sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

EFEMÉRIDES: JANEIRO DE 1908


Dia 4
- Em Vila Nova de Ourém, realizou-se o registo civil de baptismo de uma filha de Artur de Oliveira Santos que recebeu o nome de Democracia. Foram testemunhas do acto Álvaro Mendes e Joaquim Fernandes Cordeiro. Era, segundo as nossas fontes, o segundo registo civil de nascimento em Ourém.

Dia 5
- Eleição da Comissão Municipal Republicana de Azeitão. Eram membros efectivos: Lino [Leão?] Magno Azedo, médico; Joaquim Brandão, solicitador; Emílio Fernandes Otero, comerciante; José Augusto Coelho, comerciante; João Augusto dos Santos, proprietário. Participavam ainda como membros substitutos: António Casimiro Arronches Junqueiro, proprietário; Manuel Libório, comerciante; Manuel João d’Almeida, industrial; Joaquim dos Santos Fernandes, proprietário; Abílio Antão de Carvalho, farmacêutico.
- Realizou-se também a eleição para a Comissão Paroquial Republicana de Azeitão, onde participavam como membros efectivos: Manuel Pedro Soares, proprietário; Joaquim António dos Santos, comerciante; José Anastácio Esteves, comerciante. Foram eleitos como substitutos: Manuel Luís dos Santos, proprietário; António José da Silveira, industrial; Francisco Simões Valido Júnior, industrial.

Dia 6-
Início de mais uma Missão das Escolas Móveis pelo Método de João de Deus, desta feita em Mangualde, apoiada pelos republicanos locais, onde se destacava o Dr. Pessoa Ferreira.

Dia 7´
- Na Sociedade Promotora de Instrução realizou-se uma cerimónia de homenagem ao cidadão João de Oliveira Miguens, assinalando o primeiro aniversário do seu falecimento. Na sede da Sociedade Promotora de Educação Popular, Rua de Alcântara, 2º andar, discursaram: Inácio da Conceição Estrela, Fernão Boto Machado, Fernão Pires, Joaquim Ferreira da Silva, Joaquim Ribeiro Moita e Arnaldo de Carvalho que teceram elogios e enalteceram a figura de João de Oliveira Miguens.

Dia 8-
O jornal Independência de Águeda, que se publicava naquele concelho desde 1903, declarou-se republicano. Colaboravam nesse periódico aguedense, entre outros: António José de Almeida e Albano Coutinho. Tornou-se o órgão da Comissão Municipal Republicana de Águeda.

Dia 9
- Foi eleita a Comissão Paroquial Republicana de Alpiarça. Da comissão paroquial faziam parte os seguintes membros efectivos: José Relvas, José Malhou, Dr. João Costa, Jacinto Falcão, António Meira, Ricardo Durão, Manuel Duarte Mendonça, Joaquim Fernão Pires, Florindo Agostinho, António Cristóvão, José Nunes Pedro. Eram membros da comissão executiva eleitoral republicana: José Relvas, José Malhou, Dr. João Costa, Dr. Joaquim Romão, Dr. Joaquim Duarte Governo, Ricardo Durão, António Meira, Jacinto dos Mártires Falcão, Florindo Agostinho, António Cristóvão, Joaquim Duarte, José Leonardo Gomes, José Nunes Pedro, António Martins dos Santos, José Raposo, Joaquim Moreira, Joaquim José Coutinho, Raimundo Mendes, Francisco Varela, José dos Santos Duarte, José Lourenço Pereira, Isidoro Correia Santos, Manuel da Silva Tendeiro, Manuel Jorge da Câmara, João Coimbra Júnior, Eduardo Freitas, Manuel Duarte e Jacinto Maria Nunes.

Dia 11
- Termina o julgamento do antigo director do semanário republicano em Beja, Nove de Julho, o cidadão Filipe Fernandes. Foi seu advogado de defesa o Dr. João de Meneses, que conseguiu a absolvição do crime de liberdade de imprensa, por ter publicado artigos considerados passíveis de crime sobre a questão dos adiantamentos à Casa Real.

Dia 12
- Maria Veleda [pseudónimo de Maria Carolina Frederico Crispim], realizou uma conferência no Centro Escolar Dr. Afonso Costa, conforme tinha sido anunciado. O sr. Alves Torgo fez a apresentação da conferente. Entre as muitas ideias da autora transcritas pela imprensa republicana salientam-se: “a criação dos cursos gratuitos para mulheres deve ser o principal objectivo da propaganda feminista”; “a educadora natural do cidadão é a mãe”; “as boas feministas não pretendem ser superiores ao homem. Querem ter direitos como ele, querem deixar de ser escravas. A mulher educadora deve interessar-se não só pela educação da mulher do povo, mas também pela sorte dessas infelizes, a quem a ignorância e a miséria lançaram no abismo da prostituição”; “Não há profissões incompatíveis com a dignidade feminina. O trabalho é sempre honesto”; “negam-se direitos às mulheres, porque dizem, entre outros argumentos, os anti-feministas: a mulher não paga imposto de sangue”; “É um erro. A mulher paga um imposto muito maior, paga o imposto da maternidade”; “Pouco importa que lhes seja concedido ou não o sufrágio. As mulheres devem ter o direito de votar, mas não deverão fazer uso dele, enquanto as eleições forem uma farsa ignóbil, uma galopinagem indecente. Quando os homens estiverem todos devidamente educados, as mulheres poderão ser eleitoras. Educar a mulher, é, portanto, uma obra mais do que patriótica: - é uma obra de solidariedade universal”.
- Agostinho Fortes realizou uma conferência no Grémio José Fontana subordinada ao tema: As crenças do homem moderno, no seu antagonismo com as religiões reveladas. O Ateísmo e o Humanitarismo.
- Constituiu-se a Comissão Municipal Republicana de Santa Comba Dão. Eram efectivos: Dr. José Henrique Gomes, médico e proprietário, presidente da comissão; João Neves da Silva Miranda, proprietário, vice-presidente; Miguel Paulo Ferreira Neves, proprietário, primeiro secretário; José Rodrigues da Costa Lemos, proprietário, segundo secretário; José Correia Pinto, proprietário, vogal. Como substitutos: António Ferreira Viegas, proprietário; António Correia Pinto, proprietário; António Moreira da Costa, proprietário; José Albino de Sousa, proprietário.

[Na foto, Maria Veleda, retirado da Associação de Professores de História, com a devida vénia.]

[a continuar.]

A.A.B.M.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

ULTIMATO INGLÊS: ALGUMAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ESSENCIAIS

Algumas referências bibliográficas essenciais

Memórias:

- CABRAL, António, Os culpados da queda da monarquia: para a história, Livraria Popular de Francisco Franco,Lisboa, 1946.
- CARVALHO, Cristiano de, Revelações, Portucalense Editora, Barcelos, 1932.
- CRISTO, Francisco Manuel Homem, Notas da Minha Vida e do Meu Tempo, VII vols. Lisboa, 1936 e ss.
- ENES, António, O Ultimatum visto por António Enes, Parceria António Maria Pereira, Lisboa, 1946.
- FERRAZ, Silva, A Infâmia. Carta a Sua Magestade El-Rei D. Carlos a propósito do conflicto anglo-portuguez, Typ. da Empreza Litterária e Typographica, Porto, 1890.
- MARTINS, Francisco José Rocha, D. Carlos. História do Seu Reinado, Estoril, 1927.
- MARTINS, Joaquim Pedro Oliveira, Portugal em África, 1891.
- MENESES, Bourbon e, O Ultimatum de 1890 (Antecedentes do conflito anglo-português), Edições Excelsior, Lisboa, s.d.
- RIBEIRO, E. R. Hintze, Portugal e a Inglaterra. As Negociações do Tratado sobre os domínios de África, Lisboa, 1891.
- SALGADO, Heliodoro, A Insurreição de Janeiro, Typ. da Empreza Litterária e Typographica, Porto, 1894.
- TELES, Basílio, Do Ultimatum ao 31 de Janeiro (Esboço de história Política), Porto, 1905.


Estudos:

