo de mais de dois séculos, o clima e contexto em que surgiram e a reactividade anticlerical que esta situação também originou, entre outras causas, serão analisadas detalhadamente nesta conferência”.

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

ELOGIO HISTÓRICO DO ACADÉMICO BERNARDINO MACHADO NA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA

Realiza-se amanhã, 26 de Junho de 2014, pelas 15 horas, na Academia das Ciências de Lisboa o Elogio Histórico do Académico Bernardino Machado, na sessão académica da Classe de Letras e Ciências, pelo Dr. Mário Soares.

A saudação será feita pelo Professor Doutor Artur Anselmo.

Uma sessão a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

ARGUS. REVISTA MENSAL ILLUSTRADA (1907)



ARGUS. Revista Mensal Illustrada; Ano I, nº 1 (Maio 1907) nº 3 (Julho 1907); Propr. e Adm.: Mário Antunes Leitão; Adm/Redacção: Rua de D. Pedro, 184, Porto; Director: [Abílio de] Campos Monteiro; impressa nas Officinas da Empresa Litterária e Tipographica Graphicas (Rua de D. Pedro, nº 178, Porto – o seu propr. era Joaquim Antunes Leitão); Porto, 1907, 3 numrs

[Alguma] Colaboração/textos assinado: A. Lemos, Alexandre da Conceição, Álvaro, António Ferreira, António Garcia, Campos Monteiro, Eduardo Noronha, Francisco Braga, G. Rolando, Gomes Leal, Gonçalves Cerejeira, Guilherme, J[osé]. Ramos Coelho, João Ramos, dr. Looch, Ruy Barbosa, Simplorio.


Publicou-se na cidade invicta, em 1907, mas teve uma duração efémera, com apenas 3 números, provavelmente devido ao quadro político da época e ao controlo legal exercido sobre a imprensa. Abundantemente ilustrada, a Argus foi dirigida pelo monárquico Abílio de Campos Monteiro (1876-1933), também o seu principal redator, enquanto a propriedade e administração era assegurada por Mário Antunes Leitão. Apesar da matriz literária, a revista procurou ser eclética, mergulhando noutros assuntos, no teatro, na música, no desporto, nas ciências, a par dum registo temático, que se evidencia logo no primeiro número, com fotografia de Guerra Junqueiro. Politicamente, adivinha-se um posicionamento antifranquista. A Argus contou com a colaboração literária de Gomes Leal (1848-1921), Alexandre da Conceição (1842-1889), Eduardo de Noronha (1859-1948), Gonçalves Cerejeira e do poeta brasileiro J. Ramos Coelho (1832-1914). A maioria da produção artística não está assinada, mas sempre conseguimos identificar alguns desenhos de Manuel Monterroso (1875-1967), na secção “Comédia Humana”. Os 3 números da Argus ficam agora disponíveis em linha, na Hemeroteca Digital, AQUI. Para saber mais sobre a revista, ler AQUI o estudo que Helena Roldão lhe dedicou”.

ARGUS. Revista Mensal Illustrada AQUI DIGITALIZADA
J.M.M.

EXÍLIO E DEMOCRACIA: DEBATE


Realiza-se hoje, 25 de Junho de 2014, no âmbito das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, pelas 18 horas, no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, um debate público.

Esta iniciativa resulta da parceria entre o Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, o Centro de Estudos  Sociais e o TAGV (Teatro Académico de Gil Vicente), onde se procura debater as condições que conduziram ao exílio alguns dos intervenientes que antes da Revolução dos Cravos se aventuravam a criticar a situação política existente.

Pode ler-se na nota de divulgação:
Integrada na evocação do 40º aniversário da Revolução dos Cravos, o Centro de Documentação 25 de Abril, de parceria com o CES e o TAGV, organiza, no próximo dia 25 de Junho, 4ª feira, pelas 18H00, um debate público sobre um tema que teve uma importância central no processo que conduziu à queda da ditadura e volta hoje a deter uma importância central na sociedade portuguesa. De facto, na década e meia que antecedeu a queda do regime, nas condições de repressão policial e de uma guerra colonial que enfrentou uma crescente oposição interna, o exílio, nas suas diversas formas, foi para um grande número de homens e mulheres uma via para a sobrevivência e um lugar de resistência, cruciais para a construção de sociabilidades e de formas de ativismo que em muito contribuíram para a queda do regime.