- BRISSOS, José – “O Tradicionalismo Miguelista Perante O Ultimatum Inglês de 1890”, Clio, Lisboa, N. s., vol. 2 (1997), p. 109- ?
- CASTELO- BRANCO, Fernando, “O Ultimatum e o Partido Republicano”, Arquivos do Centro Cultural Português, vol. V, Paris, 1972, p. 714-722.
- Coelho, Maria Teresa Pinto, Apocalipse e regeneração: o Ultimatum e a mitologia da Pátria na literatura finissecular, Lisboa, Edições Cosmos, 1996
- COUTINHO, Lourenço Pereira, Do Ultimato à República : política e diplomacia nas últimas décadas da monarquia, Lisboa, Prefácio, 2003.
- DÓRIA, António Álvaro, Movimentos Políticos do Porto no séc. XIX, Porto, 1963.
- FERREIRA, António Matos, "Repercussões do Ultimatum no meio católico: notas acerca do nacionalismo católico", Lusitânia Sacra, Lisboa, S.2, nº6, 1994, p. 31-45.
- GALA, José Luís Vaz e, A liga patriótica do Norte e a sua repercussão em Lisboa : propósitos e fontes de um trabalho, Sep. de Bol. da Bibl. Pública Municipal de Matosinhos, [Matosinhos : Biblioteca Municipal, 1988?], 32, 1988.
- GUEDES, Armando Marques, A Aliança Inglesa. Notas de História Diplomática, Lisboa, 1938.
- GUIMARÃES, Ângela, "O Ultimato inglês e o Mapa Cor-de-Rosa", Portugal no Mundo, vol. 3, Dir. Luís de Albuquerque, Selecções do Reader's Digest, Lisboa, 1993, p. 452-465.
- HOMEM, Amadeu Carvalho, “O Ultimato Inglês e a opinião pública”, Revista de História das Ideias, vol. 14, Coimbra, 1992, p. 281-296.
- HOMEM, Amadeu Carvalho, Memória sobre as causas do ultimato inglês de 1890, Sep. de Biblos, vol. LXI, 1985,[S.l., s.n., 1985?] (Coimbra : Imprensa de Coimbra), p. 453-471.
- HOMEM, Amadeu Carvalho, Para a história do republicanismo portuense - No período anterior ao ultimato, Biblos, Vol. 71, Coimbra. (1995), p. 361- ?
- HOMEM, Amadeu Carvalho, Para a História do Republicanismo Portuense no Período Anterior ao Ultimato, Ler história, Lisboa. Nº 38 (2000), p. 165 - ?
- JOÃO, Maria Isabel – “As reacções ao Ultimatum nos Açores”, Arquipélago. História, Ponta Delgada, S. 2, vol. 1, nº 2 (1995), p. 241 - ?
- LEAL, Ernesto Castro – “Opinião Pública na Província em 1890. Elementos de Agitação e Antropologia do Português Durante a Crise do "Ultimatum" Inglês”, Clio, Lisboa, N. s., vol. 3 (1998), p. 39- ?
- MAGALHÃES, Calvet de - O Ultimatum Britânico: Causas Imediatas e Reacção Interna, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Lisboa, S. 108, nº 1/6 (1990), p. 31- ?
- MARQUES, António Henrique de Oliveira, “A Propósito do Ultimatum e do 31 de Janeiro”, Nova Renascença, nº 40, vol 10, Porto, 1991, p.159-165.
- MARTINS, Guilherme d’Oliveira, “Algumas notas sobre Oliveira Martins e o Ultimatum”, Nova Renascença, nº 40, vol 10, Porto, 1991, p.167-179.
- MEDINA, João, John Bull and Zé Povinho : the clash between two national stereotypes : a centennial remembrance of the 1890 British Ultimatum to Portugal, Sep. de Rev. Islenha, (10) Jan.-Jun. 1992, Madeira : Sec. Regional do Turismo, Cultura e Emigração, Direcção Regional dos Assuntos Culturais, 1992, p. 19-34.
- NOGUEIRA, Franco – “Ultimatum”, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Lisboa, S. 108, nº 1/6 (1990), p. 47 - ?
- OLIVEIRA, Maurício de, Os Navios do Ultimato, Lisboa, 1946.
- PAIXÃO, Vítor Manuel Braga, “Cartas régias sobre o Ultimatum”, sep. Memórias da Academia das Ciências, Lisboa, 1963.
- PINTO, Rui M. Costa – “O sonho cor-de-rosa”, História, Lisboa, N. s., a.18, nº 26 (1996), p. 4 - ?
- RIBEIRO, Maria Manuela Tavares, Portugal entre o passado e o futuro : o reencontro da tradição atlântica, Sep. de: El dia después: España y sus ex-colonias tras el desastre del 98, Madrid, [s.n.], 1998, p. 259-290.
- SANTOS, Victor Marques dos, A questão africana e as relações luso-britânicas : 1884-1914, Lisboa, ISCSP, 2007.
- TEIXEIRA, Nuno Severiano, O Ultimatum Inglês: política externa e política interna no Portugal de 1890, Análise Social, nº 98, 1987.
- TEIXEIRA, Nuno Severiano, O Ultimatum inglês: política externa e política interna no Portugal de 1890, Lisboa, Alfa, 1990.

Internet

FREUDENTHAL, Aida, Voz de Angola em Tempo de Ultimato, Estudos Afro-Asiáticos, Ano 23, nº 1, 2001, p. 135-169. [http://www.scielo.br/pdf/eaa/v23n1/a06v23n1.pdf]

[Na imagem mais um dos trabalhos de Rafael Bordalo Pinheiro para a revista Pontos nos iii, que pode ser consultada na Hemeroteca Digital de Lisboa, com a devida vénia.]

A.A.B.M.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

ULTIMATO INGLÊS (1890)


Os acontecimentos que conduziram ao Ultimato de 11 de Janeiro de 1890, têm raízes profundas e longínquas no tempo. Pelo menos desde o Congresso de Viena de 1815, onde Portugal viu consagrados os direitos históricos, por ter sido o primeiro a chegar àquelas paragens, que outras potências coloniais europeias cobiçavam os territórios portugueses em África. Porém, a fraca ocupação efectiva do imenso território africano levantava dificuldades que um país com a dimensão, o atraso e a falta de meios, condicionava de sobremaneira.

Durante muito tempo África esteve abandonada pelos europeus, só o desenvolvimento da industrialização obrigou as potências industrializadas a encontrar novos produtos, novas fontes de matérias-primas e potenciais mercados para colocação de excedentes. Assim, a partir da segunda metade do século XIX, alguns países europeus investem de facto na exploração do interior africano, conhecendo os povos, os produtos, os animais e realizam expedições sucessivas para ocupar o território. Surgem novas povoações e a cultura europeia penetra nas florestas e sanzala africana.

As expedições de Magyar (1849-57), Welwitsch (1853-60), Livingstone (1854-57), Bastian (1857), Andersson (Cubango, 1859), Cameron (Bié, 1873-76), Lux e Pogge (Lunda, 1875-76), Schütt (Lunda, 1878-79), Buchner (1879-81) e Wissmann (Lunda 1881-84), procuram garantir um melhor conhecimento do continente para as diferentes potências europeias. Perante estas investidas, que podiam fazer perigar a presença portuguesa na região também os portugueses enviam expedições de reconhecimento, onde se destacam Silva Porto (1853), Capelo e Ivens (1877-1880), António Maria Cardoso (1883), Capelo e Ivens (1884-1885), Henrique de Carvalho (1884-1885) e Serpa Pinto (1885-1886).

A crescente disputa dos territórios em África conduz à criação da Sociedade de Geografia de Lisboa (1876), fundada por homens como Luciano Cordeiro, João Cândido de Morais, Cândido de Figueiredo, Agostinho Lúcio da Silva e Rodrigo Afonso Pequito. Estes propunham-se desenvolver a exploração do continente africano, o que face aos problemas levantados na Conferência de Berlim (1884-1885), vão tentar desenhar o que ficou conhecido como Mapa Cor-de-Rosa.

A situação começa a ficar mais tensa com a acção de Serpa Pinto em Novembro de 1887, quando os ingleses se queixam formalmente de que Portugal, através das tropas de Serpa Pinto, atacava os Makocolos, etnia que os ingleses consideravam sob sua protecção. O representante inglês pede que não fosse permitido “às forças portuguesas qualquer ataque às estações britânicas do Niassa ou do Chire, nem ao país dos Makocolos, e além disso que não consentirá que ataquem Lubengula, ou qualquer outro território que se tenha declarado sob a protecção da Grã-Bretanha”. Portugal atrasa o mais possível a resposta a esta situação, respondendo só em Dezembro de 1889 através do ministro Barros Gomes, que se limita a apresentar a versão portuguesa dos factos. Perante esta atitude, o governo britânico responde com a seguinte missiva:

O Governo de Sua Majestade Britânica não pode aceitar, como satisfatórias ou suficientes, as seguranças dadas pelo Governo Português, tais como as interpreta.
O Cônsul interino de Sua Majestade em Moçambique telegrafou, citando o próprio major Serpa Pinto, que a expedição estava ainda ocupando o Chire, e que Katunga e outros lugares mais no território dos Makololos iam ser fortificados e receberiam guarnições. O que o Governo de Sua Majestade deseja e em que mais insiste é no seguinte:
Que se enviem ao governador de Moçambique instruções telegráficas imediatas para que todas e quaisquer forças militares portuguesas actualmente no Chire e nos países dos Makololos e Mashonas se retirem.
O Governo de Sua Majestade entende que, sem isto, as seguranças dadas pelo Governo Português são ilusórias.
Mr. Petre ver-se-á obrigado, à vista das suas instruções, a deixar imediatamente Lisboa, com todos os membros da sua legação, se uma resposta satisfatória à precedente intimação não for por ele recebida esta tarde; e o navio de Sua Majestade, Enchantress, está em Vigo esperando as suas ordens.
Legação Britânica, 11 de Janeiro de 1890.


Face a esta ameaça dos ingleses e reunido o Governo e o Conselho de Estado presidido pelo jovem monarca D. Carlos, decide-se responder ao Ultimato nestes termos:

Na presença duma ruptura iminente de relações com a Grã-Bretanha e de todas as consequências que dela poderiam talvez derivar, o Governo de S. M. resolveu ceder às exigências formuladas nos dois memorandos, a que alude, e, ressalvando por todas as formas os direitos da Coroa de Portugal às regiões africanas de que se trata; e bem assim, pelo direito que lhe confere o artº 12 do Acto Geral de Berlim, de ser resolvido definitivamente o assunto em litígio por uma mediação ou por uma arbitragem, o Governo de S. M. vai expedir para o Governador Geral de Moçambique as ordens exigidas pela Grã-Bretanha.

A cedência de Portugal aos interesses da Grã-Bretanha provoca um coro de protestos que percorre todo o território. Organizam-se manifestações por todo o lado, surgem comissões para angariar fundos e combater os ingleses, mas quem aproveita este acontecimento para conquistar maior visibilidade política são os republicanos. Basílio Teles considerou o Ultimato “o acontecimento mais considerável que, desde as invasões napoleónicas, abalou a sociedade portuguesa”, mais, afirmou: “este dia valeu séculos: este momento, à semelhança de outros que conhecemos da História, resumiu, na sua intensa brevidade, todo um passado doloroso, e esboçou, numa forma indecisa, o segredo dum futuro perturbante”. Por seu lado, Guerra Junqueiro, na sua obra Finis Patriae acusava: Ó cínica Inglaterra, ó bêbada impudente// Que tens levado, tu, ao negro e à escravidão?

O sentimento de instabilidade e insegurança instala-se, o governo progressista demite-se, substituído por outro regenerador. Surgem subscrições para tentar angariar fundos e adquirir navios de guerra, boicotam-se os produtos ingleses, surge A Portuguesa, que se vai tornar o hino da República, da autoria de Lopes de Mendonça e Alfredo Keil.

No Porto, Antero de Quental, Sampaio Bruno e Basílio Teles dirigem a Liga Patriótica do Norte. Em Lisboa, os militares fundam a Liga Liberal. Porém, Eça de Queirós, com a sua sagacidade observava:”bradar nas ruas contra a Inglaterra, elaborar manifestos, fundar comissões, agitar archotes, desfraldar bandeiras, abater tabuletas, não nos parecem na verdade os modos dum povo, que sob o impulso do patriotismo, se prepara para a regeneração: antes se nos afiguram os modos de um povo que, através do patriotismo se está educando para a insurreição”.