O debate conta com a moderação de Fernando Matos Oliveira e a participação de Rui Bebiano, José Dias e Susana Martins.

Uma iniciativa que se recomenda e se divulga a todos os interessados.

[NOTA: Clicar nas imagens para aumentar.]

A.A.B.M.

BENTO DE JESUS CARAÇA - "A CULTURA INTEGRAL DO INDIVÍDUO PROBLEMA CENTRAL DO NOSSO TEMPO"

 
 

BENTO DE JESUS CARAÇA, “A Cultura Integral do Indivíduo Problema Central do Nosso Tempo” [Conferência lida pelo dr. Bento de Jesus Caraça na U.P.P. (Universidade Popular Portuguesa) em 25 de Maio de 1933 – promovida pela U.C.M.L. (União Cultural “Mocidade Livre”)], Cadernos de Cultura Vanguardista nº1, Mocidade Livre, Tipografia da Seara Nova (Calçada do Tejolo, 37-A, Lisboa), 1933, 48 p.
 
J.M.M.

terça-feira, 24 de junho de 2014

JOAQUIM NAMORADO. NO CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO



LIVRO: Joaquim Namorado. No Centenário do seu Nascimento. O Herói no “Neo-realismo Mágico”;
AUTOR: Jaime Alberto do Couto Ferreira;
EDIÇÃO: Lápis de Memórias.


LANÇAMENTO em COIMBRA

DIA: 1 de Julho 2014 (18,00 horas);
LOCAL: Casa da Cultura de Coimbra (Coimbra);

J.M.M.

sábado, 21 de junho de 2014

EVOCAÇÃO DOS 90 ANOS DOS GRAVES ACONTECIMENTOS DE SILVES DE JUNHO DE 1924

Assinala-se amanhã, 22 de Junho, os noventa anos dos graves acontecimentos que envolveram a morte de operários locais durante um dos vários episódios de lutas pelos seus direitos.

Conforme se pode ver acima (clicando na imagem para aumentar), os operários corticeiros silvenses que tinham um núcleo operário na cidade muito aguerrido, com uma estrutura articulada com outras associações operárias que existiam na época na cidade e nas localidades próximas desencadearam uma das suas lutas pela melhoria das suas condições. No entanto, as autoridades policiais locais reagiram de forma agressiva, e para tentarem impedir uma manifestação operária, um dos elementos presentes disparou sobre a multidão matando um operário e ferindo outras pessoas entre as quais crianças.

A imprensa fez eco da situação e acima temos a referência ao acontecimento no jornal A Capital, de 27 de Junho de 1924, Ano 14, nº 4663, p. 4, sobre o impacto que a notícia teve pelo País agregando movimentos e mobilizando os operários para outras lutas que se seguiram. Também a imprensa regional fez alguma referência ao acontecimento, como a imagem do lado direito, com uma notícia do jornal semanário O Algarve, de 29 de Junho de 1924, Ano 17, nº 847, p. 1.

Porém foi no jornal A Batalha, jornal da Confederação Geral do Trabalho (C.G.T.), que a partir de 24 de Junho começa a fazer uma grande campanha sobre os acontecimentos de Silves conforme se pode ver na imagem abaixo (Clicar na imagem para aumentar). Campanha que se vai arrastar ao longo de vários dias na imprensa operária.

Para evocar os acontecimentos, a Câmara Municipal de Silves organiza no próximo dia 25 de Junho de 2014, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, uma cerimónia pelas 18.30h, com a realização de duas conferências, uma pela doutora Maria João Raminhos DuarteO 22 de junho de 1924 no movimento operário silvense: o anátema do "lenço na algibeira" e outra pelo professor e historiador Manuel Ramos, que exerceu as funções de director do antigo Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês.

Mais detalhes sobre o assunto podem ser obtidos na página da Câmara Municipal de Silves.

Com os nossos votos do maior sucesso para esta iniciativa que não podemos deixar de divulgar.

A.A.B.M.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

IN MEMORIAM DE MANUEL AZAÑA (1880-1940) - PRESIDENTE DA II REPÚBLICA ESPANHOLA (PARTE II)


Assim, em Fevereiro de 1936 a Frente Popular vence as eleições e Manuel Azaña é convidado a formar governo, tornando-se depois Presidente da República (Maio de 1936, substituindo Alcalá-Zamora). Porém a desunião e ruptura entre as diferentes forças da aliança republicana no governo [veja-se as posições que tomam o socialista Prieto e o republicano Alejandro Lerroux], o ódio que a direita [e em especial de Delgado Barreto] lhe manifestava vendo nele um obstáculo para os seus propósitos de tomada do poder, as conspirações e intentonas golpistas verificadas, os inflamados pregões antigovernamentais da imprensa católica e de direita [veja-se a influência da organização de Gil Robles nessas campanhas] e, por fim, a sublevação do exército e o reconhecimento do governo do ditador Franco pela Inglaterra e França, ditou o seu exílio em França (Fevereiro de 1939), onde veio a falecer.   
Manuel Azaña é iniciado na maçonaria [segundo o seu cunhado, na Loja “Hispanoamericana” nº2; segundo outros na Loja “La Matritense”, de Madrid, sob Obediência do Grande Oriente Espanhol] já quando era Presidente do Governo [e ao mesmo tempo Ministro de Guerra; diga-se que do primeiro governo da República, dos 11 membros do governo, 6 eram maçons, o que não era o caso de Manuel Azaña, iniciado meses depois], a 2 de Março de 1932, com o n.s. de “Plutarco” [José Antonio Ferrer Benimeli, “Jefes de Gobierno Masones. España 1868-1936”, Madrid, 2007. pp.195-206], não passando do grau de Aprendiz, tendo “adormecido” de imediato.
Segundo Benimeli não só o Grão-Meste do Grande Oriente Espanhol [o GOE foi instalado em 12 de Maio de 1889, sendo seu GM, Miguel Morayta. Nasceu de dissidência do Grande Oriente de Espanha] não esteve presente na iniciação de Manuel Azaña como existiria algum desinteresse de M. Azaña [diz ele nas suas Memórias Políticas: “Em Espanha ninguém sabe guardar segredo. Nem os maçons”] pela organização maçónica e o seu ritual, pelo que o seu ingresso na Ordem foi meramente “circunstancial”, revestindo-se mesmo de alguma “ingenuidade”. O facto de M. Azaña ser maçon (mesmo que “maçon decorativo”) fez avolumar o “mito maçónico” e a “conjura maçónica” na II Republica, assunto que o ditador Francisco Franco soube bem explorar na opinião pública.