De facto, a agitação provocada pelo Ultimato tem poucos ou nenhuns efeitos práticos. Em Agosto desse ano, Portugal e Grã-Bretanha assinam um tratado onde Portugal cede os territórios do interior africano aos ingleses, satisfazendo os interesses de Cecil Rhodes, que alimentava o sonho de ligar a cidade do Cabo à cidade do Cairo, atravessando o continente negro. Por outro lado, conspirava-se cada vez com mais intensidade visando derrubar a Monarquia, o que viria a originar a revolta de 31 de Janeiro de 1891.

A.A.B.M.

"THE FIERCE LITTLE PORTUGUESE"


"The fierce little portuguese"

Legenda: "(Salisbury para Wolseley) – Ponha-me esse macaco em cima d’uma cadeira, Wolseley, a ver a vista que faz."

"O Moonshine, jornal de caricaturas de Londres – uma espécie de Punch com peor aguardente – dá-nos de presente a gentileza que acima reproduzimos, e que nos põe de macacos trajando de generaes Bouens, entre um estadista pulha, e um bandoleiro general. Como ironia, é pesado e tosco: como desforço d’imprensa, é pedantesco. O humor político da Gran-Bretanha cheira a vómito. Isto nos relevara de que o humor portuguez, ao referir-se á Inglaterra, cheire a ... outra coisa"

[in Pontos nos ii, jornal satírico de Rafael Bordalo Pinheiro, a 16 de Janeiro de 1890, p. 19]

J.M.M.

D. JOÃO DA CÂMARA, VIDA E OBRA - MOSTRA BIBLIOGRÁFICA E DOCUMENTAL



A Hemeroteca Municipal de Lisboa leva a cabo uma Mostra Documental - Átrio e Escadaria da Hemeroteca Municipal de Lisboa – que "tem por objectivo revisitar a obra literária de D. João da Câmara (1852-1908), com destaque para a sua actividade como dramaturgo e jornalista". No centenário da sua morte é, pois, uma "excelente oportunidade para recuperar e divulgar as peças de D. João da Câmara, o sucesso que teve na época, bem como a sua brilhante actividade como jornalista". A não perder. Ver programa, aqui.

Local: Hemeroteca Municipal de Lisboa - Átrio e Escadaria. Data: 2 a 31 de Janeiro.

J.M.M.

O ULTIMATO INGLÊS (11 DE JANEIRO DE 1890) VISTO PELOS REPUBLICANOS


“(…) A data afrontosa – 11 de Janeiro de 1890 – não poderá mais ser esquecida; porque pelo facto abrupto a que está ligada e pelas suas consequências, fixa o momento da convulsão profunda e da crise decisiva em que se acha a Nação portuguesa. Desde esse dia até ao completar-se um ano, a crise nacional só tem apresentado os francos caracteres de decomposição inevitável; os esforços para uma reorganização e revivescência da nacionalidade têm consistido em explosões sentimentais, sem plano e sem vontade de acção. E como o sentimento é sempre vago e ingénuo, fácil foi entorpecer as aspirações patrióticas pelas decepções, expedientes e embustes dos partidos exauctorados, e sobretudo pela incoerência dos que a si próprios procuram iludir-se, não querendo medir a intensidade do desastre.

O facto brutal do Ultimatum de 11 de Janeiro, que é uma desonra para a diplomacia europeia, que deixou um pequeno Estado ao abandono, diante do arbítrio de potência mercantil, essa moderna Cartago, que não conhece deveres, nem mutualidade, esse facto veio evidenciar a mais sinistra luz:
Que a monarquia é incapaz de manter a integridade do território português e a dignidade da sua autonomia, porque desde D. João I, 9 de Maio de 1386, até 20 de Agosto de 1890, todos os tratados com a Inglaterra têm sido feitos exclusivamente em benefício da segurança dinástica.

Que os governos monárquicos, que se têm sucedido no poder (ministros por confiança da coroa a parlamentos por candidaturas ministeriais) esgotaram esterilmente as forças económicas deste país, deixando-o desarmado e sem recursos para uma resistência natural contra a mais leve agressão estrangeira.
E, por último, que os partidos monárquicos, que monopolizam a governação, se exauctoram, dando as provas peremptórias de absoluta incapacidade governativa, defrontando-se com a questão vital a que está ligado o destina da Nação portuguesa, o qual neste momento obscuro da história se acha entregue ao acaso dos acontecimentos e não há vontade deliberada de altos caracteres.

Tiremos a lição dos factos. Em 11 de Janeiro de 1890, o partido progressista recuou desertando do poder, sem protesto, nem apelo às potências, como se os ministros fossem uns abnegados do governo inglês. A Nação portuguesa já não pode aceitar mais esse partido na gerência pública – é um falido de responsabilidade.
Desde 11 de Fevereiro, o partido regenerador, que explorara as manifestações patrióticas para apoderar-se do poder, sem protesto, infamando depois essas nobres manifestações com estigmas de arruaças, reprimindo as emoções da dignidade nacional com prisões discricionárias, atentando contra as liberdades públicas de imprensa e de associação, contra as franquias municipais, contra o acto generoso de uma subscrição para a defesa do país, estabelecendo alçadas especiais e repelindo a cooperação tardia das potências amigas, pediu ao próprio governo inglês que lhe ajudasse a salvar a dinastia contra a Nação, forçando esta por uma ditadura imbecil a uma atitude correcta, para depois, pelo tratado de 20 de Agosto [de 1890], cortar à vontade em carne morta. Esse partido enterrou-se sob o peso das iniquidades em que procurava firmar-se.

A morte dos dois partidos, progressista e regenerador, ficou patente e evidenciada pela prolongada interinidade ministerial. Essa estupenda acefalia conseguiu mascarar-se pelo processo gasto de uma Liga Liberal, a que se acolheu a debandada progressista e os ludibriados esquerdistas, lisonjeando a aspiração nacional pela fórmula mentirosa – de que não faziam questão da forma de governo.

De toda esta elaboração desagregativa surgiu o expediente deplorável de um governo extra-partidário, continuando a ditadura regeneradora e a doblez progressista [sic], mantendo o tratado de 20 de Agosto pela interinidade do modus vivendi, ocultando ao país todas as afrontas recebidas na espoliação da África, fechando o parlamento para fugir ao julgamento da publicidade, e esgotando o sentimento nacional, adormentando-o para consumar a fatalidade que pesa sobre nós todos.

Não satisfeitos ainda com a ruína política de Portugal, preparam a derrocada económica, consignando os rendimentos da nação a desvairados empréstimos, assinalando o fim do crédito a um país, e abrindo as portas à intervenção estrangeira, que não longe virá tomar conta das nossas alfândegas e vias férreas, pondo-nos em tutela como um Egipto, para os credores se pagarem por suas mãos e nos espoliarem sob a égide dos seus governos.

Diante deste quadro de decomposição, é preciso ver claro: A monarquia, que já não proclama a ficção de manter a nossa integridade, e que se sustenta provisoriamente pelo nosso desmembramento, não tem apoio moral; mantém-se apenas pela indiferença geral. Os governos, que se alternam no poder, não têm pensamento, porque são adstritos ao interesse dinástico e sustentam-se com expedientes de momento e com favores egoístas das vontades que compram ou corrompem.

Somente as naturezas tímidas ou insensatas é que podem confiar-se na esperança já formulada pelos jornais conservadores: - Isto cai por si. Cai por si, é verdade, mas depôs de nos ter infeccionado com o vírus de uma decomposição irremediável. É preciso entrar, e de pronto, no caminho da recomposição nacional, de um modo deliberado e verdadeiramente digno. Que a Nação tome conta dos seus destinos. O que é a República, senão uma nacionalidade exercendo por si mesma a própria soberania, intervindo no exercício normal das suas funções e magistraturas? No estado actual da crise portuguesa só existe uma solução nacional, prática e salvadora - a proclamação da República. Só assim acabarão os interesses egoístas que nos perturbam e vendem, só assim aparecerá uma geração nova capaz de civismo e de sacrifícios pela Pátria.

No momento que atravessamos não há lugar para demonstrações teóricas, nem para argumentar com os pedantocratas do constitucionalismo. Eles já deram as suas provas. Para a crise extrema, um supremo remédio. Diante da Pátria vilipendiada pelo egoísmo de um regime e pela inépcia de todos os partidários que o sustentam, seja a nossa divisa a bela frase dos homens de 1820, que souberam libertar Portugal do protectorado execrando de Beresford:

Uma só vontade nos una … para procedermos como herdeiros das nobres gerações de 1384, de 1640, de 1820 e de 1834, fazendo a obra gloriosa da reorganização de Portugal.(…)


Lisboa 11 de Janeiro de 1891
O Directório do Partido Republicano
Teófilo Braga
Bernardino Pinheiro
José Jacinto Nunes
Manuel de Arriaga
J. F. Azevedo e Silva
Francisco Cristo

(Manifesto do Partido Republicano Português)

A.A.B.M.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

DESTAQUES NA BRIGANTIA


Como já dissemos aqui, e após uma rápida leitura deste volume, três artigos nos suscitam maior interesse. Os dois primeiros sobre a figura de José Francisco Trindade Coelho, a que já fizemos referência aqui, e o terceiro sobre uma polémica entre Guerra Junqueiro e o Padre Sena Freitas.
No artigo de José Maria Cruz Pontes, intitulado Trindade Coelho. Cartas para António Corrêa d'Oliveira dá-se continuidade a um trabalho já iniciado no número anterior e que transcreve a epistolografia de Trindade Coelho para o poeta Corrêa d'Oliveira. Neste artigo analisa-se o conteúdo das cartas trocadas entre ambos e as sugestões que Trindade Coelho realizava ao trabalho do poeta Corrêa d'Oliveira. Concluindo com o paralelelismo entre a vida de ambos os escritores, os problemas pessoais, as dúvidas e sugestões, as questões profissionais e literárias.