[refira-se o facto curioso, e segundo testemunhos credíveis (alguns pelos próprios falangistas, via documentos da própria Loja), que aponta Francisco Franco, já tenente-coronel, como pretendendo entrar (1926) na Maçonaria, na Loja Lixus de Larache, mas a que a isso se opuseram os maçons militares da loja. Mais tarde, já em 1932, de novo Francisco Franco solicita o ingresso na Ordem, e de novo de opuseram membros da Loja, entre eles vários militares de carreira e o seu próprio irmão Ramón (morto durante a guerra civil). Não por acaso, a devassa feita às lojas maçónicas, aos seus arquivos e bibliotecas, e perseguição implacável à Ordem, levada a cabo pela ditadura franquista, toma foros de “santa cruzada”, com a constituição de um corpo policial especial repressor [como a OIPA, “Oficina de Investigação e Propaganda Anticomunista”, Abril de 1937]. Parte dessa documentação retirada das Lojas encontra-se no Fundo Maçónico [que vai de 1882 até 1938] do Arquivo Histórico Nacional de Salamanca – cf. José Antonio Ferrer Benimeli, “La masonería en la España del siglo XX]
Assim, a passagem efémera de Manuel Azaña pela maçonaria, não impediu que os seus inimigos, numa violenta e intensa campanha e propaganda antimasónica levada a cabo pelos fascistas-franquistas e pelos integristas católicos, que atribuíam à maçonaria a origem directa da instauração da República, o atacassem ideologicamente pela sua condição de maçon (mesmo que “decorativo”), a que souberam juntar os slogans costumeiros de um caminhar para uma situação de “anarquia”, “separatismo” e “socialismo”, destruindo a imagem pública do homem liberal e reformista (que assumidamente era) de Manuel Azaña [sobre a curiosa questão – e ainda não totalmente esclarecida - de Manuel Azaña e a Maçonaria, consultar a obra, já citada de José Antonio Ferrer Benimeli, “La masonería en la España del siglo XX", em especial a entrada de Alberto Reig Tapia: “La imagem pública del político, El caso “Azaña” a través de la propaganda antimasónica”]
Iberista romântico [ver Hipolito de la Torre Gómez, “A Relação peninsular na Antecâmara da Guerra Civil Espanhola”, 1998; Fernando Rosas, “Portugal e a Guerra Civil de Espanha”, 1998; Heloisa Paulo, “Imagens de Liberdade. Os exilados portugueses e a luta pela liberdade na península Ibérica”], Manuel Azaña teve contactos com os exilados portugueses em Espanha, como Afonso Costa (de quem era amigo), Bernardino Machado e o Grupo dos Budas [Jaime Cortesão, Moura Pinto, Jaime de Morais, Nuno Cruz, Oliveira Pio, Alexandrino dos Santos, César de Almeida – curiosamente quase todos maçons e fundadores de uma Loja maçónica portuguesa em Espanha, a Loja “República Portuguesa”]. A união de interesses é patente, até pelo denominado “Plano Lusitânia”, plano “audacioso” onde se previa a “invasão e rebelião em Portugal”, contra o colaboracionismo de Salazar com Franco [cf. Heloisa Paula, ibidem – para o qual remetemos a leitura].
Morre Manuel Azaña, a principal referência da II República Espanhola, a 3 de Novembro de 1940, em Montauban, França, onde se encontrava exilado. O féretro foi coberto com a bandeira mexicana, face á proibição do marechal Pétain que o seu enterro tivesse honras de estado.

J.M.M.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

IN MEMORIAM DE MANUEL AZAÑA (1880-1940) - PRESIDENTE DA II REPÚBLICA ESPANHOLA (PARTE I)


La libertad no hace a los hombres felices, los hace sencillamente hombres” [Manuel Azaña]

Nuestro norte es una entidad que tiene dos nombres República y España. Para mi es lo mismo. La República es la expresión jurídica de mi patria, y España es el nombre histórico de la República” [ibidem]
Manuel Azaña Diaz [1880-1940], “alcalaíno como Cervantes” [ver AQUI], foi um intelectual e político notável, um orador radioso e temível, um dos apóstolos da II República de Espanha [e seu emérito Presidente], sendo considerado uma das personalidades mais marcantes do século XX espanhol.

Nascido a 10 de Janeiro de 1880 em Alcalá de Henares, foi desde sempre um aluno brilhante e uma personalidade invulgar. Formado em direito [1898 pela Universidade de Saragoça; mais tarde doutor pela Univ. Central de Madrid], advogado, tradutor (traduziu as “Memorias de Voltaire”), ensaísta e jornalista [começa, em 1897, na revista “Brisas del Henares”, sob o pseudónimo de Salvador Rodrigo; em 1901, colabora na revista “Gente Vieja”; correspondente do jornal “Figaro” (Outubro de 1919 a Abril de 1920, durante o tempo em que residiu em França); é fundador da revista “La Pluma” (Junho de 1920; nasce a revista já quando M. Azaña sai do Ateneu de Madrid e se demite de secretário); dirige a revista “España" (1923; a revista foi encerrada pela censura em 1924), etc…], amador de livros [começou a ler na copiosa biblioteca do avô e do seu pai], membro (1900) do selecto grupo do Ateneu de Madrid [onde foi secretário], escritor galardoado com o prémio Nacional de Literatura (1926 – “La vida de don Juan Valera”) e com obra memorialista importante.  
Manuel Azaña inicialmente milita (1912-23) no Partido Reformista (de Melquiades Álvarez), que abandona face á posição tomada relativamente a Primo de Rivera, que considera de traição, rompendo com o regime monárquico. Teve ocasião de participar na Liga de Educação Política (1913; onde estão figuras notáveis como Ortega y Gasset) e incentivou (1918) a constituição da secção espanhola da Sociedade das Nações [que adopta o nome de “União Democrática Espanhola”] que curiosamente não o apoia na questão da guerra civil. Adere ao republicanismo com o golpe de estado do ditador Primo de Rivera, que vai combater, declarando-se republicano, identificando a Democracia com a República, pelo que procura a união de todos os republicanos.
Na I Guerra Mundial toma posição ao lado dos Aliados, desenvolvendo uma activa participação intelectual nesse apoio, publicando no semanário “España” um manifesto a favor do Aliados [“Manifiesto de adhesión a las Naciones Aliadas”, de Julho de 1915], o que o leva por diversas vezes a França, a Itália [em 1917, com Unamuno, na frente de guerra], e a que se seguiu uma concorrida conferência no Ateneu de Madrid [“Los motivos de la germanofilia"], em que manifesta admiração pelas virtudes do patriotismo francês, revelando os horrores da guerra, bem como inicia um ciclo de conferências no “Ateneu de Madrid” sobre “La política militar de la República francesa”. Disso dá conta em obra posterior, reflectindo sobre o Estado, a nação e a Guerra, assumindo o inalienável direito de defesa do indivíduo perante o Estado.
Manuel Azaña funda o Grupo de Acção Republicana (1925) que actua clandestinamente até 1930 [cf. José Peña González], até à retirada de Primo de Rivera, integrando-se depois (Fevereiro de 1930) na Aliança Republicana [como curiosidade diga-se que M. Azaña, aborda o problema da Catalunha, assumindo que, embora não o desejasse, que se a Catalunha fazia intenção de separar-se de Espanha, tinha esse direito] e, posteriormente, na Esquerda Republicana (1934).
Ministro da Guerra no Governo provisório da II República (14 de Abril de 1931), foi nomeado Presidente desse governo, levando a cabo reformas importantes [refira-se que Azaña esteve por quatro vezes na cadeira presidencial]. Porém, não conseguindo conjugar forças necessárias para lutar contra a Igreja [veja-se, por exemplo, o modo como a questão do projecto da lei de Confissões e Congregações Religiosas se desenrolou e as consequências havidas, anos mais tarde] e a oligarquia instalada, o seu projecto liberal e socialista [para Azaña a República não podia ser um prolongamento da monarquia sem os Bourbons] sai fracassado e com ele o próprio regime republicano.

[em continuação]

J.M.M.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

VIDA POLÍTICA – LUÍS DA CÂMARA REYS


VIDA POLÍTICA. Ano I, nº 1 (12 de Agosto 1911) ao nº 17 (Março 1913); Propr. e Director: Luís da Câmara Reys (1885-1961); Typ. Mendonça; Depositária: Livraria Ferreira; Lisboa; 1911-13, 17 fasc., 272 p. (numeração contínua – com publicação a 10, 20, 30 de cada mês)


Quem assistiu às primeiras horas da Republica Portugueza, nas ruas de Lisboa, ficou tendo desse dia uma vaga recordação de sonho, uma impressão fulgente, de alegria, de libertação, de fraternidade festiva. Correram dez mezes sobre a proclamação de novo regimen e já evocamos esse momento com saudade(...)” [AQUI]

FOTO via FRENESI
 
J.M.M.

terça-feira, 17 de junho de 2014

I GUERRA MUNDIAL: PORTUGAL EM ÁFRICA (1914-1918) - DAS CONTRADIÇÕES DA "NEUTRALIDADE" DE PORTUGAL AO "ESFORÇO DE GUERRA" PORTUGUÊS

O Centro de História da Universidade de Lisboa e a Revista Militar realizam no próximo dia 19 de Junho de 2014 um colóquio dedicado à questão da Grande Guerra e à participação de Portugal na frente africana.