Uma artigo muito interessante e fundamental para conhecer melhor as duas personalidades em questão. Reconhecendo o papel de Trindade Coelho ao ter descoberto e protegido Corrêa d'Oliveira durante algum tempo, empenhando-se na sua valorização enquanto poeta. Um trabalho que inclui a publicação de cartas que podem servir para a realização ou avanço de outras investigações, porque a epistolografia é fundamental para estudar a personalidade de alguém e as pesosas com quem se vai relacionando, permitindo descobrir facetas diferentes daquelas que muitas vezes se mostram em público.

De seguida, o vastíssimo e valioso trabalho de investigação e prospecção biobibliográfica realizada pelo professor Hirondino Fernandes, sobre a figura de Trindade Coelho. Este vai ser, em nossa opinião, um trabalho marcante e fundamental para quem quiser estudar a personalidade de Trindade Coelho. Seria mesmo merecedor de uma publicação autónoma, em livro, caso alguma editora o tivesse descoberto atempadamente.

Neste artigo é possível encontrar, se não toda, quase toda a produção literária e jonalística de José Francisco Trindade Coelho. Mais, teve a preocupação de agrupar a produção deste autor por anos e descobriu os diferentes pseudónimos que utilizou ao longo do tempo. Após uma breve nótula biográfica, inicia propriamente a descrever a bibliografia activa com os documentos manuscritos que se encontram no Museu do Abade de Baçal. Parte depois para o levantamento de todos os documentos impressos que foi possível encontrar desde 1878/1879, muitos deles acompanhados de pequenos excertos, que mostram a minúcia da sua pesquisa. Consultou centenas de publicações periódicas e livros, bem como o espaço imenso que a Internet coloca à nossa disposição. Recolheu uma imensa quantidade de informação que agora fica disponível para outros investigadores poderem avançar em novas direcções. Elaborou também uma extensa bibliografia passiva sobre o autor ordenada alfabeticamente. Recolheu ainda uma utilíssima secção intitulada "Ecos da Imprensa" onde se encontram referências extremamente relevantes para os estudiosos de Trindade Coelho e da sua época. Pesquisou também as referências a Trindade Coelho na Câmara dos Deputados e na Câmara dos Pares. Encontrou ainda referência a uma curta metragem sobre a personalidade em apreço. Finalmente, também não poderia ser esquecida a iconografia, com um conjunto de imagens de Trindade Coelho, algumas delas muito pouco conhecidas que agora ficam a ilustar este valiosíssimo contributo para a cultura portuguesa.

Este artigo que se insere no seu projecto mais vasto de elaborar a Bibliografia do Distrito de Bragança, projecto ambicioso que há algum tempo temos tido oportunidade de vir a acompanhar. As longas décadas de trabalho de investigação e os milhares de páginas já escritas são um património importantíssimo para os transmontanos e, particularmente, para os brigantinos. Façam favor de não o deixar perder!!!
A amizade que começamos a construir nas nossas deambulações pelas bibliotecas, compulsando e recolhendo em jornais e revistas (muitas vezes a desfazer-se entre os dedos), procurando realizar um trabalho que nada nem ninguém recompensa, e, muitas vezes, só com o gozo de conseguir encontrar algo que já se pensava perdido e esquecido por todos. Ele procurando autores do seu distrito e nós pesquisando sobre autores do "Meu Algarve", tentando realizar um projecto semelhante para esta região.

Por fim, permitam-nos destacar o artigo da autoria de Henrique Manuel S. Pereira, intitulado Polémica entre Sena Freitas e Guerra Junqueiro, porque aborda uma polémica sempre presente entre republicanos,livres-pensadores e maçons face aos católicos. Neste caso representados por duas figuras de relevo num e noutro campos, numa polémica pouco conhecida entre o padre José Joaquim de Sena Freitas, que teria celebrado uma missa aquando do falecimento de Émile Littré (1881) onde criticou o seu pensamento ao que Abílio Guerra Junqueiro respondeu com a publicação de uma poesia onde insultava de forma clara o eclesiástico com "Littré e o Padre Sena Freitas" publicado no jornal portuense Folha Nova em Julho de 1881. O autor analisou os ecos na imprensa desta polémica e as suas várias leituras, bem como as referências que encontrou sobre esta questão em diferentes autores ao longo do tempo. Muito interessante para compreender a evolução do pensamento de Guerra Junqueiro e o anticlericalismo de muitos dos autores ligados ao Partido Republicano.

A.A.B.M.

sábado, 5 de janeiro de 2008

BRIGANTIA - REVISTA DE CULTURA


Publicou-se o XXVII volume da Brigantia - Revista de Cultura, respeitante ainda ao ano de 2007. Nesta publicação, agora dirigida por Ana Maria Afonso, encontram-se onze artigos, totalizando 832 páginas.

Num país onde este tipo de publicações dedicadas à cultura local e regional são ainda bastantes escassas, e, muitas vezes iniciativas fugazes de alguns amantes da sua terra, saúda-se a manutenção deste espaço cultural para reflexão e conhecimento da região circundante a Bragança.

De seguida, apresentaremos o sumário desta importante revista de cultura regional:

José Maria Cruz Pontes, Trindade Coelho. Cartas para António Corrêa d'Oliveira, p. 3-102.

Hirondino Fernandes, Coelho, José Francisco Trindade, p. 103 - 462.

Fernando de Sousa, A Indústria de Sedas em Trás-os-Montes, sob a Égide dos Arnauds
(1790-1820)
, p. 463-490.

António Rodrigues Mourinho, Macedo de Cavaleiros: Subsídio para a História do Património Histórico do Concelho, p. 491-690.

Henrique Manuel S. Pereira, Polémica entre Sena Freitas e Guerra Junqueiro: Notas para um "Correctivo", p. 691-724.

Carlos d'Abreu, Torre de Moncorvo: Território e Administração (1285-1994), p. 725 - 740.

A. Nogueira Afonso, Lembrando: Cón. Manuel Nunes Formigão, p. 741- 770.

Berta Beça, As Línguas do Romanceiro de Trás-os-Montes, p. 771-776.

António A. Pinelo Tiza, Tradições Nordestinas: Heranças Lusitanas, p. 777-798.

Maria Emília Pires Nogueiro, Breve Análise Iconográfica do Tecto Setecentista em Caixotões do Museu do Abade de Baçal, p. 799-824.

Ana Isabel Fernandes Miranda, Deilão, um Reduto da Tecelagem Artesanal em Trás-os-Montes, p. 825 - 832.

Nos próximos dias analisaremos, mais em pormenor, os vários e interessantes artigos que integram o presente número desta revista.

A.A.B.M.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

AS [NOSSAS] TRÊS ESCOLHAS DE 2007



* A História da PIDE, de Irene Flunser Pimentel, é indubitavelmente uma obra imprescindível para todos os que estudam o período salazarista. A acção opressora e repressora deste organismo, fulcral para sustentar a ditadura em Portugal durante quase meio século, foi finalmente analisado como um todo entre 1945 e 1974.

O estudo elaborado por Irene Pimentel, ao longo de mais de meio milhar de páginas, adaptada para publicação, "versão resumida e corrigida da dissertação de doutoramento em História Contemporânea Institucional e Política" defendida em Janeiro de 2007, na FCSH, da Universidade Nova de Lisboa, estrutura-se da seguinte forma:

1ª Parte – A Instituição Policial. Funções e Relações com o Estado.
2ª Parte – A PIDE/DGS e os seus principais adversários
3ª Parte – Outros adversários vítimas da PIDE/DGS
4ª Parte – Os Métodos da PIDE/DGS
5ª Parte – Da Prisão ao Julgamento
Epílogo: A PIDE/DGS, as Forças Armadas e o MFA

A autora, durante seis anos, teve que ultrapassar obstáculos complicados para poder desenvolver o seu trabalho. Destacam-se entre outros o perigo de estudar a história recente, os arquivos truncados, o melindre em abordar situações que envolvem pessoas ainda vivas, que têm uma determinada memória dos factos, que “filtraram” ou omitiram deliberadamente acontecimentos. Estes problemas acabam por ser ultrapassados, mas logo outros surgem, porque o questionar o nosso passado colectivo exige sempre um aprofundamento e uma complexidade crescentes para encontrar respostas que, por vezes são inesperadas, ou mesmo contrárias a algumas ideias que vão fazendo carreira, negando factos ou tentando branquear situações.

Irene Pimentel analisa situações como as técnicas de vigilância, de captura das pessoas, os interrogatórios, a investigação e instrução de processos, os julgamentos, a vida nas prisões e, em especial, a perseguição ao Partido Comunista Português ao longo deste tempo, com base na vastíssima rede de informadores que esta instituição dispunha por todo o País. Daí o clima de medo que existia em Portugal durante o salazarismo e mesmo com as alterações “cosméticas” introduzidas pelo consulado marcelista, a PIDE continuou a ser o organismo mais temido do Estado Novo.

Em nossa opinião, devem salientar-se também aspectos gráficos muito importantes nesta obra, a importância das imagens em extra-texto, dos apêndices com mapas, gráficos, fichas biográficas de alguns presos políticos e o muitas vezes esquecido índice onomástico, que facilita tanto o trabalho a quem tem de consultar uma obra desta dimensão.

Torna-se um trabalho de consulta obrigatória para quem estuda o período em questão. Apresenta também um instrumento de trabalho fundamental: as fontes e arquivos, bem como a imensa bibliografia consultada, inclusive a publicada no estrangeiro.

Em segundo lugar, optamos por um estudo da época que nos ocupa mais, neste nosso inglório esforço para acompanhar a produção historiográfica portuguesa no domínio da história contemporânea. Neste caso, um trabalho realizado por Maria Alice Samara, Operárias e Burguesas. As Mulheres no Tempo da República, que se dedica “a dar a conhecer mulheres dos alvores do século XX”. O conjunto das 12 biografias, com leituras actualizadas e novas interpretações sobre o papel de algumas mulheres de destaque na sociedade portuguesa no início do século XX como: Guiomar Torrezão, Alice Pestana, Domitila de Carvalho, Regina Quintanilha, Angelina Vidal, Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo, Maria Veleda, Emília de Sousa Costa e Maria Alves complementado por dois ensaios: A mulher vista pela mulher e o olhar masculino sobre a mulher.