Contando com a presença de várias personalidades ligadas ao meio militar, e não só, com formação histórica que abordam a questão da participação portuguesa na I Guerra Mundial. Entre os participantes contam-se:
- A. Matos Coelho (Maj. General/Revista Militar), O Expansionismo Alemão em África;
- Pedro Aires Oliveira (IHC-FCSH UNL), Portugal, a Inglaterra e a Guerra em África (1914-1918): cooperação e tensão;
- José António Rodrigues Pereira (Cap. de Mar-e-Guerra),  A Marinha na mobilização militar para África;
- Aniceto Afonso (Coronel/IHC-FCSH UNL), Grande Guerra - a República e a questão colonial.

No final da sessão realiza-se a apresentação do novo número da Revista Militar conforme se pode verificar consultando AQUI, particularmente dedicado às dificuldades e combates travados pelas tropas portuguesa na frente africana, onde os confrontos e combates se iniciaram logo em 1914 e se arrastaram até 1918.

Uma interessante sessão, inserida no âmbito das Evocações do Centenário da Grande Guerra que vale a pena acompanhar e divulgar.

A.A.B.M.

PORTUGAL-ESPANHA NAÇÕES E TRANSNACIONALIDADE ENTRE DOIS SÉCULOS (1812-1986)


Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa vai realizar-se nos próximos dias 19 e 20 de Junho de 2014, o colóquio que vai analisar em diferentes perspectivas as relações entre os países ibéricos ao longo dos últimos dois séculos, desde as invasões francesas até à integração europeia.

As sessões estão estruturadas da seguinte forma:
DIA 19 (Quinta-feira)
10h45-13h00: 1ª Mesa – Nacionalismos, iberismos, transnacionalidade
15h00-16h30: 2ª Mesa – Narrativas nacionais e regionais
17h00-18h30: 3ª Mesa – Os regimes políticos na questão peninsular 

DIA 20 (Sexta-feira)
09h30-11h45: 4ª Mesa – Relações ibéricas em contexto global 
12h00-13h30: 5ª Mesa – Territórios e imaginários ibéricos
15h00-17h15: 6ª Mesa – Portugal visto de Espanha 

Contando com vários investigadores de ambos os países, destacam-se alguns nomes dos mais conhecidos e respeitados da comunidade historiográfica ibérica:
- Maria Conceição Meireles Pereira (Universidade do Porto)
- Fernando Catroga (Universidade de Coimbra) 
- Sérgio Campos Matos (Universidade de Lisboa/CH) 
- António Costa Pinto (Universidade de Lisboa/ICS) 
- António Ventura (Universidade de Lisboa/CH) 
- Hipólito de la Torre Gómez (UNED - Madrid) 
- António Pedro Vicente (Universidade Nova de Lisboa) 
- Luís Bigotte Chorão (CEIS 20-Universidade de Coimbra) 
- João Freire (ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa) 
- João Medina (Universidade de Lisboa)

Entrada livre.

Este colóquio é organizado pelo Grupo de Investigação Historiografia e Cultura Política do Centro de História da Universidade de Lisboa.

A informação detalhada sobre o colóquio pode ser encontrada AQUI.

Um evento com grande qualidade que se recomenda aos nossos ledores.

A.A.B.M.

PANFLETO MONÁRQUICO



PANFLETO MONÁRQUICO (1951 ?) – via Ephemera
J.M.M.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

CONFERÊNCIA – MAÇONARIA E DESAFIOS DO SÉCULO XXI



CONFERÊNCIA: "Maçonaria e Desafios do Século XXI” 

ORADOR: dr. Fernando Lima;
DIA: 18 de Junho 2014 (19,00 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Novos Paradigmas e Maçonaria”]


“Os maçons nesta primeira centúria do séc. XXI confrontam-se com um novo paradigma da sociedade global e com as consequências que tal induz no plano do movimento de ideias, da política, da economia e dos comportamentos individuais e sociais.

A queda do muro de Berlim e do comunismo, que se desvaneceu numa questão de dias, desencadeou um crescimento exponencial da economia subterrânea com a subsequente desregulamentação dos mercados financeiros internacionais, originando uma gigantesca injecção de dinheiro na economia global. Os negócios vasculharam aceleradamente o globo em busca de oportunidades mais lucrativas, procurando taxas de rentabilidade máxima.