Uma obra de divulgação da transformação da condição feminina em Portugal, partindo de exemplos concretos de mulheres que foram “pioneiras” no seu tempo, porque lutaram de variadas formas para alcançar uma maior visibilidade, respeitabilidade e importância numa sociedade dominada por homens. Encontramos feministas, socialistas, republicanas, operárias que “tinham dificuldades em fazer ouvir a sua voz”, por isso, muitas vezes acabam por ficar no ostracismo. Devido a esta circunstância, também o Almanaque Republicano tem dedicado pouco espaço às mulheres republicanas. Muitas continuam pouco conhecidas, apesar de trabalhos recentes desenvolvidos por várias investigadoras sobre a questão feminina, pois circunscrevem-se a meios universitários e pouco divulgados para o exterior.

Por fim, o trabalho de António Ventura, sobre A Maçonaria no Distrito de Portalegre a que fizemos referência aqui. As cerca de 300 biografias elaboradas, os diversos triângulos e lojas dispersos pelo distrito mostram a importância que a Maçonaria teve na região, em particular com as informações recolhidas de carácter social que mostram a influência da mesma nas primeiras décadas do século XX. Como era importante surgirem trabalhos semelhantes para outros distritos do País!!!

O carácter enciclopédico deste trabalho, como assinala Salvato Telles de Menezes, na apresentação do livro torna-o um “marco singular nos estudos maçónicos”, pois permite acompanhar com grande detalhe entre 1903 e 1935, as lojas e triângulos existentes no distrito de Portalegre subordinadas ao Grande Oriente Lusitano Unido, ao Grémio Luso-Francês, ao Direito Humano e ao Soberano Grande Conselho Geral Ibérico, com os respectivos quadros. As informações foram recolhidas nos Livros Gerais do Arquivo do Grémio Lusitano, foram completadas com outra documentação existente no Arquivo Distrital de Portalegre, em primeiro lugar, mas também de Arquivos Distritais do país – em particular, Aveiro, Évora, Setúbal, Leiria, Santarém, Viana do Castelo, Lisboa, Coimbra, Évora -, no Instituto dos Arquivos Nacionais Torre do Tombo, Arquivo Histórico Militar, Arquivo Histórico Ultramarino, Arquivo da Marinha, Arquivo Geral do Exército, Arquivo Geral da Universidade de Coimbra, Arquivo da Universidade de Lisboa, entre muitos outros arquivos. Tornou-se também imprescindível a consulta da imprensa local e nacional. Sem esquecer as informações dadas por familiares dos biografados.

Este conjunto de três livros, publicados em 2007, e que, na nossa humilde opinião, se tornaram imprescindíveis para qualquer investigador ou pessoa interessada nos assuntos relacionados com a história contemporânea de Portugal. Serão sempre escolhas subjectivas, algumas mais discutíveis outras facilmente compreensíveis devido à temática que abordam. Ficamos à espera de mais e melhores livros em 2008 e cá estaremos para os divulgar, sempre que tenhamos conhecimento do facto, ou para os analisar sempre que isso seja possível e exista disponibilidade para tal.

A.A.B.M.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

HISTORIOGRAFIA CONTEMPORÂNEA PORTUGUESA DE 2007 - 10 LIVROS



1. História da PIDE - Irene Flunser Pimentel (Círculo de Leitores / Temas & Debates)
2. Operárias e Burguesas. As Mulheres no Tempo da RepúblicaMaria Alice Samara (A Esfera dos Livros)
3. A Maçonaria no Distrito de PortalegreAntónio Ventura (Editora Caleidoscópio)
4. Vítimas e Violências na Lisboa da I República - Maria Rita Lino Garnel (Imprensa da Universidade de Coimbra)
5. Ir Prò ManetaVasco Pulido Valente (Alêtheia)
6. Vítimas de Salazar. Estado Novo e Violência Política - João Madeira (coord.), Luís Farinha, Irene Flunser Pimentel, (A Esfera dos Livros)
7. Progresso e Religião: A República no Brasil e em Portugal 1889/1910 – Coord. Amadeu Carvalho Homem, Armando Malheiro da Silva e Artur César Isaía (Imprensa da Universidade de Coimbra)
8. D. Carlos. Lisboa, 1908 - Marina Tavares Dias (Quimera)
9. Suicídios Famosos em PortugalJosé Brandão (Europress Editores)
10. A Revolução Portuguesa 1907-1910 (ed. facsimilada.) – Machado dos Santos (Arquimedes Livros)

A.A.B.M.
J.M.M.

ANO DE 2007: OS MELHORES LIVROS




O Almanaque Republicano tem percorrido, em renovação espiritual, assuntos, factos e figuras, aditando, de passagem, notas biobibliográficas & recenseando obras admiráveis de homens e mulheres que fazem parte da História da Alma Republicana, e que pertencem (ou deviam pertencer) à memória de todos nós.

Tal inventariação assim desenhada, afastada a condição tarefeira do crítico/historiador (que não somos) ou o pretexto de devaneio de uma qualquer erudição (que não possuímos), não é (pitorescamente) um simples capricho de coleccionistas (sem dormir nocturno). Mas significa, pelo arquivo de fontes e pelo repertório apresentado a todos vós (e nós), a expressão do sentimento & gozo de (re)valorizar uma época das "mais interessantes da história da sociedade portuguesa contemporânea". Curiosamente, pelas várias crises (espirituais, culturais, económicas e políticas) então sustentadadas e nunca dirimidas, as conflitualidades de antanho parecem estar de novo a renascer no Portugal de 2007, tal a profusão de indícios a esse respeito. A "canibalização" (para utilizar uma feliz expressão de Miguel Real, in "A Morte de Portugal") política e a "humilhação" a que assistimos sugerem que não se tem em conta as figurações que os reiterados eventos da história nos legou. O que é espantoso!

Talvez porque a leitura do processo de "decadência" do país (lido à maneira do vate Pessoa) terá de ser sempre um eterno retorno ao seu "princípio deslumbrado", uma "marinharia" que afaste do exílio & da solidão os nossos melhores espíritos, o ano que passa viu dar à estampa uma profusão de compilações e publicações sobre a I República e o Estado Novo, como urgência de assimilar uma das várias quimeras do nosso descontentamento. O trabalho e o saber pioneiro de alguns historiadores, a leitura atenta de muitos biógrafos, a investigação histórica credenciada, a obra e a narrativa académica de outros mais, deram lugar, de uma maneira ou outra, a um enriquecimento sobre o período republicano e do Estado Novo, a que estamos todos gratos.

A nossa escolha, necessariamente subjectiva, assume como característica primeira, para além de suscitar o equilíbrio entre a descrição e a erudição que qualquer trabalho nos merece, o de poder ser um guia bibliográfico estimulante, bem como revelar uma inventariação séria e documentada de factos e biografias políticas, por ora quase indispensáveis. Foi difícil a tarefa, mas que nos mereceu a maior estima.

Vale!

J.M.M.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

sábado, 22 de dezembro de 2007

EFEMÉRIDES DE DEZEMBRO (Parte II)




Dia 12
1907 - Reuniu-se o Centro Republicano Democrático de Alcobaça para a eleição dos corpos gerentes para 1908.Foram eleitosos seguintes cidadãos:
Assembleia Geral: Dr. José Eduardo Raposo de Magalhães, Eurico Araújo e Aniceto Rosa.
Direcção: José Ferreira da Silva, Sebastião Vazão, Manuel Serrano de Figueiredo, Joaquim Ferreira da Silva, José de Sousa Vitorino.
Conselho Fiscal: Dr. António de Sousa Neves, Manuel Pereira dos Santos e João António Vasco.
Presidiu à sessão o Dr. Raposo de Magalhães, secretariado pelo sr. Eurico de Araújo e Joaquim F. da Silva.

Dia 14
1907 - O escultor Simões de Almeida foi o responsável por leccionar português, francês e escrituração comercial no Centro Escolar Republicano Anselmo Xavier em Alcanena.
1907 - Realizou-se no Centro Republicano Dr. José Falcão, na Figueira da Foz, a eleição da Comissão Paroquial desta freguesia. O acto foi presidido pelo Dr. Cerqueira da Rocha, presidente da comissão municipal, secretariado pelo sr. Joaquim da Silva e João Rodrigues Estrela. O presidente do Centro, José da Silva Fonseca, usou da palavra para saudar os cidadãos republicanos figueirenses. Foram eleitos os seguintes cidadãos: Efectivos - José da Silva Fonseca; António Marques de Carvalho Cottim; e, Patrício dos Reis Gomes. Substitutos: José Miguel Pinto da Silva; Albino Carvalho Saraiva; e, Miguel Inácio dos Santos.

Dia 16
1907 - Foi eleita a Comissão Paroquial Republicana de Cachoeiras, concelho de Vila Franca de Xira. Discursaram na sessão os correligionários Cardoso Gonçalves, Carlos José Gonçalves e Dias da Silva que presidiu à eleição. Foram eleitos como efectivos: Joaquim António Germano, presidente; António Caldeira, secretário; Ventura Caldeira, tesoureiro. Substitutos: António Germano Levesinho, José Lopes Coquenim; Francisco Miguel Grilo.
1907 - Inauguração de um curso de instrução e educação da mulher no Centro Republicano Dr. António José de Almeida. A responsável do curso era a sra. Maria Velleda. Discursaram nessa ocasião o sr. Fernão Botto Machado e Maria Velleda.

Dia 19
1907 - Foram eleitos os corpos gerentes do Centro Escolar Democrático do Socorro, para 1908. Assembleia Geral: Daniel Gonçalves de Almeida, presidente; Júlio Ernesto da Silva e António Baptista Moreno, secretários; José Maria Gonçalves, vice-presidente; Carlos Dias Costa e José Dias Costa, vice-secretários.
Direcção: Júlio Ernesto Rodrigues, presidente; António José Alves, vice-presidente; Joaquim José Valente e Alberto Carlos Fulgêncio, secretários; Luís Lopes Dias, tesoureiro; Alfredo Chagas e Carlos João Neves, vogais.
Conselho Fiscal: João Garrido Pires; José Telles; e, António Soares de Figueiredo.
Comissão de Beneficência: Daniel Gonçalves de Almeida; Júlio Ernesto Rodrigues; João Garrido Pires; e, Luís Maria Lopes Dias.

Dia 21
1907 - Eleição da Comissão Municipal Republicana de Sintra. Efectivos: Francisco Rodrigues Ferreira, proprietário e comerciante em S.Pedro; Francisco Martins, Gregório Casimiro Ribeiro e Jayme Theophilo dos Santos, comerciantes, da Vila Estefânia; e, Manuel Jordão, proprietário, do Vale de S. Martinho. Substitutos: António Malheiro, farmacêutico, da VIla Estefânia; José Soares Ribeiro, proprietário, de Mem Martins; João Simões, industrial, de Sintra; Joaquim Wenceslau Gomes, comerciante; e, Aparício Fructuoso, escriturário, da Vila Estefânia.

Dia 22
1907 - Eleição da Comissão Paroquial de Lavos (Figueira da Foz). Efectivos: José da Cruz Leal, presidente; Manuel da Silva Carrisso, primeiro secretário; José Ribeiro, segundo secretário; António Dias Monteiro, tesoureiro. Substitutos: José Cardoso Fidalgo; António Athayde Roque; e, Alfredo Fernandes Delgado.
1907 - Eleição da Comissão Paroquial Republicana do Paião (Figueira da Foz). Efectivos: José Ferreira Sopas, presidente; Manuel de Oliveira Pinto, primeiro secretário; Manuel Francisco Leal, segundo secretário; José Freitas de Andrade, tesoureiro. Substitutos: Francisco Freitas de Andrade; José Pedrosa Carraco; e, Francisco R. Pedro Gião.

[Na foto o Dr. Joaquim José Cerqueira da Rocha (1870 - 1928), médico, formado em Coimbra. Maçon, iniciado na Loja Fernandes Tomás (Figueira da Foz), com o nome simbólico de Delpech, mais tarde filiou-se na Loja Evolução, em 1913, representando-a no Congresso Maçónico desse ano. Foi presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, administrador do concelho e deputado à Assembleia Nacional Constituinte em 1911.]

A.A.B.M.

IMPOSTOS: A PAIXÃO POPULAR


Impostos: a paixão popular

Ontem como hoje, a "felicidade" dos nossos indígenas é a mesma: os impostos. Numa curiosa sátira sobre a questão dos impostos, publicada no António Maria [25 de Março de 1880], onde participa o então Ministro dos Negócios da Fazenda Henrique de Barros Gomes, tendo ao seu lado Anselmo José Braamcamp e no outro lado a dita oposição (António Rodrigues Sampaio e António Maria de Fontes Pereira de Melo), Rafael Bordalo Pinheiro coloca o Zé-Povinho "amarrado pelos laços do défice à coluna dos impostos", enquanto é "ameaçado pela lança do selo".

J.M.M.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

EFEMÉRIDES DE DEZEMBRO (Parte I)


EFEMÉRIDES DE DEZEMBRO (Parte I)

Dia 1
1907- O Directório do Partido Republicano encarregou o cidadão José Pessoa Ferreira de organizar as forças partidárias no concelho de Mangualde.
1907 - Na Academia de Estudos Livres realizou-se uma sessão solene para a distribuição de prémios aos alunos mais distintos. Presidiu à sessão o sr. João Viegas Paula Nogueira, secretariado pelos srs. José Pinheiro de Mello e Dr. Francisco de Paula Reis Santos. Nesta ocasião o Dr. Reis Santos proferiu uma conferência intitulada Festas Escolares.
1907 - Eleição das Comissões Paroquiais Republicanas de Odemira. Freguesia de Santa Maria: Efectivos - João António Cordeiro, presidente; Miguel Dias Ferro, secretário; António José Rodrigues, tesoureiro. Substitutos - João Gonçalves de Oliveira, Joaquim da Silva e Justino Camacho.
Freguesia de Salvador: Efectivos - Alberto Coelho do Amaral, presidente; Agapito Salgado, secretário; António de Mattos, tesoureiro. Substitutos - António Maria de Oliveira, João Guerreiro da Capelinha e Manuel Custódio.

Dia 3
1907 - No Centro Escolar Dr. Afonso Costa, o Dr. Alves Torgo, realizou-se a cerimónia de abertura de um curso nocturno para mulheres. O Dr. Alves Torgo, presidente do centro, proferiu uma breve alocução enaltecendo a obra de instrução e educação da mulher.


Dia 8

1907 - Augusto José Vieira, da Associação de Registo de Civil, na sede da Associação dos Tanoeiros, em Vila Zenha (Xabregas), subordinada ao tema: O Dogma da Imaculada Conceição.
1907 - Anuncia-se a publicação de mais um semanário republicano, desta feita em Mangualde, por iniciativa do cidadão Pessoa Ferreira, intitulado O Intransigente.
1907 - Na cidade de Viseu, encontrava-se em funcionamento mais uma Missão da Escolas Móveis pelo Método de João de Deus. Decorria nas instalações do Asilo-Oficina Santo António e tinha devia-se ao esforço e empenho do Dr. Lopes de Oliveira e Tomás da Fonseca. Segundo o jornal A Lucta, ter-se-iam inscrito nesta missão mais de 500 indivíduos entre adultos e crianças de ambos os sexos. Funcionavam já dois cursos para adultos e menores do sexo masculino, de 80 alunos cada. Funcionava ainda na Escola Liberal João de Deus outro curso nocturno para adultos e crianças do sexo feminino, com cerca de 30 crianças.
Para os adultos que já sabiam ler, cerca de setenta, inauguraram as comissões republicanas a Escola Democrática, funcionando já na sede do Centro Republicano, sob a regência do secretário da comissão municipal de Viseu, o sr. Alberto Basto, redcator do semanário republicano A Beira.
1907 - Inauguração do Centro Escolar Republicano no Cartaxo de um curso livre de Ciências Naturais, dirigido pelo dramaturgo o sr. Dr. Marcelino Mesquita, que se realizava às quintas-feiras e domingos.
1907 - Eleição da Comissão Paroquial Republicana de Alverca do Ribatejo. Efectivos - presidente, Domingos Pinto Ferreira, proprietário; secretário, Eugénio José Gonçalves Ferreira, proprietário; tesoureiro, José Raymundo Nogueira, comerciante. Substitutos: Domingos José Ferreira; Manuel Severino Júnior; e Alberto Baptista de Almeida.
1907 - Foi eleita a Comissão Municipal Republicana de Portalegre. Efectivos - António Rodrigues Curvelo; Dr. Apolino Augusto Marques; Dr. João da Rocha Pina Corte Real; Manuel Dias Ferreira; e Rodrigo Boaventura de Mattos. Substitutos - Angelo Ferreira da Silva; António Augusto Niny; António Maria Fragoso; António dos Anjos Mourão e Silvestre Maria Bollou.

Dia 9
1907 - No Centro Escolar Republicano do Cartaxo inaugurou-se um curso de desenho para operários regido pelo sr. Maximiano Nogueira da Silva.
1907 - Anunciava-se para 1 de Janeiro de 1908 o reaparecimento do semanário republicano flaviense A Aurora, dirigido pelo Dr. António Granjo. Neste semanário colaboravam também o padre António Serimónias, Godofredo Monteiro, que tinha sido director do jornal republicano Paladino e Xavier Júnior.

Dia 10
1907 - As autoridades mandaram encerrar o curso nocturno de instrução primária que estava em funcionamento com o apoio da Comissão Municipal Republicana de Arronches.

[Foto de Tomás da Fonseca in Casa Museu Abel Salazar/Fundação Mário Soares, com a devida vénia.]

A.A.B.M.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

JOSÉ LOPES DE OLIVEIRA


Nasceu em Vale de Açores (Mortágua) em 25 de Dezembro de 1881. Filho de João Lopes de Oliveira e Maria Adelaide de Jesus.

Filho de gente humilde, cedo teve que leccionar para fazer face às despesas. O seu padrinho, pai do escritor Tomás da Fonseca, vendo nele qualidades de estudo e inteligência, ajudou-o bastante. Ainda jovem estudante colaborou em jornais, revistas e panfletos, sendo considerado pelo amor ao estudo e pela defesa que fazia dos seus ideais republicanos. Assim se tornou um prosador forte, sugestivo e original, com qualidades superiores de escritor.

Fixou residência na Parede, concelho de Cascais e leccionou no Liceu Passos Manuel, até ao limite de idade.

Frequentou a Universidade de Coimbra onde se licenciou em Direito em 1905. Foi professor de História e Geografia no Liceu de Viseu.

Ainda jovem estudante, colaborou em jornais, revistas e panfletos e mais tarde como professor em Viseu publicou alguns artigos em jornais como A Beira, Sol Nascente e Correio de Mortágua, estes dois últimos publicados em Mortágua. Assim se tornou um prosador forte, sugestivo e original, com qualidades superiores de escritor.

Em 1910 foi professor de História Universal no Liceu Passos Manuel, em Lisboa, onde atingiu na sua vida académica a função de reitor em 1920. Os seus alunos tratavam-no por “ Pai Lopes “. Terminou a sua actividade como docente em 1946.
Após a proclamação da República foi nomeado director da Escola Normal de Lisboa.
Em 1912 é relator de uma tese sobre Educação Cívica na Escola Primária, apresentada no III Congresso Pedagógico.

Em 1913 foi presidente da Comissão Revisora de Livros Didácticos das escolas primárias. O trabalho da referida comissão, teve como resultado a elaboração de um relatório, que é um documento que permite a compreensão deste processo, e onde estão claras as alterações pretendidas, tanto ao nível das finalidades do ensino da história como dos respectivos procedimentos metodológicos.

Politicamente, fez defesa dos ideais republicanos, tendo sido militante do Partido Republicano Português até 1920.

Foi Chefe de Gabinete de Bernardino Machado.

Foi convidado para Ministro do Governo Provisório, convite que recusou.
Em 1923 ingressou no Partido Republicano Radical, fazendo parte do seu directório e seu presidente a partir de 1925.

Em 1949 prefacia a obra de Tomás da Fonseca, Memórias de um Chefe de Gabinete.

Foi iniciado na Maçonaria em Coimbra, na Loja Portugal, em 1906, com o nome simbólico de Rousseau.