A brutal geração de riqueza então criada é distribuída de forma desigual a nível mundial e origina grandes oportunidades de negócios, mas também suscita o desenvolvimento de conflitos regionais, do crime organizado e da escalada do terrorismo internacional.


A crise do petróleo ocorrida com a venda dos campos de petróleo iraquianos, aumenta a produção, inunda o mercado mundial com petróleo, esmaga a OPEP e quebra a dominância política da Arábia Saudita, possibilitando gerar artificialmente enormes lucros com uma oferta escassa, mantendo os preços na estratosfera.

Entram artificialmente triliões de dólares no sistema financeiro mundial que origina negócios especulativos dos mais variados e cria a base da emergência da corrupção à escala planetária.
A eclosão da crise imobiliária das hipotecas dos créditos subprime nos EUA arrasta vários bancos para a insolvência, o que se repercute nas bolsas de valores de todo o mundo. Para evitar que esta crise se transforme numa crise sistémica e temendo que tocasse a esfera da economia real, os Bancos Centrais injectam liquidez no mercado interbancário, para evitar o efeito dominó, com a quebra em cadeia de outros bancos, tentando, assim, evitar que a crise se ampliasse à escala mundial.




Esta situação gera uma crise de liquidez e de retracção de crédito que ocasiona uma depressão económica sem precedentes, com a consequente crise de desregulação económica nos vários países e com a consequente onda de desemprego que atinge a Europa e Portugal.

A primavera árabe varre o mediterrâneo, berço da nossa civilização, o que determina novos equilíbrios geoestratégicos, mas simultaneamente também cria novas oportunidades, falando-se já do mediterrâneo como “motor da economia global”. O mediterrâneo, no plano maçónico, é palco da emergência da Confederação das Grandes Lojas do Mediterrâneo e da Europa do Sul e da União Maçónica do Mediterrâneo, patrocinada pelas maçonarias laicas e adogmáticas.




Reordena-se a economia, o tecido empresarial, cultural, ambiental e social, com reflexos, entre outros, no aumento do desemprego, na precarização do trabalho, na aceleração dos fluxos migratórios, na destruturação das famílias, na fragilização das economias familiares mais precárias, … São duramente atingidas as franjas mais frágeis da sociedade, incluso os jovens e os velhos. O aumento da esperança de vida na Europa, associado ao desemprego, cria novos problemas na sustentabilidade dos sistemas de segurança social.

Surgem contestações internacionais a este quadro político, económico e social, emerge o movimento dos indignados (Manhattan, Wall Streeet, …), instala-se a insatisfação, quando não pior, o medo – o medo da perda do emprego, o medo da perda da casa, o medo da perda de … .
Muscula-se o sistema fiscal, judicial e policial.

Emergem na geoestratégia internacional novos blocos internacionais, os BRIC, em que se assiste ao envelhecimento e declínio da maçonaria nos EUA e Inglaterra, mas, por outro lado, ao forte crescimento da maçonaria nas democracias do Brasil e da Índia.

Na Europa assiste-se ao despoletar e crescimento de movimentos nacionalistas e xenófobos. Assiste-se ao questionamento por via económica e financeira de vitórias arduamente conquistadas ao longo de anos, incluso de liberdades, direitos e garantias, chegando a ferir-se, por via da marginalização económica, a dignidade da pessoa humana.
Esta situação reflecte-se na organização da maçonaria a nível do mediterrâneo, do espaço ibero-americano e, sobretudo da maçonaria laica e agnóstica, nomeadamente em França, em que se desencadeiam novos quadros organizativos e de relacionamento inter-institucional e desta com a sociedade em geral.


A afirmação da via atlântica do movimento da lusofonia, em complementaridade com a convivência da via da integração europeista, gera igualmente novas oportunidades e novos desafios, quer à sociedade, quer à maçonaria em Portugal.

A Maçonaria em Portugal, perante este quadro, é confrontada a questionar novos caminhos, oportunidades e desafios, na afirmação do trajecto da sua história multissecular. 

A riqueza das implicações que este tema suscita incita-nos a partilhar as fronteiras do debate que seguramente esta conferência, que encerra o ciclo dos “Novos Paradigmas e Maçonaria”, nos poderá proporcionar"

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.