Morre em Parede (Cascais) a 3 de Agosto de 1971.

Obras publicadas:
Intelectuais: I – Bernardino Machado, Lisboa, 1902.
Intelectuais: II – Camilo Castelo Branco, Lisboa, 1902.
Intelectuais: III – Fialho de Almeida, Lisboa, 1903;
A Justiça e o Homem, Coimbra, 1904;
O Poeta Cavador Manoel Alves, Coimbra, 1906 (em colaboração com Tomás da Fonseca);

Das Últimas Gerações. Sousa Costa, Lisboa, 1911;
“Educação Cívica na Escola Primária” in III Congresso Pedagógico, Lisboa, 1913;
Por Terras de Portugal, 1930;
História do Regímen Republicano. A Propaganda Republicana, Lisboa, 1934;
Memórias. Guerra Junqueiro, Lisboa, 1938;
Rema Sempre! Memórias, Crítica, Paisagem, Lisboa, 1940;
Quadro da História Universal: Evolução da Humanidade, Lisboa, 194?;
As Grandes Figuras da Humanidade – História Geral da Civilização (Direcção e colaboração), 5 vols., Lisboa, 1944-1945;
Eça de Queirós. História das suas obras contadas por ele próprio, Lisboa, 1944;
…E mesmo contra a Maré!, Lisboa, 1945;
História da República Portuguesa, Lisboa, 1947;
Retalhos dum Julgamento, Lisboa, 1954;
Guerra Junqueiro. A sua vida e sua obra, Lisboa, 1954-1955;
História da Revolução Francesa, 2 vols., Lisboa, 1965;

Colaborou com Rocha Martins na colecção Cadernos Históricos, onde publicou diversos estudos como:
- A Democracia. Sua origem, sua eclosão e seu triunfo, os direitos do povo. A Casa dos Vinte e Quatro;
- A Liberdade Portuguesa (1820);
- Páginas Desconhecidas. Oliveira Martins;
- A Primeira Constituição Portuguesa;
- A Revolução de 5 de Outubro de 1910;

Conhecem-se colaborações suas nos seguintes órgãos da imprensa diária portuguesa:
- O Debate, Jornal Republicano da Noite, Editor: João Pedro dos Santos, Lisboa, 1920;
- A Democracia, Diário do Partido Republicano Português, Dir. João Camoesas, Lisboa, 1921;
- Diário do Povo, Dir. José de Macedo, Lisboa, 1925;
- Diário Popular, Diário Republicano da Manhã, Dir. Celorico Gil, Lisboa, 1929-1930;
- A Montanha, Diário Republicano da Manhã, Dir. A. F. Seixas Júnior, Porto, 1911-1936;
- O Povo, Diário Republicano da Manhã, Dir. Ricardo Covões, Lisboa, 1911-1916;
- A República Portuguesa, Diário Republicano Radical da Manhã, Dir. Luís da Câmara Reys, Lisboa.
- República, Dir. António José de Almeida, Lisboa, 1911- 1975;

Colabora também em inúmeras revistas como:
- Atlântida, Dir. João de Barros e João do Rio, Brasil-Portugal,1915-1920;
- Ave Azul, Dir. Carlos de Lemos e Beatriz Pinheiro, Viseu, 1899-1900;
- A Crónica, Dir. Luís da Silva e Santos Júnior, Lisboa, 1900 a 1906;
- Germinal, Dir. J. Gonçalves e A. Basto, Porto, 1901-1902;
- Ilustração, Dir. João da Cunha de Eça e Artur Brandão, Lisboa, 1926-1939;
- Livre Pensamento, Coimbra, 1905;
- Nova Aurora, Dir. Domingos de Castro, Tábua, 1900-1901;
- Revista Nova, Dir. Apto de Oliveira, Lisboa, 1927;
- Terras de Portugal, Dir. Gomes Barbosa, Lisboa, 1925-1935.

A.A.B.M.

sábado, 15 de dezembro de 2007

IRENE FLUNSER PIMENTEL - PRÉMIO PESSOA 2007


"A História são histórias de pessoas" [Irene Pimentel, in Expresso, 15/12/07]

Irene Pimentel, após anos de dedicação à historiografia contemporânea e outros tantos mais de acedida generosidade, recebeu o Prémio Pessoa 2007. Homenagem justa e prestigiante, o prémio concedido é, sem qualquer dúvida, o reconhecimento do seu esforçado trabalho, que irradia uma luz eminentíssima, mas exalta também aqueles (e são muitos) que fora do círculo académico, sem ruído nem lisonja, privam dificuldades e contrariedades insuspeitas na sua abnegação e cumplicidade com a problemática da história contemporânea e a sua investigação.

É inquestionável a solidez, qualidade e a maturidade dos trabalhos de investigação que tem apresentado Irene Pimentel, como: "As Organizações Femininas do Estado Novo" (Círculo de Leitores, 2000), "Os judeus em Portugal durante a 2ª Guerra Mundial" (Esfera dos Livros, 2006), "Vítimas de Salazar. Estado Novo e Violência Política" (co-autoria com João Madeira, e Luís Farinha, A Esfera dos Livros, 2007), "A História da PIDE" (Círculo de Leitores, 2007), "A Mocidade Portuguesa Feminina" (Esfera dos Livros, 2007).

O Prémio Pessoa 2007 atribuído a Irene Pimentel honra o Júri e é de muito merecimento para a laureada. O Almanaque Republicano, que tem acompanhado com admiração a obra de Irene Pimentel, saúda a investigadora e historiadora premiada, fazendo votos do maior sucesso nos seus trabalhos futuros. Muitos parabéns.

J.M.M.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

CÂMARA DOS PARES OU SALA DO SENADO


A actual Sala do Senado – no Palácio de S. Bento (Assembleia da República) – foi em 1867 inaugurada por D. Luís I para os trabalhos das sessões da Câmara dos Pares ou Câmara dos Dignos Pares [introduzida, via Carta Constitucional de 1826, dado o novo sistema bicameral. Diga-se, que a primitiva Câmara dos Pares ficou sitiada no Palácio do Rossio, antiga dependência do tribunal do Santo Ofício, até que um incêndio o destruiu]

O Palácio de S. Bento, ou antigo convento de S. Bento da Saúde

[pertencente à Ordem de Beneditinos, com ligação ao Convento de Tibães. Em 1615 era composto por "celas, boa livraria, vasta cerca e declivoso terreiro" (ref. Joaquim Leitão, Livros de S. Bento. Memória, 1936)].

foi fundado em 1598 [refª Guia de Portugal. Lisboa e Arredores, BNL, 1924] e concluído em 1615, sob o traço arquitectónico de Baltasar Álvares. Em 1834 [com obras a cargo do arquitecto Possidónio da Silva, que, curiosamente, segundo refere Joaquim Leitão (op. cit.) não recebeu "moeda" alguma do Rei pelo seu trabalho a não ser "as insígnias da Torre e Espada", pelo que ainda em 1870 tentava o arquitecto receber o pecúlio estipulado] foram aí instaladas as Câmaras Legislativas, tendo-se na altura reformulado a Sala dos Deputados e, também, a Sala dos Pares ["que dá para a calçada da Estrela"], que "foi apropriada na antiga Casa do Capitulo" [id. ibid]. Data, como referimos, de 1867 a sua inauguração.

J.M.M.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

IMPRENSA REPUBLICANA NO DISTRITO DE ÉVORA (Parte II)


IMPRENSA REPUBLICANA NO DISTRITO DE ÉVORA (Parte II)
Concelho de Montemor-o-Novo
5 - Democracia do Sul
Semanário de Propaganda.
Redactor Principal: Leão Magno Azedo.
Director Político: Joaquim Pedro de Mattos.
Redacção, Administração e Tipografia: Rua Direita - Montemor-o-Novo.
Colaboradores: Entre as centenas de colaboradores permitam-nos destacar Brito Camacho, Fazenda Júnior, João de Menezes, Estevão de Vasconcelos, J. Bacelar, Heliodoro Salgado, Silvestre Falcão, António José de Almeida, Júlio A. Martins, Guerra Junqueiro, Júlio Borges, Alice Costa, Eduardo Geraldo, Freixo Durão, J. Rosa, Roma Pinto, etc.
O nº1 foi publicado em 1-1-1901 e suspende publicação em 1-8-1971. Em 2 de Agosto de 1917 transferiu a publicação para a capital de distrito onde se manteve até 1971.
A sua periodicidade também foi alterada ao longo do tempo, começou como semanário, depois passou a bissemanário e mais tarde a diário, regressando depois à sua periodicidade original.
Concelho de Redondo
6- A Imprensa Livre
Folha Democrática.
Semanário.
Este semanário era impresso em Évora e começou a publicar-se em 7-11-1886, publicando-se até Abril de 1888.
NOTA: Agradem-se mais contributos para completar estas informações sobre as publicações de carácter republicano publicadas no distrito de Évora antes da implantação da República.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
MARQUES, A. H. de Oliveira, Guia de História da 1ª República Portuguesa, Editorial Estampa, Lisboa, 1997.
MONTE, Gil do, O Jornalismo Eborense, ed. do autor, Évora, 1978.
A.A.B.M.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

IMPRENSA REPUBLICANA NO DISTRITO DE ÉVORA (Parte I)




Concelho de Estremoz

1 - Aurora de Estremoz
Semanário político, imparcial, literário e noticioso
Iniciou publicação em 05-09-1886 e terminou em 05-03-1887, publicando 27 números.
Publicava-se em Estremoz.


Concelho de Évora

2 - A Rabeca
Jornal satírico, noticioso e político.
O primeiro número publicou-se em 31-01-1897 e o último em 01-05-1897, com o nº 15.
Administrador: Manuel Vicente Ventura.

3 - A Luta
Semanário republicano, circulava copiografado e que a partir do nº 2 surge com a nota de semanário independente.
Começou a publicar-se a 12-09-1897 e terminou com o nº 13, datado de 05-12-1897.
Director: Joaquim Roberto da Silva, substituído por F. A. Gonçalves a partir do nº13.
Administrador: Tobias Moscoso, substituído por A. L. da Silva a partir no nº acima referido.
Editor: António Malta Fialho, substituído por A. C. Sequeira a partir do nº 13.
Colaboradores: Inácio da Conceição (utilizava o pseudónimo de Saragoçano); Possidónio dos Reis; Joaquim Roberto da Silva e outros que se ocultvam sob pseudónimos hoje impossíveis de apurar como: Rabanete, Zambujo, El Coxixo, entre outros.
A Redacção, Administração e Copiografia funcionava em Évora, mas não se indicava nem Rua, Avenida ou Largo.
Este semanário publicava-se aos domingos, com 4 páginas a 2 colunas escritas manualmente.

4 - A Voz Pública
Fundador: Domingos da Silva e Luís Silva.
Director: Dr. Evaristo Cutileiro.
Editor: João Mariano Franco.
Secretário: António M. Cabral.
Redacção e Administração: Rua da Horta Nova.
Iniciou publicação em 1904 e suspende em 25-03-1920.
Colaboradores: António Sardinha; Leão Magno Azedo; Alfredo Gallis; Mayer Garção; Edmundo Pobis, Delfim Guimarães, A. Madeira Pinto, João Camoesas, Alfredo de Magalhães, António Granjo, José Cordovil, Estevão Pimentel, Ribeiro Carvalho, Luís Leitão, Acácio de Seabra, Palmira Lopes Tavares, etc.

[a continuar]

A.A.B.M.

D. CARLOS - VISITA RÉGIA A ANGRA DE HEROÍSMO


D. Carlos - visita régia a Angra do Heroísmo

1902 - Postal ilustrado da visita Régia a Angra do Heroísmo.

J.M.M.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

JOAQUIM RIBEIRO DE CARVALHO (1880-1942) - NOTA BREVE


Joaquim Ribeiro de Carvalho nasceu em Arnal (concelho de Leiria) a 7 de Abril de 1880 [cf. As Constituintes de 1911 e os seus deputados, Lisboa, Livraria Ferreira, 1911]. Era filho de Manuel Ribeiro da Costa e de Maria da Encarnação Carvalho. Frequenta o seminário de Leiria, que abandona para seguir o jornalismo. Escreve então no primeiro jornal republicano de Leiria, A Integridade. Publica aos 17 anos o seu primeiro livro de poesia, "Livro de um sonhador", a que se seguiram outros. Curiosamente, mais tarde, é agraciado (1906), com Ordem de Sant'Iago, pela governação monárquica.

Funcionário público [chefe da secretaria da Inspecção das Escolas de Lisboa], jornalista, poeta e romancista, fez parte do Partido Republicano Português (P. Democrático), e ainda, do Partido Evolucionista, do Partido Nacionalista, Partido Liberal e da Acção Republicana. Foi (sempre) deputado pelo círculo de Leiria, exceptuando o período de 1918 (Sidonismo) e em 1925, onde surge como candidato independente. Em 1926, no pronunciamento militar, vai para a ilha da Madeira, regressando (1930) para (de novo) ocupar o lugar de director do jornal República.

Foi membro activo da Carbonária portuguesa. Esteve presente na proclamação da República, feita na Câmara Municipal de Lisboa. Funda, pouco depois, o Centro Radical Português. Em 1911 é iniciado [cf. A.H. Oliveira Marques, Dicionário da Maçonaria, 1986] na maçonaria, no triângulo nº143 de Erra (concelho de Coruche) com o nome simbólico de Liberto. Transita depois para a Loja Evolutiva (de Coruche) e, mais tarde na ditadura, está (1929) na Loja Acácia de Lisboa e, depois, na Loja Cândido dos Reis, também de Lisboa.

Foi membro da Academia das Ciências, participou na comissão organizadora da edificação do monumento a António José de Almeida [a que presidia Gago Coutinho], dirigiu a Biblioteca de Educação Moderna, foi sócio da Sociedade Nacional Tipografia a que pertencia o jornal O Século (1921-22).

Colaborou em diversos periódicos: Alma Nova (1913), Amanhecer (Leiria, 1924 onde escrevia José Loureiro Botas), O Arauto (Lisboa, 1902), Ave Azul (Viseu, 1899-1900), Boémios (Porto, 1899), O Campeão (Porto, Novembro 1899-1901), O Comércio de Barcelos (1911), A Crónica (1900-1906, Lisboa), O Diabo (Lisboa), O Domingo (Angra Heroísmo, 1909-1911), Estrela do Minho (Famalicão, 1895-1960), Germinal (Porto, 1901-02, no nº 1 e poesias no nº 2 e 12), Gil Braz (Lisboa, 1898-1904), O Grande Elias (Lisboa, 1903-1905), O Jornal (1902-06), O Liberal (1918-21, onde foi propr. e dir.), Mala da Europa (Lisboa, 1894-1916), Nova Aurora (Tábua, 1900-1905), A Palavra (1922, diário monárquico), Quadras do Povo (Lisboa, 1909), República (que dirigiu entre 1920-24 e 30-42, tendo sido quem chamou José Rodrigues Miguéis ao jornal, onde vai escrever a coluna "Poeira da Rua"), A República Portuguesa (1910-11, diário republicano da manhã, de que foi fundador), Revista Internacional (Lisboa, 1903-04), Revista Literária Cientifica e Artística (supl. O Século, 1902-05), O Rosmaninho (Porto, 1900), Vimaranense (Guimarães, 1915-19), Zig-Zag.

Morre a 10 Outubro de 1942, em Lisboa.

[foto: retirada, com a devida vénia, da página de Carlos Fontes]

J.M.M.

RIBEIRO DE CARVALHO - REVISITAÇÃO





Ribeiro de Carvalho - revisitação

A Hemeroteca Municipal de Lisboa "propõe-se revisitar alguns dos espaços emblemáticos da cidade de Lisboa relacionados com a vida e obra de [Joaquim] Ribeiro de Carvalho".

"Figura singular da I República, Ribeiro de Carvalho destacou-se sobretudo como político e jornalista. Carbonário, maçon, deputado às Constituintes, tradutor, poeta, foi ainda um 'grande' director do jornal República, onde desenvolve uma intensa actividade até 1941

Consultar aqui.

J.M.M.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

VÍTIMAS E VIOLÊNCIAS NA LISBOA DA I REPÚBLICA

Assinala-se a publicação de um estudo de Doutoramento sobre a vivência da violência em Portugal, durante o período politicamente muito conturbado da 1ª República. Neste caso restringido geograficamente à região de Lisboa, sem dúvida a cidade que mais revoltas e conspirações conheceu na época, dando azo à imagem de instabilidade permanente que se vivia, onde a violênca era muitas vezes uma ameaça constante e servia, como quase sempre, os interesses de algumas elites instaladas.

Vítimas e Violências na Lisboa da I República é um livro que ambiciona responder a duas questões principais: apurar o papel da violência nas relações sociais e perceber o que, na Lisboa desse tempo, significava ser vítima, quem era ela, o que fazia, porque o fora e como era olhada pelos poderes.

A investigação apoiou-se numa fonte inexplorada: os exames directos e de sanidade efectuados, pelos peritos do Instituto de Medicina Legal de Lisboa, às vítimas de crimes contra a segurança, nos anos de 1912 e de 1926. A investigação conclui que a vítima, ainda que fosse essencial a afirmação do poder, foi muito pouco considerada, quer pelo Direito, quer pela Medicina Legal, saberes e poderes mais preocupados com a repressão do agressor.

A origem popular, a profissão, o comportamento, o traje, o analfabetismo e a linguagem reforçavam a convicção de que pouco separava o ofendido do ofensor, ambos encerrados num mesmo mundo de desvio. E para assegurar o monopólio da violência pelas elites no poder, à medida que a violência popular era criminalizada, escondia-se e esquecia-se a dimensão sociabilitária da agressão.

Maria Rita Lino Garnel
É doutorada em História Contemporânea pela Universidade de Coimbra. É membro do Instituto de Sociologia Histórica da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e consultora do projecto “Inquérito Nacional sobre a Violência de Género”.

Áreas de interesse científico: História da Violência, História das Mulheres, História das Elites Médicas, História da Saúde Pública em Portugal.

De entre diversas publicações destacam-se: A República de Sebastião de Magalhães Lima, Lisboa, Livros Horizonte, 2004; «A Vítima e o direito penal português. Século XIX», Lei e Ordem. Justiça penal, criminalidade e polícia. Séculos XIX-XX, Lisboa, Livros Horizonte, 2005, pp. 45-63; «A Loucura da prostituição», Thémis, nº 5, 2002, pp. 139-158; «Mulheres e violência: das imagens e das realidades na Lisboa de 1912», Faces de Eva, nº 10, 2003, pp. 73-95; «O Poder intelectual dos médicos», Revista de História das Ideias, nº 24, 2003, pp. 213-253; «A Loucura feminina nos inícios do século XX: dois estudos de caso», Conceito. Revista de Filosofia e Ciências do Homem, nº 1, Loucura e Desrazão, 2005, pp. 125-140.

É bolseira de Pós-Doutoramento com um projecto sobre «Médicos e Políticas de Saúde no Parlamento da I República».


A.A.B.M.

sábado, 1 de dezembro de 2007

O DOMINGO ILUSTRAD0


O Domingo Ilustrado - on line na Hemeroteca Municipal de Lisboa

O Domingo Ilustrado: noticias & actualidades graficas, teatros, sports & aventuras, consultorios & utilidades. Semanário, Lisboa, Ano I, nº 1 (18 de Janeiro de 1925) ao Ano III, nº 154 (25 de Dezembro de 1927). Editor: Eduardo Gomes [mais tarde Leitão de Barros]. Director: Eduardo Gomes [a partir do III num, Leitão de Barros e Martins Barata]. Chefe da Redacção (a partir de Setembro de 1925), Henrique Roldão.

Colaboração: André Brun, Armando da Silva Ferreira, Artur Portela, Carlos Botelho, Carlos Malheiro Dias, Corrêa Leal, Feliciano da Conceição Santos, Francisco Guedes, Henrique Galvão, Reinaldo Ferreira [Repórter X], Ricardo Marim, Roque Gameiro, São Paio, Taço [pseud. Tomaz Ribeiro Colaço].

Consultar aqui.

J.M.M.